quarta-feira, Julho 31, 2013

Monte da Ravasqueira

Um UpGrade. Agora o naipe Monte da Ravasqueira possui no seu team dois Reservas. Um tinto (2011) e um branco (2012). Vinhos que parecem querer continuar atingir, de forma clara e inequívoca, um largo espectro de consumidores. Já o faziam na categoria colheita. Tentam, desta forma, cimentar e alargar a sua posição com o incremento destes dois novos Reservas.





Ambos cumprem (bem) os seus desideratos. Um branco que, apesar de parecer ter maior apetência para a meia estação, conseguiu comportar-se de forma bem interessante, neste período de canícula mais acentuada. De qualquer forma, escolheria consumir este vinho em cenário mais outonal. É posição meramente pessoal, sem qualquer fundamento sustentado. O tinto apresenta-se, naquela lógica moderna, capaz de satisfazer muita e boa gente. Refrescado, e em ambiente de lanche ou pura conversa, será por certo um porreiro desbloqueador de conversas. E posto isto, quem precisa de mais?

Post Scriptum: Os Vinhos foram oferecidos pelo Produtor.

domingo, Julho 28, 2013

Quinta da Nespereira Vineaticu

Em plena Silly Season, pouco há para dizer e pouca vontade existe para detalhar qualquer opinião. Tenta-se, esforça-se, mas a porra da cabeça não dá para mais. Agudiza-se o estado de letargia mental que (me) assola sistematicamente, dia após dia, semana após semana, mês após mês.


Por estas alturas, ainda calcorreio terras abaixo do Tejo e por isso vou riscando na parede da cela, os dias que faltam para dar o salto para mais além.   



E por que tarda a chegar o dia, socorro-me de vinho da terra. Socorro-me dele, para injectar forças e ânimo para sobreviver aos derradeiros dias.


Vinho que gosto, que aprecio, pelos motivos mais inexplicáveis, pelos motivos mais emotivos. E pouco importa, se daí vosso lado, fiquem embuchinados, saturados da constante ladainha que imprimo aqui. Quis beber mais uma vez, amizades, emoções e recordações. É que assim, acreditem, vai ser bem mais fácil, ou menos penoso, sobreviver aos últimos dias cá em baixo.

sábado, Julho 20, 2013

Vinha Mãe

Primeira nota que me apraz fazer: as fotos estão miseráveis. Nunca foram boas, é um facto, mas estas saíram particularmente más. Mas para o assunto em causa, não tinha melhores, não tinha outras que servissem o propósito.


E hoje, como quase sempre, não vou falar do vinho. Irei falar da Mãe. Simplesmente da Mãe, da raiz que sustenta todo o homem. Sem a Mãe, sem o amparo da Mãe, o homem fica, tal cria perdida no meio da selva, à mercê de tudo e de todos. 


Sem a Mãe, os chacais aproximam-se de forma temerária, sem qualquer receio, medo ou pavor. Rodeiam o homem, massacram-no, ferem-no.


Basicamente, sem a Mãe, qualquer homem fica fraco, débil e sem Norte. Costuma-se dizer que fica ao deus dará.

quarta-feira, Julho 17, 2013

Quinta da Caldeirinha

Para vos entreter mais um pouco e usando um discurso ligeiro, leve, despretensioso e livre de qualquer manifesto organoléptico, hoje apetece-me dizer-vos que nutro algum carinho pelo outro lado da Beira. Aquela que chamam de Interior e que tempos esteve dividida entre Alta e Baixa. Nutro carinho, não por ser um conhecedor profundo dos seus vinhos, que não sou, mas porque existem pedaços desta terra aquém Serra que aparentemente possuem características muito semelhantes ao Dão e ao Douro. Palavras de quem sabe pouco e que atira muito para o ar.




E este Cabernet Sauvignon, nascido para os lados de Figueira de Castelo Rodrigo, e bebido algures no tempo, foi surpreendente surpresa (perdoem-me o pleonasmo). Vinho que possuía um conjunto de atributos identitários que geralmente reportam-nos para o que chamamos de vinho diferente. Ou porque, basicamente, naquele tal dia, marcou a diferença, captou as atenções e merecidamente foi aplaudido. É, ainda por cima, filho de um Deus menor

sábado, Julho 13, 2013

Independent Winegrowers Association 2013

É pura romaria. É, já ,obrigatório rumar até ao Ritz, no prelúdio do mês de Julho, para assistir de bancada ao espectáculo que cinco produtores têm para dar(nos). Os lugares, como deverão compreender, são bastante desejados e regateados. O problema surge, para quem escreve ou finge que escreve, ao fim de cinco anos de participações. As palavras falham-nos e os adjectivos soam bajulação sem alma e sem sentido.


Ainda assim, e correndo o risco de repetição de outras épocas, apraz dizer que o nível dos vinhos apresentado foi, como expectável, elevado. Em meia dúzia de metros quadrados, faz-se uma viagem por quatro regiões demarcadas: Vinhos Verdes, DouroBairrada e Dão. Os estilos, as visões de quem faz, estão marcadas e são facilmente perceptíveis.













Aumentando a parada, atreveria-me a dizer que não há aqui, ou lá, equívocos. Sabem ao que tem de saber: Vinhos Verdes de cariz marcadamente mineral, vincadamente vegetais e amplamente frescos, vinhos do Douro intensos, que não desprezam a elegância, vinhos da Bairrada, de perfil fresco e atlântico e vinhos do Dão a revelarem elegância, frescura e pendor assumidamente gastronómico. Poder-se-á dizer: à escolha do freguês.




E como no ano passado, os tais cinco homens, proporcionaram outra Master Class. O enfoque da aula, desta vez, caiu sobre o tórrido ano de 2003. Foram cinco vinhos: três brancos e dois tintos: Sanjoanne Escolha, Ameal Loureiro, Vinha Formal, Roques Garrafeira e Gaivosa. Mostraram, preto no branco, como se conseguiu dar a volta ao texto, isto é ao calor. Até parece difícil. Ou, se calhar, até parece fácil.



E posto isto, encerro a edição de hoje, porque para o ano há mais. Em dois mil e catorze serão comemorados dez anos de existência deste grémio e creio que a coisa será de arromba.

terça-feira, Julho 09, 2013

Mayor

Em período que pouco ou nada acontece, em que tudo parece encaminhar-se definitivamente para um desfecho pouco agradável, nada melhor que encharcarmos-nos com vinho bom, antes que o Apocalipse chegue e nos leve de uma vez por todas.  Façamos, por isso, uma despedida de arromba. 





É preciso ter peito bem grande para ter a coragem para nomear de Maior qualquer coisa. Não é para todos. É ter a certeza que é efectivamente o Maior e que não há qualquer margem para dúvida. É o Maior, por que merece, por que é e pronto.  Na verdade, e sejamos francos, quando assim é, para quê complicar? O Mayor não merece, não precisa e até dispensa, porque tudo o que sair das nossas bocas soará, na certa, a impropérios.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, Julho 05, 2013

Quinta do Gradil

Tenho a convicção, fundamentada apenas em supostos meramente pessoais, que a zona Oeste, a Estremadura ou Lisboa, como queiram, como desejem, pode ser um território de excelência para vinhos brancos. O seu clima (tendencialmente) atlântico, marítimo, ventoso, fresco e húmido torna, para mim, este dito espaço mais que adequado para arquitectura de vinhos de tez mais clara e mais perfumada. Há um conjunto de potencialidades que merece e deve ser explorado. Resta-me, por isso, apelar: do que estão à espera? Há interesse e creio que haverá aderência e sucesso. Metam as mãos à obra, que coisa começará a rolar.







Posto isto, e para não ficar desenquadrado com o que postulei anteriormente, atrevo-me a dizer que a Quinta do Gradil tem ou pelo menos revelou (muito) potencial. Os vinhos brancos surgem frescos, surgem perfumados, com personalidade e com sentido para existirem. Falta-lhes, quiçá, um niquinho de mais intensidade, de mais presença. É só um niquinho.

Post Scritpum: Os Vinhos foram oferecidos pelo Produtor.