sexta-feira, Maio 31, 2013

Casa da Passarella: Somontes Branco

Bebermos um vinho aparentemente descomprometido, naqueles dias pesados e pesarosos, alivia a carga da labuta diária. Muitas vezes, somos confrontados, sem esperar e sem saber, por um conjunto de sensações, de estímulos, de sabores e de cheiros que não se esperava.



São estes vinhos que fazem acalmar, que amaciam os músculos, que sugerem que a vida poderá ser um pouco menos dura, um niquinho mais alegre. Vinhos despedidos de pretensões, de pantominices. São francos, são sinceros, são honestos. São o que são.



São geralmente vinhos frescos, cristalinos, amenos e perfumados. Vinhos que acompanham os momentos finais do dia, o entardecer, o anoitecer, que desenrolam o fio da meada e desenrodilham alguns dos nós que teimam perdurar. Vinhos que fazem falta.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

quinta-feira, Maio 30, 2013

O Melhor

Sem qualquer problema em afirmar publicamente: o LBV da Warre's é o melhor LBV de Portugal. E quero lá saber se exagerei, se excedi-me. Pouco importa se, porventura, o único visitante que tenho (todos os dias) ficará amuado.  




São repetidas as vezes que este Vinho do Porto, seja qual for o ano, cai no meu copo e faz arregalar os meus olhos, enche a minha alma de alegria, de enorme satisfação. O vinho é bom, é muito bom.



Poderei engolir, no futuro, as palavras que hoje irresponsavelmente partilhei, mas até que isso aconteça, volto a repetir: Este LBV é o Melhor. E perante a pergunta: The World's Best LBV? Eu respondo: Yes!

segunda-feira, Maio 27, 2013

Casa da Passarella: O Brazileiro

Quem diz que a aparência não conta, anda terrívelmente enganado. Quem diz que a história não conta, não tem passado, não tem presente e dificilmente terá algum futuro. Divirto-me com aqueles que colocam de lado todo o enfoque emocional, todos aqueles pormenores que, segundo algumas correntes, devem ser relevados para segundo plano. 



Defendo, como é sabido, literalmente outra perspectiva: somos carne, somos sentimentos. Devemos amar, devemos odiar, devemos dizer que sim e que não. E devemos dizê-lo sem qualquer preconceito, sem qualquer constrangimento. Ganharemos credibilidade. 



A tomada de posição ou de posições, por muito que custe, encerra um cardápio de riscos que a maioria não quer assumir. Como tal, anda tudo ao molho, dando um encosto aqui, outro acolá. E aqui entre nós, admiro quem coloca preto no branco o que pensa e como pensa. Tem peito, tem estatura, tem verticalidade.


E chegados ao final, cumpre-me o dever público de afirmar que este rosado é um vinho tenso e intenso. Amplamente fresco e cristalino. Entra e penetra por entre a boca de forma vincada, refrescando o corpo e, se necessário, limpando a alma. E por que a nova semana já começou, vou regressar ao vinho, companhia do momento, e aos meus fatídicos pensamentos.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, Maio 24, 2013

7 Capelas

Irei escrever à toa, sem qualquer objectivo preciso. Irei colocar palavras aqui e acolá para ir enchendo o caderno de pauta, tal moçoilo na escola primária. Vou enchendo as linhas, com palavras e mais palavras até encontrar assunto que valha a pena aprofundar. E enquanto não surge nada de fulcral interesse, bota-se mais uma palavra. É a chatice de ser sócio único e administrador executivo de um presumível blog de vinhos. Tais funções vedam, muitas vezes a capacidade de mudar assunto. Tornando-se, em alguns momentos, castrador e bloqueador da produção criativa.




Mas o que tem que ser, tem que ser. Que se diga, então, qualquer coisa, sobre o vinho: é vinho branco, da Beira Interior (Pinhel), com vincada personalidade, com corpo largo, com estrutura ampla, que surpreendeu, que fez franzir o sobrolho em jeito de aprovação.

terça-feira, Maio 21, 2013

Casa de Saima: White Vintage

Enquanto há vinhos que ostentam epítetos sem o merecerem, existem outros, em contrapartida, que não os apresentam, mas que mereciam.



Apesar da repetição do discurso, este vinho merecia, e merece, pertencer à categoria dos reservas, dos especiais, dos diferentes.



Fica-se surpreendido, eu fico, quando se abre uma garrafa de vinho que custa menos de três euros e meio, e é-se confrontado com um conjunto de sensações que nos transportam para patamares mais elevados.



Um vinho com nervo, com acentuado carácter, que cheira a Bairrada, que aponta para outros caminhos. Um vinho que evolui no copo e que evoluirá na garrafa. Um vinho que é reserva, vintage, o que queiram. E posto isto, vou regressar a ele, pois está aqui mesmo à minha frente.

segunda-feira, Maio 20, 2013

Paços dos Cunhas de Santar: Vinha do Contador

Não sei se é hábito acontecer-vos, mas curto imenso quando acerto na mouche ou quando ando lá (muito) perto. Dá-me um gozo terrível apontar o dedo, carregado de convicção, a um vinho, gostar dele, e dizer no fim: É Beltrano ou Sicrano, Vem daqui ou de acolá. Fico inchado de vaidade e cagança.



Desta vez, e por causa deste vinho que figura o post do dia, não tive qualquer pejo em afirmar preto no branco: É do Dão e tem (quase) de certeza encruzado. Tiro limpo, certeiro e sem mácula.



Parecia um daqueles putos, que fui, quando acaba de marcar um golo na baliza da turma adversária ou da rua do lado. Com tanta derrota, com tantos falhanços, com tantos erros, um momento destes soa literalmente a campeonato ganho. 


sábado, Maio 18, 2013

Casa de Santar

Cheguei ao fim da semana. Resta-me, agora, largar as coisas pelos cantos, deixar aqui e acolá todos os resquícios da semana de trabalho. Quero desligar de tudo. Limpar a memória, apagar desilusões e mágoas.



Abri uma garrafa, olhei para o vazio e fui bebendo. Julguei que estava em outros lugares. Suspirei, relaxei, esvaziei. E, entretanto, o vinho foi correndo para o copo. Fresco, suave e descomprometido. 



Mas as saudades não desapareceram. Faltavam-me, e ainda faltam, os sons e odores da (minha) terra. Talvez para a próxima. Bom fim de semana.

sexta-feira, Maio 17, 2013

Vinha Othon

Fetiche? Quem não tem? Eu tenho. Sou um tipo cheio de fetiches. Fetiche por isto, fetiche por aquilo. Gosto de ter fetiches!




Fetiche por uma cor, fetiche por uma comida, fetiche por coisas indescritíveis. Fetiches sem qualquer razão. São, portanto, muitos fetiches. 




Os fetiches fazem-me bem. São fetiches, simples fetiches. Gosto de gostar de coisas, sem saber justificá-las.



E já sei, querem saber qualquer coisa sobre o vinho? Um fetiche. Mas o que dizer? Que gosto dele? Que gosto muito dele, que adoro o vinho? Chega ou precisam de mais? Como não sei o que mais palrar, resta-me regressar ao vinho e continuar a alimentar este fetiche.

quinta-feira, Maio 16, 2013

Pedra Cancela: Signatura

Quando se assume um olhar, uma posição, uma perspectiva, não há que ter medo de a mostrar e defender publicamente. Não há que ter qualquer receio, pudor ou comprometimento. Sabe-se, de antemão, que o vinho foi feito por aquela determinada pessoa. Existe responsabilização, coisa que é rara nos tempos de hoje.




Com o escarrapachar de uma assinatura, a coisa fica bem mais clara, bem mais objectiva e bem mais focada. Quer dizer, também, que podemos estar perante aquele vinho. E com isto tudo, recordei outro vinho que, também, nos surge assinado preto no branco. Ambos semelhantes nas convicções. Acho muito bem. 

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

segunda-feira, Maio 13, 2013

Wine & Soul: Guru

É público que não sou adepto da dita prova mestra, que desfaz toda a dúvida, que dá justiça aos injustiçados, que faz ver ao consumidor onde está a verdade. É tal e qual como aquele detergente que limpa e não deixa mácula. A prova cega é o momento de excelência para dissipar qualquer dúvida.


Eu, pelo contrário, não creio nem em metade do que se papagueia em prol da dita. Estarei, por isso, do outro lado da barreira, do lados dos detractores.




No entanto, lá me submeto, esporadicamente, ao exame. Os resultados, aqui e acolá, nunca foram, nunca o são conclusivos, para mim. Há sempre uma desculpa. Tudo se resume a uma questão de perspectiva.


Desta vez, tal como em outras vezes, saiu-me um vinho que gostei francamente, que fez as delicias de presentes e ausentes, que granjeou os maiores elogios e que, naquela específica noite, foi quase rei e senhor. O cómico da coisa, quando revelada a estampa, foi notar que o vinho encaixa(va) no saco dos ódios de estimação que gostamos de alimentar. E agora, esta prova cega valeu?

sábado, Maio 11, 2013

Incertezas

Enquanto deambulo por entre coisas que não faço qualquer ideia e ao ler e reler essas mesmas coisas (desculpem a repetição da palavra), descubro que andei a brincar, a fingir que percebo da arte (dos vinhos). Fico, deveras, admirado quando alguém diz, afirmativamente e sem qualquer dúvida, que é beltrano ou sicrano. Caramba, como conseguem? 


A porra da idade em vez de ajudar, anda a desajudar. Nunca pensei chegar a este estado. Ando confuso, caminho sem norte, com a bússola a rodar loucamente. Salvé, por isso, aos que continuam cheios de certezas e sabem daquilo que falam.

quinta-feira, Maio 09, 2013

Viña Ardanza

Como sempre, dei voltas e mais voltas saber o que dizer e como sempre, não sei o que dizer. Por isso, fico-me, apenas e apenas pela divulgação de três fotos de um vinho que naturalmente não conhecia, mas que pedi para beber.  




E devido a tamanho desconhecimento, e para evitar teses tontas, invoco o direito de dizer quase nada. Simplesmente agradecer publicamente a quem acedeu ao meu pedido, dizendo que gostei francamente. Com isto ou com este post, ficarei, um niquinho mais internacional e menos provinciano.