quarta-feira, setembro 25, 2013

Pasmados

Pasmados. Sei que o nome reporta a um vinho da José Maria da Fonseca, mas não consegui evitar, mais uma vez, desviar-me do assunto. O nome lembra aquele estado de espírito em que ficamos Pasmados com aquilo que vemos, com aquilo que ouvimos, com tudo e mais alguma coisa. Hoje saí pasmado. Cheguei ao destino, seja ele qualquer for, completamente pasmado com o que tinha de acabado de assistir.


lata e a cara de pau pareceu-me ter ultrapassado os limites do tolerável. Fiquei , por isso, pasmado e sem palavras. Fiquei ainda mais pasmado ao reparar que não havia mais Pasmados como eu. Fiquei, literalmente, a pensar que seria o único a pensar de forma enviesada. Por isso, enquanto estive lá, fiquei sempre com cara de pasmado.


Mas porque parece mal não dizer nada, posso dizer-vos que fiquei, também, pasmado com o ano da colheita do vinho: 2009. Pensei que tinha sido um qualquer engano, mas não. É mesmo assim. Quatro anos depois, é lançada a nova colheita de Pasmados. Fiquei, como devem perceber, pasmado. Trata-se de um vinho gordo e dourado de cor, com corpo amplo. Pasmados?

Post Sriptum: O vinho, que surge na foto, foi oferecido pelo Produtor.

domingo, setembro 22, 2013

Casa de Mouraz: Elfa

Será, fatalmente e felizmente, um vinho pouco (ou nada) consensual, será felizmente um vinho de amor e de ódio. E creio que por mais voltas que possamos dar, este vinho não terá uma legião de seguidores, de admiradores. E isso, perdoem-me, só lhe faz e fica bem. Só (lhe) aumenta o carisma e o desejo de ser conhecido.
Fico, a título pessoal, é meio confuso com as lamúrias de quem anda farto de beber ou consumir sempre do mesmo, da mesma maneira, da mesma forma. Fico meio baralhado, porque anda um mundo inteiro a esbracejar, em jeito de protesto, contra a monocórdica paleta de castas que nos oferecem. 





Pois bem, este Elfa que (me) faz lembrar os Elfos, mas que nada tem a ver com essas figuras fantásticas, veio de uma vinha com cerca de 80 anos de idade e onde não existe a tal maldita Touriga Nacional, proporciona (nos) um conjunto de sensações que tantos desejam: diferentes, desalinhadas, anacrónicas e difíceis. Um vinho que precisamos de conhecer e que nos confronta, para ver se queremos efectivamente mudar (mesmo).

quinta-feira, setembro 19, 2013

MASET: Garnatxa

Será um post choramigão, mas não serão usados lambujes. Chateia-me, por demais, ler textos secos, com palavras enfiadas a martelo, em que se soletram emoções não sentidas, querendo fazer querer que só eles são especiais. Que enjoo.


Quero, apenas, agradecer ao Emílio. Quero agradecer pela forma despretensiosa como oferece qualquer coisa. Um vinho, um acepipe, qualquer coisa. Nunca pede ou pediu nada em troca. Este vinho, como dá para entender ou compreender, foi oferenda dele.


Mas reportemos-nos ao vinho. É dito no contra-rótulo, em catalão, que foi "Embolellat per Agrupació de Viticultors Artesanals." Diz, também, no mesmo contra-rótulo que o vinho "prové de vinyes velles de més de 60 anys." Um conjunto de citações e passagens que aguçam a curiosidade de quem lê e a vontade de quem quer provar. O vinho, esse tal líquido, surge fresco, amplamente fresco, com um estilo que não cansa e não chateia. Os cheiros e sabores pareceram insinuantes e cativantes. Prende-nos, porque sabe (muito) bem, dando vontade de dizer que (nos) encheu as medidas. O resto, tudo o resto, fica para quem sabe e gosta da arte da prova. Eu fico-me por deambulações linguísticas.

terça-feira, setembro 17, 2013

Pedra Cancela: As Vinhas

Não há nada mais reconfortante do que calcar chão de vinha, terreno onde pontificam as vides que suportam os cachos. Só nestas ocasiões, se conseguirá ter uma visão abrangente, global de uma ideia, de um sonho, do que seja. E onde se observam vinhas novas, maduras, velhas. Vinhas com castas conhecidas, desconhecidas. Misturadas ou não. Creio, no entanto, que não será actividade, esta de calcorrear pedra e chão, a mais interessante e desejada pelos viscerais adeptos da prova de vinho. Mas adiante.


Vinha e Floresta: Uma constante no Dão.
Caminhos, muros de granito, floresta.


Um mar de vinha.
Quase que faz lembrar outras paragens.
Falar de Pedra Cancela é, também, falar do ressurgimento do novo Dão, começada e aprofundada por muitos, sendo que Magalhães Coelho é uma figura incontornável. 
O portefólio esteve, durante muito tempo, alicerçado em apenas três vinhos: Um branco com Encruzado&Malvasia Fina, um Reserva Tinto e um Touriga Nacional. Três vinhos que foram, e ainda o são, os portas-estandartes de todo o projecto e que confrontam, nos tempos que correm, olhos nos olhos os melhores da região.

Que casta? Sabe-se lá!

Imagens típicas de uma região: O Dão.
Barricas onde estagiam o Touriga Nacional da Colheita de 2012.
Signature: O Topo dos tintos
Magnum de Touriga Nacional.
E paulatinamente nesta dezena de anos, o projecto tem vindo a ganhar dimensão, visibilidade e capacidade de implementação nacional, querendo dizer-nos que vai e quer lutar nas prateleiras com os maiores da região. As ambições são, e continuam, fortes, basta relembrar que as antigas instalações da Adega Cooperativa de Nelas foram recentemente adquiridas com o objectivo principal de criar num Centro Interpretativo da Vinha e do Vinho, denominado: Nelas Wine&Culture - Lusovini by Pedra Cancela. Pode-se dizer que o sonho ainda comanda a vida e é bom que assim seja. O Dão precisa e nós precisamos.

segunda-feira, setembro 16, 2013

Quinta das Carrafouchas

Gosto de falar, em especial, de vinhos, quando conheço a face de quem os fez ou faz. Gosto de falar deles, simplesmente porque gosto. As razões são emotivas, são passionais. E as palavras que saem tem o coração na boca. Neste caso, mais que nunca, evito descarregar notas de prova, descritores da treta, sem qualquer sentido, vazias de conteúdo. Deixo isso para os doutores, pois eles adoram botar receitas.



E posto isto, ou não, devo dizer que gosto (muito) dos homens que estão por detrás deste vinho. São homens que, sem qualquer pejo, não escondem emoções, não escondem o que sentem e como sentem. São homens que vivem de ideias, de loucuras, de sonhos. Homens que são amigos (meus) e como tal, porque estou cá para isso, direi que o vinho contêm um cem números de coisas que sou incapaz de descrever. Sou incapaz, porque não consigo, porque não sei, porque não quero. Este vinho merece muito mais que um blá blá do costume.



Mas, ainda assim, atrevo-me a dizer que este vinho, este mesmo e não outro, é um vinho nada fácil, nada imediato, nada consensual. E felizmente. É um tinto que me reporta para qualquer coisa em desuso, para algo que não tem a ver com este tempo. Bebe-se e pensa-se muito nele. Alvíssaras.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, setembro 13, 2013

Lavradores de Feitoria: Be|Bel Bistro

Em jeito de penitência pública: É com atraso que traço algumas linhas sobre o par de horas passadas no Be|Bel Bistro. Espaço desconhecido, por mim, de inspiração norte-europeia, onde o português se ouve com sotaque belga. E o motivo era tão simples quanto este: maridar, jogar, brincar, o que quiserem, com vinhos brancos e rosé da Lavradores de Feitoria e, vejam lá, mexilhões. Proposta, mais que interessante, não concordam?




O cardápio do dia.
Há, ainda, alguém que tira notas de prova.
O Branco e Três Bagos, ambos da colheita de 2012, desempenharam o papel de Welcome Drink.

Nele Duportail em plena acção.
Moules Marinière que acompanhou o Três Bagos Branco 2011.
Um vinho que se mostrou cheio de força e estrutura.

O novo Rosé da Lavradores de Feitoria.
Um vinho encarna o espírito do tinto de Verão e fez par com Moules et Frites à Nele Duportail.


Moules à Provençale que, desta vez, jogou com a exuberância e frescura do Sauvignon Blanc de 2012.


Em ambiente descontraído, interactivo, os comensais puderam desfrutar, sob a batuta de Nele Duportail, proprietária e chef de Be| Bel Bistro, três diferentes formas de trabalhar tais bivalves. E a experiência, perdoem-me todos os luso fodie's entendidos na matéria, foi deveras interessante, devido à multiculturalidade, onde in loco se constatou outras maneiras, bem diferentes de comer e confeccionar mexilhões. Diria, portanto, que foram horas ganhas.

terça-feira, setembro 10, 2013

Momento Ousado: Alvarinho by Anselmo Mendes

Não sei se houve ousadia, nem sei se foi resultado de um qualquer momento ousado. Alguma coisa, por certo, terá acontecido algures para que se escarrapache uma coisa deste género: Momento Ousado. O que eu sei, e por culpa própria, é que há muito tempo não tinha um momento com um single alvarinho by Anselmo Mendes. 




E desculpem-me aqueles que controlam os sentimentos, que dominam as emoções, que fazem tudo às horas certas, by the book, e que evitam, ao máximo dizer ou proferir afirmações gerais, mas eu tenho que largar esta patacoada: Gostei, pra caramba, deste vinho. Um vinho repleto de cheiros insinuantes, com uma delicadeza quase extrema, que nos envolve tal mulher numa noite de amor e ousadia, em que ela, a mulher, nos domina por completo.

sábado, setembro 07, 2013

Quinta da Espinhosa: A Visita

Era há muito, mesmo há muito tempo, objectivo para cumprir, meada para desenrolar. Era inadmissível que, ali ao pé de mim, não tivesse, ainda, metido os pés como deve ser dentro do chão que é pertença da Quinta da Espinhosa.







A Quinta é, naquele território, nome com décadas, com muita história na região. Com tradições fortes, com raízes fundas.





E o que devo dizer mais? Sou franco, não sei. As informações foram imensas, foram entrando em catadupa, numa torrente imparável. Recordo-vos que, também aqui, andou a mão de Magalhães Coelho. Também aqui, este saudoso homem deixou marca, deixou memória. 
Por entre muros, ficou-se, eu fiquei, embasbacado com a diversidade de rótulos, de vinhos, de colheitas, de tipos e feitios. Alguns deles, meros ilustres desconhecidos. Em poucos metros quadrados, é possível observar toda uma vida, todo um percurso. É, não se esqueçam, casa de pessoas, casa de uma família.









Fica, no entanto, a convicção que este produtor tem estatura e estatuto para se mostrar ao mundo, sem qualquer vergonha, receio ou medo. Os vinhos deviam estar logo ali à nossa mão. Teríamos, deste modo, a hipótese de abrir outros horizontes, sentir outras formas de fazer e ver o vinho. E nós, porque merecemos, ficaríamos bem mais ricos. Não acham? Eu acho.