sábado, Março 29, 2014

Explicit

Há rótulos que influenciam? Claro que há. Não tenho qualquer dúvida sobre o assunto. O rótulo e o contra-rótulo leva-nos, ainda, a comprar determinado vinho em detrimento de outro. Não fujo à regra. Depois, tudo se resume ao que está lá dentro: não vale a pena e não se repete mais ou então cai-nos no goto e insistimos na repetição. Este vinho encaixa, na perfeição, na última premissa. 



Depois é um puro deleite beber este vinho, olhando para o rótulo. Tudo parece bater certo, tal é o grau de sugestão que (nos) é criado. Apetece dizer que o vinho é, mesmo, aquilo que está no rótulo, nem mais e nem menos. Resta, por isso, cumprir um conselho que surge em cima do código de barras: DISFRUTE E APRECIE. 

terça-feira, Março 25, 2014

Quinta de Camarate: Outro Seco


É curioso assistir ao uso cada vez mais insistente, sem qualquer problema e sem qualquer temor, do conceito seco. Mesmo em conversas, mais ou menos densas, mais ou menos eruditas, mais ou menos esclarecidas, a palavra seco, juntamente com vinho seco, começa a ganhar uma falange de apoio que não se deve, de todo, desconsiderar.

1 - Um vinho branco que foge dos parâmetros da normalidade.
É um conceito que pretende, por oposição, distinguir-se de todos aqueles (vinhos) que são mais, sei lá, doces (usando uma expressão mais corriqueira e popular).

2 - Um vinho que apresenta um conjunto de atributos saudavelmente desviantes.
Depois, transpondo para as relações humanas, é usual apelidar de seco, todos aqueles que não costumam mostrar cara de amigo, que escondem sentimentos, que usam máscara dissimuladora, tentando não realçar aquele lado mais afectuoso, que inevitavelmente todo o ser (equilibrado) possui.

3 - Foi um vinho que soube pela vida. 
A questão é simples, para mim: o seco tem, em muitos casos, mais para dar, mais para mostrar, mais para oferecer, que todos aqueles que andam felizes e contentes todos os dias, tais bobos, mas que ao fim de duas ou três trocas de palavras, saturam e enfartam. Tal como nos vinhos.

Post Scriptum: O Vinho que aparece como ilustração foi oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, Março 21, 2014

Quinta do Corujão Grande Escolha: O fim de linha

Fim de linha porque era simplesmente a única garrafa que tinha em (minhas) mãos. Representava um tempo que já não volta, que marcou, inevitavelmente, uma época. Não (me) interessa criar juízos de valor. Marcou e pronto. Chega-me. Agora outra época se inicia. Melhor? Pior? Também não (me) interessa. Será certamente diferente: os actores são outros. Fatalmente terão outra visão, outro olhar. O que importa é respeitar o legado.



Por tudo isto, e mais alguma coisa, resta-me, apenas e apenas, manifestar o contentamento por este último exemplar ter representado (e muito bem) a região de onde veio. E isso basta-me. O resto são coisas de alcofa, que pouco importa. Daqui para a frente, daremos, eu darei, atenção a outros nomes.

segunda-feira, Março 17, 2014

Que ao menos se beba!

Que me perdoem todos aqueles que aparecem por aqui por causa do engodo que vou lançando. As fotos são meros artefactos ilustrativos que pouco ou quase nada se relacionam com o que se debita. São estas, como podiam ser outras. São meras escolhas pessoais. 


Hoje, como em tantos outros dias, andei à procura por qualquer coisa de interessante por diversos cantos. Procurei alguém que escrevesse algo ou alguma coisa sobre vinho que fosse diferente, que tivesse graça como isto. Mas a panóplia de inocuidade, de desinteresse é de tal ordem que (me) enfada. Nada. Nada se diz com piada, com humor, com sustento e substracto. A ideia com que fico, só eu, é que tudo está na mesma, que se alinha pelo mesmo diapasão, pela mesma bitola. Onde tudo insiste em encostar-se a um centro que não mexe, que está cada vez mais estático. 


Posto isto, mais uma vez, resta-me: beber. Ir bebendo este ou aquele vinho, para ver se a minha mente não fica trôpega de imaginação. Porque se (ela) me falha...

sábado, Março 15, 2014

BSE: Branco Seco Especial: 2013

Passou um ano em que falei aqui sobre este clássico da JMF. A conversa foi ainda transposta para o Facebook, tudo porque, sabe-se lá porquê, recordou-se as idas aos restaurantes chineses, novidade na altura, com as namoradas, nos idos anos noventa. Era tradição, até fazíamos proa, pedir um BSE, para contrapor o Casal Garcia. Perdoem-me a comparação à americana. Era como se disséssemos à pressuposta companhia que percebíamos do assunto. Ajudava a quebrar o gelo, a timidez, soltando a língua, ajudando no enriquecimento do galanteio. E elas gostavam. 




Havia, sem dúvida, qualquer coisa (de mais) requintado, de especial. Na verdade, o vinho era bebido somente pelos rapazolas. Ajudava-nos a dizer aquela palavra mais audaz, ir directo ao assunto.
E passado um ano sobre o que disse, reitero a mesma coisa: continuo a não perceber porque carga de água uma pessoa deixa de beber estes vinhos. Está porreiro, está seco e combina (bem) com comida especiada, picante e bem temperada. 

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

quinta-feira, Março 13, 2014

Pedra Cancela: Signatura Branco

A expressão assinar em branco, reflecte a enorme confiança que determinada pessoa deposita noutra ao ponto de assinar com a sua chancela, antes de ler, de ver preto no branco o que irá ser escrito, descrito, proposto, contratualizado. Assinar em branco, num folha em branco, é um acto de quem ainda acredita piamente no seu interlocutor. 



E tal como uma assinatura em branco, e mesmo antes de sair e ser falado no mercado, creio que este vinho, que ilustra a breve resenha de hoje, poderá tornar-se num vinho incontornável, apesar do luxo, mas inevitável. Estarei a assinar de branco? O risco é merecido.

terça-feira, Março 11, 2014

INVULGAR By UDACA

Invulgar: Sempre gostei de coisas ou atitudes invulgares, incomuns. Mostram, na maior parte das vezes, arrojo, capacidade para inovar, para propor algo diferente, de invulgar.

1 - Enólogos responsáveis: António Mendes, António Narciso, Carlos Silva.
E num acto cheio de invulgaridade, as Adegas Cooperativas do Dão, ainda vivas (Vila Nova de Tazem, Silgueiros, Penalva do Castelo e Mangualde) juntaram-se para propor, parece-me, algo de Invulgar: um vinho construído a partir de vários lotes criados em tais Adegas Cooperativas.

2 - Enólogos responsáveis: Miguel Oliveira, Pedro Pereira.
Trata-se de mais um esforço, de mais uma jogada para mostrar ao mundo, seja ele qual for, que existe vontade para manter à tona o movimento cooperativo do Dão, modernizando-o, actualizando-o, contextualizando-o. Um acto que pretende dizer-nos que ainda há força para continuar em frente. Sobre o vinho, aconselho, sem rodeios, que seja provado. Não é vulgar termos à frente algo do género.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pela Udaca.

sexta-feira, Março 07, 2014

Touriga Nacional: Quinta do Sobral

No reino da Touriga Nacional. Não estou farto, nem uma nesga. Continuo a insistir, a teimar. Ficarei com a visão tolhida, com o paladar formatado, com os sentidos destreinados? Que seja. E em contracorrente, continuo a verter copos e copos de vinho feito, só, com Touriga Nacional.



E este que ilustra a breve súmula, a breve resenha de hoje ou de amanhã, pois não sei (ainda) qual será a data da publicação, satisfez novamente a bucha noctívaga. E apesar de (ainda) estar bem arisco, irrequieto, desapareceu da garrafa. Foi um ar que se lhe deu.

quarta-feira, Março 05, 2014

Dão à Bordalesa

O acontecimento não é novo, já foi falado por muitos recantos, o objectivo do post é meramente marcar posição pública. A minha. Mas creio que vou ter que morder a língua, no futuro, quando começar a ver à minha frente produtores, cada vez mais produtores, a servirem o seu vinho à bordalesa


Gosto de uma boa lampreia à bordalesa, de muita coisa feita à bordalesa, mas vinho do Dão à bordalesa, perdoem-me o preconceito, o exagerado classicismo, é algo que espero não ingerir. Parece-me indigesto, pouco conseguido, despropositado e incaracterístico. Só espero é não ter que morder a língua no futuro. Mas até lá.


segunda-feira, Março 03, 2014

Sino da Romaneira

Que dobrem os sinos. Dobrem os sinos sem parar. Subam à torre e dobrem os sinos. O vinho soube-me bem, muito bem. Soube-me bem, porque soube bem, porque fui bebendo até mais não. Soube-me bem, porque tinha de saber bem. 




Há muito que não bebia um vinho do Douro saudavelmente simples, airoso, descomplexado e directo. Bebi e bebi sem qualquer fastio ou enfado. Que dobrem os sinos, portanto, que o vinho merece e eu mereço, mesmo que não tenha ou não haja qualquer razão para dobrar os sinos.

 Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

sábado, Março 01, 2014

Diga?

Ultrapassada uma semana sem dizer qualquer palavra, encosto neste dia em estado não muito diferente dos outros. Creio que do vosso lado, estarão à espera que diga alguma (ou mais uma) bacorada sem qualquer sentido, entrando e saindo sem esclarecer coisa nenhuma. Regressar ou retornar ao normal, é procedimento moroso.



Com isto tudo, digo mais o quê? Digo que o vinho era ou estava bem bom. Digo que estava muito bem de saúde, que deu um rol de gozo. Digo mais o quê? Digo, talvez, que é a vossa vez de dizerem qualquer coisa, nem que digam nada como eu. É que no meio do silêncio também se diz muito.