quinta-feira, Novembro 28, 2013

1982

Em 1982 andava pelo segundo ano do ciclo preparatório. Na altura era assim que se chamava ao actual sexto ano, curiosamente o ano que frequenta, agora, a minha filha mais velha. São, vejam bem, trinta e um anos de diferença. Uma vida, uma distância tão longa que já perdi a conta. E nessa altura, sabia lá o que eram trinta e um anos de vida. Era uma medida absurdamente grande, difícil de quantificar. Ainda só tinha doze anos.


Puxei pela mona, pela memória, tentando procurar nos meandros desta estranha e enviesada cabeça, alguma coisa com significado, mas não consegui. Não terá acontecido nada? Terei limpo, apagado qualquer recordação?  


Terá sido aquele ano de mil, novecentos e oitenta e dois um hiato? Terão sido doze meses sem qualquer coisa para recordar, sei lá, para contar?


Preocupa-me, assusta-me, que não consiga rebuscar qualquer passagem, qualquer momento que diga: aconteceu desta maneira! Não consigo. Restou-me, por isso, beber até à última gota. Restou-me, apenas isso.

domingo, Novembro 24, 2013

O Pingus gostou destes: Os eleitos de 2013

A ladainha do costume, logo nada de novo: blábláblá.
Este ano, porque não tinha vinhos em quantidade suficiente, demorei mais tempo a publicar. E lista que se preze tem que ter uma boa carrada deles e deve ser apresentada de forma pomposa.
Mas baralhando e dando, repetindo e repisando, é mais uma selecção de vinhos que partilho com a i-enofilia. Como sempre, e para não destoar, sua escolha assenta em aspectos obscuros, tendenciosos e amplamente emocionais. Não há, portanto, critérios. Foram, e nem podia deixar de  ser, os melhores, em determinada ocasião, sendo que algumas vezes sem qualquer justificação justificável. O resto, como devem perceber, são assuntos sem importância. Eu gostei destes e vocês gostarão de outros. Constatação normal na vida de homens e mulheres.


E sobre o que está em causa, também para não destoar, e se voltasse a beber, a minha opinião poderia ser, quase na certa. Tal como no passado, cada vinho tem um link para o respectivo texto. Posto isto, sirvam-se, abusem e critiquem.

Vinho Verde
João Portugal Ramos Alvarinho 2012
Momento Ousado Alvarinho 2011

Douro/Porto
Casa Ferreirinha Reserva 1997
Barca Velha 2004
Guru 2011
Warre's LBV 1992

Bairrada/Beiras
Quinta do Poço do Lobo 1995
Utopia 2003

Dão
António Madeira Vinhas Velhas 2011
Flor das Maias 2005
Lagar de Darei Reserva 2007
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador Branco 2011
Pedra Cancela Signatura 2010
Quinta da Fata Reserva 2004 (Magnum)
Quinta da Pellada Estágio Prolongado 2000
Quinta do Perdigão Encruzado 2011
Quinta do Perdigão Encruzado 2012
Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 1994
Vinha Othon 2006
Villa Oliveira Encruzado 2011

Península de Setúbal
António Saramago Reserva 2009
Hexagon 2008

Alentejo
José de Sousa Mayor 2009
Vila Santa Reserva Branco 2012

Moscatel de Setúbal
Moscatel de Setúbal Superior 1975

Madeira
Blandy Verdelho 1977

Está, assim, apresentada a grande, e única, lista de vinhos (para mim). Qualquer comparação é despropositada, dada a magnitude daquilo que apresento. E, tal como em outras selecções, continuam a não ser tidos e nem achados outros vinhos que eventualmente bebi ou vocês beberam. Não teria, como sempre, qualquer sentido mencionar nomes que não foram falados no Pingas no Copo.

sábado, Novembro 23, 2013

Casa Cadaval: Pinot Noir 1996

Contribuindo para a diminuição das visitas (estão pela rua da amargura), do interesse, do enfoque, encerro hoje a série de fotos. Todas elas, como podem ter reparado, possuem a mesma tonalidade, as mesmas cores, o mesmo brilho, a mesma qualidade. São, por isso, momentos de um momento específico. 


Além do mais, são post ilustrados com vinhos que pouco dizem, ou nada, aos trauliteiros que empastam as redes com prosaicas afirmações, que por vezes não são mais que conjugações despidas de interesse, de emoção, de tudo e de tudo


Este Pinot Noir está, perdoem-me o arrojo, no leque de vinhos que ensinaram (me) a olhar para o mundo de maneira diferente. Não foi preciso andar a vasculhar mundos e fundos para armar-me. Um vinho que estava (e está) aqui à mão de semear.


Pois então, e por isso, devo dizer, parecia mal o contrário, que gostei do vinho. Não estariam à espera, por certo, que dissesse outra coisa. Logo, e só para encerrar, peço-vos que tentem beber este vinho. Julgo que irão gostar.

quarta-feira, Novembro 20, 2013

Noval: LBV 1996

Não falo muito sobre Vinhos do Porto e vocês sabem disso. Mas não falo sobre Vinhos do Porto, porque não faço ideia o que dizer, o que descrever. É dos actos mais bacocos, estranhos e forçados que faço. Mas na verdade, e vocês também sabem disso, não falo sobre quase nada ou falo sobre quase tudo e nada.




Tenho que admitir que admiro quem consegue adivinhar anos, estilos, produtores e quintas com uma precisão milimétrica. Quando assisto a tamanha prova de sabedoria, fico-me, apenas, pelos comentários mais prosaicos que podem existir: gosto muito, gosto ou gosto assim a assim. Neste caso, devo dizer que gostei (quase muito).

segunda-feira, Novembro 18, 2013

Velhos e Rasgados: Os Rótulos

Rótulos velhos, decadentes, rasgados. Rótulos de vinhos com história no Dão. Apesar de velhos, rasgados, decadentes e sumidos, os rótulos, foi visível a forte capacidade de evolução que estes vinhos possuem. Mesmo mal vestidos, tal maltrapilhos sem eira nem beira, estes vinhos dignificaram (muito bem) a mesa. 

Touriga Nacional & Alfrocheiro
Touriga Nacional 100%
Touriga Nacional 100%
Vinhos, perdoem-me eventuais exageros, destinados a serem contemplados com demoras e pouco adequados a quem prefere coisinhas do supermercado, de estilo imediato, de abordagem fácil e modernaça. Resta-me, por isso, dizer para não perderem tempo com isto. Façam o favor de beber o que gostam, que eu beberei, desmesuradamente, o que eu gosto. E ficaremos, deste modo, todos contentes.

sábado, Novembro 16, 2013

1978

Olhava para a garrafa e pensava pra comigo: o que devo dizer? Sei lá. Não conseguia fixar-me no que tinha pela frente. Tinha a cabeça noutro lugar, noutros sítios. Não estava concentrado. Não estava e nem queria. Queria pensar, apenas, no que estava a pensar. E o que estava a pensar, apesar da garrafa, não estava ali. Estava noutro lugar, não muito distante, mas estava noutro sítio, noutra paragem.



E noutra paragem lá fiquei. Restou-me, por isso, continuar a beber o vinho, enquanto os outros, mais concentrados no que estavam a fazer, diziam mil e uma coisas sobre o vinho. Eu, porque não estava lá, apenas escutava, em silêncio. E bebia, pois claro.

quinta-feira, Novembro 14, 2013

Bical&Cercial ou Cercial&Bical

São dois vinhos que marcaram um período. Duas castas que fizeram (ainda fazem?) dueto na altura. Dois vinhos que, passados catorze e treze anos respectivamente, surgiram no copo cheios de vida, irrequietos, a dizer que estão aí para as curvas. Dois vinhos que basicamente surpreenderam ou se calhar não. Não sei.



Para os interessados, para aqueles que gostam de saber o que se achou, poderei dizer-vos, sem grandes trolarós, que um (Quinta do Cabriz) apresentava-se intenso, com nervo e músculo, enquanto o outro (Quinta dos Roques) alinhava, antes, pela sensualidade, pela envolvência, pelo carácter mais critino e perfumado.



Mas independentemente de estilos, gostos ou inclinações, foram só mais dois vinhos brancos do Dão, de respeitável idade, que mostraram como é que é. Quanto ao resto, não interessa. Que se bebam.

segunda-feira, Novembro 11, 2013

José Maria da Fonseca: A Visita

Está a tornar-se tradição a José Maria da Fonseca convidar para a sua mesa, para a sua borda, a pandilha de bloggers que se dedicam, à sua maneira, a falar de vinho ou de comida ou, ainda, de ambos. Não querendo, por que não quero, dissertar sobre a importância de tais plataformas, devo dizer, no entanto, que é uma atitude reveladora de enorme carinho.


Sejam Bem-Vindos.
Sem fim à vista. O que estará guardado?

E o que dizer mais? Foi mais uma excelente oportunidade para sentir, provar e conversar sobre alguns vinhos produzidos nesta casa.




A mesa dos comensais.

Deambulou-se por entre as amostras acabadas nascer na Colheita de 2013. Amostras de brancos (Verdejo, Verdelho, Sauvignon Blanc, Alvarinho e Viosinho) que permitiram indicar, apesar de imberbes, caminhos, pistas sobre o que poderão ser no futuro. Acima de tudo, um momento didáctico, de aprendizagem, de análise. Ainda assim, devo dizer que o Viosinho granjeou elogios gerais.

Areias.
Argilo-Calcário.
Argilo-Calcário.
Areias.

Aprende-se, sempre, um pouco mais, sendo que o professor, Domingos Soares Franco, contribui de forma vincada para a motivação dos alunos. É ouvir, escutar e assimilar.

Explicando.
DSF apresentando o cardápio.
Terminada a lição, passou-se para o recreio com a revisitação, em estado de contemplação, de alguns vinhos ícones: vinhos superlativos.

Um Branco de 2009 em 2013.
A Talha de Barro e a Grand Noir.
O Castelão e as Areias.
Um Clássico: A Grand Noir
Essência. Puro Elixir. 

E porque, por aqui, nada termina de qualquer maneira, caiu no copo, em jeito de apoteose, um viscoso, complexo lote de Moscatel de Setúbal Superior de 1975. Por isso, e por causa disso, abstenho-me de fazer qualquer comentário. Não seria digno. Que outros o façam.

sábado, Novembro 09, 2013

Casa da Passarella Vinhas Velhas: O Enólogo 2010

A saga continua e parece que, segundo traillers vistos em primeira mão, teremos ainda muitos episódios pela frente. A história de O Enólogo não vai terminar tão cedo. A coisa continua a prometer. Depois do arranque em 2008, da sequela em 2009, o Drama continua em 2010


Na nova época, 2010, o enredo está mais tenso, com passagens que desafiam aqueles indivíduos mais impressionáveis, que escondem a cara ou fecham os olhos, quando surge pela frente uma cena mais arrepiante, com mais intensidade, com mais suspense. 


Com o O Enólogo 2010, a história intensifica-se, torna-se mais profunda e decididamente mais densa.


Desta forma, resta-nos continuar a seguir, com toda a atenção, o desenlace da intriga e ver o que vai a acontecer aos diversos personagens, nos próximos episódios. Sigam, portanto, a história.

Post Scriptum: O Vinho, em cartaz, foi oferecido pelo Produtor.

quinta-feira, Novembro 07, 2013

Douro: Quinta da Zaralhôa

Não conhecia, nem tinha qualquer referência do nome. Portanto, e tão simples quanto isso, nada dizia este vinho. Mas independentemente de qualquer conhecimento, mais ou menos profundo, mais ou menos detalhado, devo dizer (vos), com toda a sinceridade, que a curiosidade foi despertada. O próprio nome, Quinta da Zaralhôa, também espicaçava.


Segundo as exaustivas investigações realizadas, o vinho, em causa, vem do Douro Superior. Algures para os lados de Freixo de Numão.


Vinho que procura abranger de forma coerente diversos consumidores, diversos estilos, gostos e preferências. Um vinho tinto que se mostrou, assim pareceu, fresco e suculento, conseguindo não maçar, não chatear, enquanto se vai bebendo, conversando ou sabe-se lá mais o quê. Cumpre, por isso, a directriz que costumo aplicar com alguma regularidade: vinho simbiótico. Por isso, e como alguém já disse: Porreiro pá!

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

terça-feira, Novembro 05, 2013

Desnível

A perspectiva dá-nos uma visão que pode ser, consoante o caso, nivelada ou desnivelada. Costuma-se dizer que é tudo uma questão de perspectiva. Uma verdade de La Palisse.


E ando, não sei porquê, com a ideia que estou completamente desnivelado. É que olhando, partindo do meu ponto de referência, tudo me parece (desnivelado) nivelado. Não sei. É a tal perspectiva, de que (vos) falava à pouco.


Olho ou miro ou observo, como queiram, para o horizonte e quase tudo aparenta estar demasiado certinho, demasiado alinhado, demasiado perfeito. Mas, dou de barato, que possa estar errada a minha perspectiva. 


Vejo-me aflito, deveras aflito, para encontrar alguém que olhe da mesma maneira, que observe do mesmo ponto de referência. Que tenha, vá lá, a mesma perspectiva. Mas não. Anda tudo nivelado.

Post Scriptum: O Vinho que enquadra o post foi oferecido pelo Produtor.

sábado, Novembro 02, 2013

Quinta da Espinhosa: Reserva Branco

Um branco que aparenta possuir qualquer coisa a que não estamos habituados. É um vinho branco que indicia uma abordagem menos consensual, menos evidente. Dá a ideia que é vinho com pouco paralelismos. Surge-nos, por isso, como um vinho com carácter, com personalidade vincada.


E não deixou de ser curioso, bem curioso, sentir, neste mesmo vinho, algo de genuíno, de rústico, de rural. Quase algo, perdoem-me, do antigamente.


E felizmente que é assim. Na ponta final, por que a malta anda ocupada e disseminada por inúmeros eventos, apraz dizer que este vinho, este mesmo, é capaz ficar bem interessante com uns anos em cima. Aguardemos.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.