domingo, junho 30, 2013

Adega Mãe

Ultrapassada a semana de silêncio, em que os não leitores andaram deliciados, virada a semana, urge botar novamente qualquer prosa, frase, palavra aqui neste lugar onde se faz lobby, onde se insiste que o vinho, tal bebida que adoramos, é um saco onde cabem os afectos, as emoções, as relações entre homens e mulheres.  Os dias maus e os dias bons, o gostar e o não gostar. Quem insistir que não é assim, andará desfocado e caminhará sempre amuado, desgostoso, a olhar por cima do ombro. Andará, por certo, sempre sem sorrir.



Após isto tudo e mais alguma coisa que poderá ser dita, não me vou coibir de elogiar este projecto: AdegaMãe. E quando assim é, gosto de agradecer publicamente. Obrigado!


















Espaço moderno, mas com sentido, definido, capaz de tocar na alma do modernista e do mais conservador. Pormenores de gosto, de quem soube o que fez e o que faz. Senti ou pressenti, como queiram, que os objectivos estavam traçados e que faziam sentido. Aposta (bem) clara nos vinhos brancos. Era visível, não havia qualquer equivoco. Um leque de vinhos que sugerem ter capacidade de surpreender, por causa do preço, pela eventual diferença, pela variedade. Vinhos elegantes, frescos e airosos que fazem pedir mais por mais um trago, por mais uma rodada. É bem! São vinhos que, perdoem os anti lobistas, devem ser conhecidos, bebidos e divulgados.  

sexta-feira, junho 21, 2013

Quinta do Perdigão: Encruzado

Bem dito dia: Sexta-feira. Repetem-se os procedimentos: Sapatos e roupa para o lado. Veste-se qualquer trapo, pois quer-se estar solto, livre e sem pressas. Temos ainda tempo.




É o dia do desregro  e como tal escrevo-vos de copo na mão, completamente desligado de tudo que me cerceia. É como se estivesse numa cúpula opaca, afastado da realidade. E hoje, não nos esqueçamos, é dia de solstício de Verão. E continuando a vida, como arauto de qualquer coisa, inclinei-me para mais um encruzado, para mais um vinho branco.




Vinho com aspecto sério, nada frívolo. Um vinho branco que impõe algum respeito, que coloca-nos em sentido. Aromas e sabores secos, despido de toda e qualquer tonteira exibicionista. Um vinho que irá acompanhar-me nas próximas horas, nos próximos momentos até que a garrafa, de rótulo bonito, fique completamente vazia. Parece-vos mal? Parece-vos exagerado? A mim, parece-me bem, muito bem. É sinal que foi vinho que deu muito gozo. O resto, perdoem-me, não interessa, pois é conversa para encher o saco.

quinta-feira, junho 20, 2013

Damasceno: O Branco

Parece que é mesmo novidade, que é algo que saiu há pouco tempo, como tal não estarei desfasado da realidade e andarei, assim, par a par com os outros que andam sempre em cima do acontecimento. Sinto-me, portanto, inchado e de peito feito.



Mas falemos, se possível, do vinho que titula a homilia, a dissertação, o sermão de hoje. Vamos, então, ao desiderato.



Vinho branco que completa a gama Damasceno. Já tínhamos o rosé, o tinto colheita, o tinto reserva. É vinho, assim sugere ou assim pareceu, ter mais apetência para o tempo ameno, que ande ali entre o calor da tarde e o fresco do entardecer ou da noite. 



Um vinho que tem corpo, que tem untuosidade e intensidade, que solicita por um peixe corpulento e com gordura. Um vinho que não parece ser destinado a meninos ou meninas ou flores de estufa que se armam, agora, em arautos de uma qualquer delicadeza que não fazem ideia do que seja. Defendem, como patetas, a ideia. E, resumindo, gostei do vinho. Hoje gostei de o beber. 

quarta-feira, junho 19, 2013

Casa da Passarella: Somontes Reserva

A chancela Somontes marca fatalmente uma época, uma certa forma de estar. Representa, para mim, um passado que não quero esquecer, que pretendo preservar. Somontes é história e, como tal, deve ser recordada. 


Estes vinhos tentam, ainda, apresentar-nos um certo Dão mais terroso, mais vegetal, pouco dado a concessões modernas, capazes de reavivar lembranças do como era antigamente. Vinhos com acidez altiva e secos no paladar. Não são, e não pretendem ser, vinhos para todos. Ainda bem que assim são.


Vinhos com forte carácter regional, que não se envergonham de ser quem são. São, portanto, vinhos que querem estar no seu ambiente, que precisam de estar ao pé daquela comida, de estirpe mais robusta. 


São aqueles vinhos que precisamos. São vinhos que necessitamos. São vinhos, este e outros, de e com contrastes, que provocam reacções. Valha-nos isso.

segunda-feira, junho 17, 2013

Quinta dos Garnachos: Touriga Nacional

Não ligando aos que se escondem por detrás de uma pretensa capa que esconde sentimentos e emoções. E desprezando todos aqueles que se julgam intocáveis, menorizando as gentes que se apresentam incólumes às influências, defendo mais uma vez, e sem qualquer pejo, vergonha ou pudor, a tese: que gosto de A, por causa de uma razão meramente pessoal, emotiva. Tristes daqueles que caminham sobre uma periclitante rectidão que não têm. Julgam ter, mas não têm. Tornam-se ridículos.



Dirão os conhecedores que já conheciam, que sabiam que existia, que isto e que aquilo. Pois que seja. Apenas sabia que era (mais um) produtor do Dão, mais precisamente daquele Dão Serrano, daquela língua de terra que serpenteia por entre o Alto Mondego e a Cordilheira. Aquele pedaço de Terra (não, não é engano) que esconde inúmeros recantos, que carrega histórias e estórias, que está coberta por um misticismo quase ímpar na região.


Um vinho de um produtor que não sei quem é e de que apenas conheço uma pequena placa indicativa espetada algures numa casa igual a tantas outras.



E o vinho? Um Touriga Nacional franco que nos empurra para a terra ou para a Terra. Como queiram. Um vinho tinto (de 2008) descomplexado, desembaraçado, fresco, de estirpe vegetal. Um vinho que vai surpreendendo a cada gole que se dava, que desarmou a (minha) oposição, a (minha) desconfiança, sem violência, sem agredir. Um vinho e um (pequeno) produtor que, caramba, deve ser e tem que ser conhecido. Estes vinhos fazem falta, estes pequenos projectos são necessários. Serão, quem sabe, as derradeiras réstias de uma diversidade que teimosamente vai ainda subsistindo. É também, felizmente, mais um vinho da minha Terra. 

quarta-feira, junho 12, 2013

Quinta do Gradil: Espumante Bruto

Nota de apresentação: Quase que não conheço o projecto em causa: Quinta do Gradil. E puxando pela memória, desfolhando folhas carregadas com apontamentos, não recordo qualquer menção (minha) ao produtor e aos seus vinhos. Concluo, por isso, que é um ilustre desconhecido para mim.



É falar, portanto, sem qualquer influência, sem qualquer pressuposto, sem qualquer balizamento. É partir do zero, partir da meta e ir correndo, neste caso bebendo até não restar qualquer pinga de vinho na garrafa e no copo. Livre de qualquer preconceito. Assim, qualquer vinho saberá incomensuravelmente melhor.



Espumante para começar. Parece-me bem, muito bem. Um bruto, assim parece, com apetência para acompanhar comida, com aquelas impressões a panificação. Bem balanceado. Um vinho adequado a uma sexta-feira, a um sábado, para um churrasco, para uma petisqueira. Para quase tudo o que se queira ou se deseja. Bebe-se e bebe-se bem. E já que a moda dos espumantes parece instalada, sparkling para alguns, este parece-me ser mais uma opção (bem) válida.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

sábado, junho 08, 2013

Tons de Duorum: Branco

Fim da semana ou quase. E, desta vez, não apetece ser rezingão, mal disposto, intratável e reptiliano, seco e mórbido em palavras. Porque segundo consta e me anda a parecer, já há muita gente que faz proa em passar o tempo a resmungar contra tudo e com todos, amuando por qualquer coisa, tal menino embuchinado que se coloca no canto da sala, de braços cruzados e a bater com o pé, apenas porque o contrariaram.




Mas, hoje, apetece-me rir, sorrir, descomplicar, gozar e tentar olhar para o horizonte de forma mais esperançosa e, é claro, divertida. Pois tristezas não pagam dívidas.
E nada melhor que beber este vinho para ajudar o desiderato. Podia ser com outro, mas será com este e mais nenhum. Foi pura selecção. Pura opção pessoal. Como tal, não há discussão.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

quinta-feira, junho 06, 2013

Herdade do Cebolal: Alentejo Litoral

Com atraso. Peço desculpa! Não é hábito, mas aconteceu. Posto isto, devo dizer que não conhecia o projecto, que não conhecia os vinhos. Estava, deste modo, completamente desprendido de influências, de pressupostos. Foi ouvir, sentir e perceber.






Gostei francamente do que senti, do que ouvi, da paixão e da emoção que as palavras foram paulatinamente saindo e circulando pela sala. Apreciei a genuinidade, o empenho em querer tentar fazer, eventualmente, diferente. Entre brancos e tintos, sentiu-se ou pressentiu-se que há uma lógica: desenvolver e apostar num Alentejo desigual, mais fresco, mais costeiro, mais marítimo. Já agora, não deixa de ser curioso observar a corrente migratória que está acontecer para esta zona do território, em busca da brisa do oceano, com o intuito de refrescar e aliviar o calor das terras de dentro.






E apesar de saber que, ainda, há gente que insiste em ser, ou fingir ser, imune à preferência, ao que gostamos mais e ao que gostamos menos, remato a coisa de forma muito simples: Façam o favor de consumir estes vinhos brancos. Vinhos brancos de enorme categoria.