quarta-feira, Julho 23, 2014

Ao Avesso e do Avesso

Há projectos que criam empatia por alguma razão ou por nenhuma razão. Outros nem por isso e de outros afastamo-nos. As razões estão sempre no subconsciente, no emocional, no (in)justificável. Mas queira-se ou não, diga-se o que disser, as relações humanas definem os nossos interesses. E quem pensar o contrário, desengane-se. Há-de ser sempre assim e assim há-de ser sempre. Por isso, continuo a divertir-me com pretensas isenções, com as novas paixões, com o que se vai dizendo por todo lado. As pérolas, essas, que pensava estarem esgotadas, surgem em catadupa. Na linha da frente, e apesar de algumas mudanças nas trincheiras, tudo se mantém inalterado. 


Por isso, e justificando o preâmbulo, devo dizer que por causa deste homem, o interesse na Quinta de Covela redobrou. Pela sua simpatia, pela sua amabilidade, pela sua humanidade, pela sua alegria, fez ganhar mais um adepto: eu.


Podia dizer que estava ou ando ao Avesso, mas não estou e não ando. Existe, apenas, um enorme desejo de liberdade e de franqueza, nem que por isso tenha que virar tudo ao Avesso. E como devem esperar, neste momento, a garrafa já foi virada não ao avesso, mas de baixo para cima. Várias vezes.

terça-feira, Julho 22, 2014

Lisboa ou Vinhos Atlânticos

Não sei se é o pronuncio de alguma coisa, mas o que posso dizer é que nos últimos tempos tenho olhado com atenção bem redobrada para os vinhos brancos de Lisboa. E antes que continue a desenrolar a homilia, devo dizer que apesar de bem esgalhada, do ponto de vista turístico, a denominação faz-me, ainda, alguma espécie. É que percorro Lisboa e não encontro vinhas. Mas porque posso dar-me ao luxo de poder inventar a meu belo prazer as mais disparatadas expressões, de escolher outras coisas e mais algumas, prefiro chamar-lhes Vinhos Atlânticos. E se dobrarmos para inglês, olhem que não fica mal: Atlantic Wines. Parece-me mais exclusivo, mais diferenciador, mais alternativo.
Paulatinamente e de forma gradual, começo a cimentar a ideia que teremos, ou poderemos vir a ter, que digam os verdadeiros peritos na matéria, um pólo com muito interesse para quem gosta de variar um pouco.


Toda aquela língua de terreno com silhueta feminina, ventosa, com nevoeiros matinais, que leva com o mar dia após dia, confere aos vinhos uma frescura acentuada, um carácter marítimo bem vincado. 
Fica, também, a minha convicção, que os produtores, no geral, começam a ter um propósito, um foco, uma intenção, um objectivo. A coisa parece prometer. E nós, apesar dos bolsos desfalcados, lá teremos que gastar mais umas moedas. Basicamente dividir o parco espólio. Sobre os tintos, salvo uma coisa ou outra, a história é um pouco diferente.

terça-feira, Julho 15, 2014

Lavradores de Feitoria@Memmo Alfama

Foi saudavelmente uma apresentação cheia de alegria, carregada de boas ondas, num lugar mais que perfeito (Memmo Alfama) para tomar conhecimento dos novos vinhos brancos da Lavradores de Feitoria. Um espaço magnifico, bem decorado, bem enquadrado na paisagem pitoresca de Lisboa.


A forma e o feitio da apresentação pareceu-me a ideal, quase provocatória e bem arriscada. Diria, e perdoem-me eventuais falhas, rara.  Ouviu-se pela mestre de cerimónia, apenas e bem: desfrutem. E, assim, foi feito. Para quem não se sente confortável ou não está habituado, é ou era capaz de ficar, sei lá, à nora.

Olga Martins:  CEO e Directora Comercial da Lavradores de Feitoria e que foi considerada a Executiva do ano em 2013 pela Máxima Mulher de Negócios.



Apostou-se na informalidade, na liberdade, em que cada participante podia fazer o que lhe desse na tola: sentar-se e apreciar a vista, ficar calado ou conversar com o vizinho do lado, rir e sorrir, dizer o disparate mais deslocado que possa existir. Nada de apresentações taciturnas, demoradas e prolongadas, cheias de nuances técnicas, empachadas de lugares comuns e egos.






E por entre petiscos, boa disposição, muita alegria, os vinhos foram rodando pelos copos e os comentários, esses, pareciam mais livres e genuínos. Sem medos, sem receios e com os sacra-caderninhos bem discretos, o people falou com quem quis e da forma que quis. 



Sobre os vinhos, e não querendo tecer longuíssimos comentários, diria que estão focados para a época (quente). Com fruta, para se beberem jovens, em regime de esplanada, picando uma coisa aqui ou outra acolá. Vinhos com urbanidade, cosmopolitas, citadinos. Regista-se a curiosidade do Colheita Tardia e do Riesling que resulta de uma parceria com o Chef Rui Paula. E, contradições à parte, gostei deles

quinta-feira, Julho 10, 2014

Rebater Teses

Um post telegráfico que serve, além de engrossar o arquivo do blog, para dignificar o mesmo. Posto isto, cabe-me afirmar sem rodeios ou qualquer pudor, e porque já viram a foto a rodar pelas redes sociais, que este vinho encheu-me as medidas. Não sei se foi por causa do momento, da altura, da ocasião (não havia nada para festejar ou lembrar), mas soube-me pela vida. 


Um vinho que, vejam lá, pertence ao tal ano quente de dois mil e três e que, vejam lá outra vez, tem mais de catorze por cento de graduação alcoólica. No momento, em que o vinho ia escorrendo, pareceu-me que as teses anti-graduações elevadas deixavam de ter qualquer sentido, tal como desconfiar de um vinho por causa de um ano mais ou menos complicado, pareceu-me, mínimo, preconceituoso. Apraz dizer que este vinho rebateu, no tal momento, algumas das ideias pré-concebidas que se vão instalando, muitas vezes, sem qualquer sustento técnico. 

sábado, Julho 05, 2014

B de Sofhie: Apetecia-me Este em vez do Outro

Bebi vinho, como é expectável, enquanto estava (e estou) a escrever este post. Um post que será, como sempre, despropositado. Ora reparem nesta confusão: enquanto ia bebendo determinado vinho, dei comigo, vejam lá, a pensar noutro vinho que já bebi e que gostaria de estar a beber. Coisa que é, no mínimo, parva. É como estar com uma mulher, mas pensando noutra. Digamos que estaria a cometer uma traição enófila.



Ou é por causa do tempo que começa a bater à porta ou por causa do estado de espírito que me acerca, este vinho que, segundo consta, vem de Sancerre, era o que me apetecia, na verdade, beber. Apetecia-me, talvez, por que tem aspecto diferente, por que vem de outras bandas. E o mais absurdo, é que por cada trago de vinho que via sorvendo, mais vontade tinha de beber o outro, que é este que aparece nas fotos.