quinta-feira, abril 24, 2014

1995: Sidónio de Sousa

Estou efectivamente a teclar sem sentido, tentando criar qualquer coisa que esteja relacionada com a foto, mas na verdade a tarefa parece-me impossível. Olhei para o ano e tentei recordar algum acontecimento específico, alguma coisa que valesse a pena partilhar com vocês, mas nada surge pela frente. Aparecem uns fogachos aqui e ali. Nada de relevante. Sobra o vinho. E o vinho vale muito mais que qualquer palavra que se possa escrever. E acreditem que se poderia inventar muito. A imaginação é, como sabem, infinita. Ou finita, dependendo dos casos.


Trata-se de um clássico, de um estilo que esta casa bairradina parece ter perdido. Como tal, por muito que se diga ou fale, este vinho pertence a um período que já não deve voltar. 


Resta-me, somente, partilhar com vocês o facto de que a garrafa foi esvaziada, ou quase. E o pouco que restava, se não me engano, foi ainda para casa de alguém. Mas antes de ir, por agora, nada como aconselhar-vos a sentir meia dúzia de gotas de um vinho como este. Nem que seja por breves instantes. Trata-se de história.

quarta-feira, abril 23, 2014

Quinta da Vegia: de Esquecido a Superior

O acto de esquecimento não é necessariamente algo negativo. Por vezes, esquecemos, porque assim tinha que ser, porque era o melhor, naquele momento. É esquecer para continuarmos. 


Mas na verdade, ninguém esquece. Guarda-se bem guardado, em local específico. Depois, e de tempos a tempos, relembramos o que aparentemente estava esquecido. E quando isso acontece, os sentimentos, as emoções ficam mais fortes, são mais intensas. Relembra-se tudo e todos. Recordamos como foi, como era e como gostaríamos que fosse. Cautelosamente vai-se falando, vai-se partilhando o que estava aparentemente esquecido. Pedem-se opiniões, conselhos, ouve-se e escuta-se. Faz-se o balanço. 


Certo dia, fartos de estar à espera, de adiar o inadiável, conta-se tudo. Percebemos, então, a razão de muita coisa. Constata-se que valeu a pena esperar, durante tanto tempo. Fica-se com sentimento de dever cumprido, superiormente cumprido. E, quer se queira ou não, ficamos contentes. É merecido.

terça-feira, abril 22, 2014

A visitar: Tudo Qué Bonito!

Numa das habituais passeatas nocturnas, naquele período antes de deitar, dou com um blog que cativou à primeira vista.  


Fui lendo na diagonal, encalhando aqui ou ali em algumas passagens. Gostei da fotografia, da forma ligeira, descomprometida com que se vai desenrolando o desenlace. Parece-me, de grosso modo, catita, interessante e, olhem, gostei. É um blog para continuar a seguir, porque é bonito.

domingo, abril 20, 2014

DSF Colecção Privada: Rosé by Moscatel Roxo

É, ou foi, um rosé inusitado. Passados alguns anos após o primeiro lançamento, ainda carrega sobre ele alguma da áurea que possuía, por ser um vinho completamente desviante da norma. E que, pessoalmente, se distancia do espumante da mesma casta, colocando-se no lado oposto, pelo interesse, pelo equilíbrio, por tantas outras coisas.


Continua a ser um marco diferenciador no universo dos rosés made in Portugal, pelas mais variadas razões: casta, cor, cheiros e sabores. Tudo conjugado dá origem a um vinho que apela e é apelativo.


O seu traço bastante feminino, tornam-o, ainda, num vinho luxuriante e perfumado, sem ser cansativo ou fatalmente enjoativo. Um vinho que escolheria, por certo e na certa, para envolver alguém que me interessasse, numa noite bem quente, carregada de sensualidade. E mais não digo, a censura não deixa.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, abril 18, 2014

Casa Albuquerque: Encruzado

Poluição? Lobby? O que seja, o que queiram. Escolham a forma e o estilo. Pessoalmente, é viver, é desfrutar, é descobrir. É insistir, é falar de tudo e de nada. Depois de meia tempestade, de uma vaga que bateu na rocha, deambulei por entre paredes, por entre quelhas e penedos. Vivi e revivi.


No meio de muita pedra e fragas, encostado ao rio Mondego, no meio de quase nada, apanhei um vinho que só conhecia de nome. Pouco mais.


Um vinho com fruta citrina, cristalino, directo, fresco e refrescante. Basicamente mais um Encruzado, mais um varietal desta casta que parece, já, saturar muita gente. Atrevo a dizer que, ainda assim, venham mais.


A título pessoal, senti pela frente um vinho que conjuga com a região, que satisfaz pela honestidade, pela coerência de aromas e sabores. É, ao fim ao cabo, mais uma interpretação que merece ser conhecida, bebida, e porque não, debaixo de uma latada, encostado a um muro de granito. E finda a garrafa, dormir debaixo de uma qualquer árvore, satisfeito da vida.

quarta-feira, abril 16, 2014

Fonte de Gonçalvinho: Encruzado

Fazia algum tempo que não bebia este vinho. Não lembrava como ele era, ao que cheirava, ao que sabia. Tinha na memória que eram menos de seis centenas de garrafas. Tratava-se de uma experiência, uma introdução à casta. Basicamente era ver o que dava. E deu numa coisa interessante, com personalidade, com muito cariz.


Em dois mil e catorze, quatro anos após a colheita, este vinho branco mostrou-se tenso e robusto, suportado por uma frescura altiva. Um vinho que, vejam lá, melhorava com a decantação, com o arejamento, com a espera, com a paciência. E a indiciava que estaria longe de definhar.


Pareceu-me, ainda, que não seria ou será vinho para todos, mas é vinho, certamente, para quem gosta de experimentar vinhos brancos que se comportam como vinhos tintos. Que resta dizer mais? Que custa menos de cinco euros, mas que vale mais.

quarta-feira, abril 09, 2014

Encontro Special Cuvée

E porque há sempre motivo para festejar, para brindar, para beber, nada melhor que ver saltar para o copo um vinho que gostamos. Um vinho que irá redobrar as forças, fazer olhar olhos nos olhos para determinado ponto e seguir em frente. 



E este vinho, que é espumante, tornou-se em vicio pessoal, algo impossível de não resistir, em que as doses começam ser cada vez maiores e menos espaçadas. É vinho que sabe bem, muito bem e que aconselho sem qualquer receio.

terça-feira, abril 08, 2014

Alain Graillot: Crozes Hermitage 2007

Se os meus amigos permitirem, aconselho que bebam este vinho. Assim desta forma, sem rodeios, sem mais linhas gastas ao acaso. Comprem este ou outra colheita qualquer. Comprem e bebam sem preocupações. Desfrutem. É viciante, é profundo e, para malta como eu, oferece, decididamente, outros prazeres. 



A panóplia de sabores e de cheiros é, por assim, dizer diferente do habitual. Repetindo o mote: comprem e bebam, pois creio que não ficarão arrependidos. Eu simplesmente adoro. Que dizes Jorge Filipe Nunes?

sexta-feira, abril 04, 2014

Quinta de Sant'Ana

Enquadramento bonito, airoso e bucólico. Aliás todo o percurso até ao destino está repleto de diversos conjuntos de paisagens que fazem crer o que país ainda está estimado. São recantos, cantos, bocados, esquinas, pormenores que prendem a atenção. Não conhecia Gradil.


Não conhecia Gradil e por consequência não conhecia a Quinta de Sant'Ana. É daquelas coisas que não se justificam ou justificam-se, quiçá, por algum desinteresse não fundamentado. Passadas algumas horas, não muitas, percebi a enorme burrice que foi, até ao momento, não dar a importância devida ao projecto.







O aglomerado de edifícios e as cercanias justificam, por si só, uma visita demorada e contemplativa. Não se fica(rá) defraudado. Mesmo para os não apaixonados pelo vinho o espaço tem inúmeros pontos de interesse. 




Os vinhos provados foram: Riesling, Verdelho e Fernão Pires. Todos da Colheita de 2012. Pinot Noir 2011, Homenagem Barão Gustav von Furstenberg 2010 e Tinto Colheita 2012
Sobre os vinhos. Se há região onde não me choca o uso de castas não nativas, é a Estremadura (gosto mais que Lisboa). Aceito, compreendo e bebo sem qualquer constrangimento. A Quinta de Sant'Ana não é excepção no conjunto de produtores estremenhos. E entre a parafernália de castas made in outside portuguese borders existem algumas que prendem a atenção: pinot noir. E o de Sant'Ana tem, de facto, muito estilo. Mas a surpresa, por entre os brancos provados, caiu sobre o riesling: mineral, bem fresco, limpo e cristalino, a mostrar (boa) capacidade para evoluir em garrafa, para desenvolver-se e amadurecer com sentido. Ficou-me na retina.

Adega prática, bem aproveitada e onde existe uma simbiose entre o tradicional e o moderno. 

Vinhas rodeadas de floresta e plantadas em terreno com acentuado decline.  


Findo o périplo, fico com a sensação que esta zona desta encalhada Lusitânia, que chamam agora de Lisboa, é apaixonante, revela potencial, preferencialmente, para vinhos brancos. O Atlântico, os declives, a vegetação apontam para isso e eu, aqui entre nós, tenho olhado com (alguma) curiosidade para o que se vai fazendo, mesmo que conheça pouco, muito pouco.

quinta-feira, abril 03, 2014

Pedra D'Orca: Reserva 1996

Recordo ter falado, aqui, sobre simbolismos e símbolos. Recordo ter dito, mais coisa menos coisa, que há vinhos carregados de significados, de memórias muito pessoais, que nos reportam a factos, a momentos, a passagens marcantes que só a nós diz respeito. São, na maior parte das vezes, imperceptíveis aos restantes dos mortais. São, também, para quem toma um pouco de atenção, exagerados e exacerbados os motivos elencados.

É curioso o tipo de letra usado no rótulo. Faz alusão a um certo medievalismo.

Temos, por hábito, reservar os vinhos mais caros para registar tais passagens, tais momentos e memórias. Mas não é sempre. O exemplo de hoje, um prosaico vinho tinto de Cooperativa, pertence ao lote daqueles vinhos que mais (me) marcou e vai-se lá saber porquê.  


A Pedra D'Orca é um monumento megalítico que ainda existe.  A marca ainda existe.
Procuro, nos meandros dos meus diários, uma razão plausível para ficar efusivamente alegre quando vejo e revejo e bebo este tinto. Talvez, não sei ao certo, porque remete-me para a presença da minha mãe, para os alargados almoços e jantares de família. Coisas que já não voltam. Talvez seja por isso. Talvez.