sábado, março 30, 2013

Casa da Passarella Vinhas Velhas 2009: O Enólogo

A nova colheita Vinhas Velhas da Casa da Passarella apresentou-se finalmente ao público. Está, agora, ao alcance do consumidor e dá continuidade à saga iniciada em 2008.



Complexidade, elegância, frescura intensa (que o torna muito gastronómico), capacidade de evolução e preço extremamente competitivo (a rondar dez euros) são, como em 2008, os atributos deste novo Vinhas Velhas. Um vinho que vai cimentando o culto em redor dele, tornando-se num objecto de  desejo
Em 2009, o Vinhas Velhas teve direito a novo rótulo, que gosto, e ao epíteto de O Enólogo, que é uma alusão ao tal francês judeu que se refugiou dentro das paredes da Casa, por alturas da segunda guerra mundial. Enquanto por lá andou, entreteu-se a brincar com vinhas e com vinhos. Agora, no tempo presente, desfrutamos o seu legado.



Sobre o vinho, em causa, e sem qualquer contenção no uso de palavras e sem esconder a ligação passional e emocional ao projecto, direi que é vinho para comprar, beber e para guardar sem moderação. Que se faça tudo isto, em completo exagero.

quarta-feira, março 27, 2013

Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 1994

No dia em que se calcarreou o chão da Quinta dos Carvalhais, e por entre tanta coisa que se viu, falou, se sentiu, se comeu e bebeu, há pequenos apontamentos que marcaram e que merecem, só si, serem referenciados, ficando para a posterioridade.





Fala-se, sem saber, do bouquet, do veludo do Dão. E muitas vezes, ninguém sabe ao certo o que é, ninguém o sentiu. Fala-se com desconhecimento de causa.
Pois bem, e assim do nada, sem se esperar, é-se confrontado com um vinho que carrega sobre si mesmo, todas e mais algumas definições que um vinho do Dão pode, deve ou deveria ter: elegância, frescura e sabor aveludado.

segunda-feira, março 25, 2013

Quinta da Nespereira Vineaticu

Tenho imensa pena que este vinho da Quinta da Nespereira seja, quase, uma representação holográfica. A sua impossibilidade torna-o quase inexistente. Tenho pena, porque o vinho merece ser bebido por todos os apreciadores de vinho (do Dão). É um vinho muito franco, muito apetecível e bom par para comida. Um vinho do Dão que não envergonha, que não fica mal ao pé de outros (mais conhecidos). Um vinho, portanto, que precisamos.





É vinho que custa menos de 10€, o que nos tempos que correm, torna-se, se existisse, em mais um alvo preferencial. Continuo com  muita dificuldade em compreender, em aceitar que se afastem estes vinhos do consumidor. Não tem qualquer sentido, por que o vinho merece e muito. Não entendo...

sábado, março 23, 2013

Graham's 20 anos

Perdoem-me, mas com a falta de tempo que tenho, estou em arrumação, resta-me apenas dizer que é imensamente bonito ver uma garrafa vazia. Quer dizer somente que todos gostaram e que não sobrou qualquer pinga. Simplesmente escorropichado.



Posto isto, perdoem-me mais uma vez, vale a pena botar discurso, alavancado nas mesmas premissas? Hum... julgo que não. Assim, fico-me por estas duas fotos. Deste modo, e sempre que passarem por aqui, saberão que este vinho soube que nem ginjas e que nada sobrou para o dia seguinte. A máxima foi, portanto cumprida: Quando se gosta de um vinho, é por que ele é (muito) bom. E tenho dito.

quarta-feira, março 20, 2013

Quinta da Covada

Não quero armar discurso meloso, falsamente emotivo, com balelas fáceis e lugares comuns. É o que é: em dia que se festeja o dia do pai, em dia que lembramos os pais, foi dia de beber um vinho do Douro.



Sou também filho do Douro. Sou filho do Alto Douro que agora, segundo consta, chama-se Douro Superior. Sou o que sou, por ser também do Douro, de Trás-os-Montes. E recordo inúmeras peripécias junto ao Penedo Durão, à Conjida. Peripécias infelizes, que tentamos esquecer. Momentos que magoaram, que flagelaram corpo e alma. Momentos que já lá vão. Mas como é dia do pai, pareceu-me que o pai merecia beber um vinho do Douro.   



Um vinho do Douro limpo, cristalino, escorreito, cheio de fruta fresca e de empatia quase imediata. Viciante. É, ainda, vinho perfumado, simbiótico, sem exageros e (muito) cordato. Bebe-se e bebe-se e volta-se a beber. Vinho que sabe bem, muito bem. Vinho de companhia, vinho de apaziguamento. Vinho, sei lá, diferente.



Vinho que acompanha pensamentos, que nos dá a mão a momentos menos conseguidos, que ajuda aliviar a alma, a arredar julgamentos menos dignos. Um vinho para o pai, que é do Douro. É vinho, porque merece, para ser novamente revisitado. João, onde?

Post Scriptum: O vinho foi oferecido pelo Produtor.

segunda-feira, março 18, 2013

Quinta da Fonte do Ouro: Encruzado

Um retorno aos vinhos da Quinta da Fonte do Ouro. Depois de um longo e inexplicável distanciamento,  aqui aludido, regressa-se mais uma vez a estes vinhos do Dão, que brotam paredes meias com a Barragem da Aguieira.




Comparando com o Encruzado da colheita de 2010, que na altura pareceu ter estilo e interesse, o Encruzado de 2011, surge, assim julgo, mais sério, mais tenso, mais austero, mais masculino. Tenho a ideia, a minha, que surge mais Dão, menos simbiótico, mais comprometido com os ditames da região. A titulo pessoal, gostei da presumível derivação, da eventualmente mudança. Só ganhou carácter!



Posto isto, resta-me dizer que estou, que fiquei, contente com o vinho. É, acima, de tudo um Encruzado do Dão. É preciso mais? Não.

sábado, março 16, 2013

Lagar de Darei: Branco dez anos depois

Não sei porquê, mas algo empurrou-me para um post, sem ter nada delineado em mente e sem saber por onde começar, por onde continuar ou por onde terminar. Sabia, apenas, que este vinho merecia ser (re)apresentado ao mundo. Um vinho branco, mais uma vez, com dez anos. E já agora, para vos enquadrar, há um homem, chamado de Pedro Brandão, que tem o hábito estranho, mas saudável, de todos os anos, oferecer-nos vinhos brancos com dez anos. E, curiosamente, com certa inclinação para vinhos do Dão. E, aqui publicamente, dir-vos-ei que a enofilia ganharia muito com o regresso, às lides, deste homem. A sua simplicidade na análise, o seu descomprometido com tudo e com todos é por demais evidente. Fazes falta!



E o vinho? Um vinho que se portou docemente na boca, que untava os lábios, que suavizava a garganta. Um vinho branco que botava cheiros bonitos por dentro da sala. Um vinho que valia por si mesmo. Um vinho para enamorar, sei lá mais o quê...



E meu caro Pedro, peço-te que continues a agraciar-nos com a tua forma de ver o mundo (do vinho). Espero que para o ano, voltemos aos brancos com dez anos. Serão, por certo, os brancos de 2004. Entretanto, sai do teu retiro, vá lá, não custa nada ;)
 

quinta-feira, março 14, 2013

#daowinelover: PinkParty@yorkhouse

É arriscado, quase a roçar a loucura, mas desta vez o grupo #daowinelover propõe que se festeje a Primavera, no meio de Lisboa, num recanto cheio de beleza: York House


É loucura, é arriscado, porque esse dia será festejado, vejam lá o nosso desplante, com vinhos rosés do Dão. O resto é muito simples e descomplicado. Que se festeje, pois então, o Dão mais uma vez.

quarta-feira, março 13, 2013

Quinta das Maias: O Barcelo dez anos depois

Se houve, em tempos, vinho com muito interesse o Quinta das Maias Barcelo foi um deles. Com interesse para quem é, pois claro, desvairado seguidor das coisas do Dão. Um vinho que infelizmente não foi mais reeditado. Terá tido duas, três, quatro edições? Quantas? Um vinho estreme de uma casta que rareia, quase desconhecida, quase extinta. Quase perdida.



E sem saber, foi-se confrontado com um vinho branco (do Dão) com dez anos em cima do pêlo, feito com a tal casta que (quase) ninguém conhece ou que pouco se sabe, cheio de força, de vitalidade, carregado de muitos aromas e sabores. E vedado, vejam lá, por uma rolha sem qualquer sinal de decadência, de envelhecimento. Perfeita, como nova.



Um vinho, aquele que estava na garrafa, que se mostrou adulto e maturo, afastado da morte. Eventualmente, resultado da feliz combinação dos factores: sorte e felicidade. Hum...será?

segunda-feira, março 11, 2013

Casa de Saima: O Espumante Branco

Uma tarde, uma simples tarde igual a tantas outras, uma tarde em que nada havia para fazer, em que se estava coberto por uma sensação de far niente, em que apetece, apenas, beber um copo, trincar qualquer coisa. Qualquer coisa que nos encaminhe para pensamentos bem mais esperançosos.


Nada melhor que pegar num espumante, sacar-lhe a rolha, ouvir aquele som poc característico. Vê-lo tombar para o copo, observar a espuma, viva e fervilhante. Tudo bons presságios. E fica-se bem disposto. 


Mira-se para a cor esverdeada, limpa, viçosa e primaveril. Com vida, muita vida. Penetra por entre a boca, cheio, folgado, com vigor, com frescura. De estilo seco, bem seco e sóbrio. Sem adornos, sem rococós. Muito bairradino, muito português, muito nosso. Simplesmente Bruto, como se pretende, como deve ser. 


Finda a garrafa, está-se naturalmente diferente, mais alegre, menos acabrunhado, mais solto, mais sorridente. E sem receio de nada. 

domingo, março 10, 2013

Quinta da Garrida: O Touriga Nacional de 2004

Não é novidade, não é estrangeiro, não tem nome sonante e já tem alguns anos. Várias razões, portanto, para se dizer (quase) nada. Cumprirei tal propósito. Mas, antes de passar para a exposição de fotos, e talvez por pura embirração minha, mas parece-me que os blogs de vinho, os tais winebloggers, estão a transformar-se em blogs de comida, avançando com receitas e propostas de aparelhamento. E para evitar qualquer confusão ou comparação, as (más) fotos que coloco, da minha autoria, servem apenas para decorar (mal) o cenário. Não têm qualquer outro objectivo, se não apenas a auto-satisfação.




E o vinho, o tal que deu o nome à estopada de hoje, era somente o (meu) último exemplar desta quinta. E cumpriu (muito bem) o seu papel. Mereceu ter ficado para o fim, concluindo uma história.




Um vinho que se portou de forma discreta, pautando-se pela graciosidade, pela forma airosa, limpa e descomprometida. Um vinho que deu prazer, que acompanhou, e bem, muitas palavras, muitas ideias e muitas confissões. Para quê maçar-vos mais?

sexta-feira, março 08, 2013

Álbum de Fotos: Dão Velho (Parte II)

E por que as palavras são efémeras, por vezes ocas e despidas de conteúdo, vale mais estar calado, isto é não escrever nada. Evitam-se, deste modo, algumas tonteiras. Posto isto, ofereço-vos, apenas, mais uma selecção de rótulos antigos do Dão. Rótulos que pertencem ao património da CVRDão.













Olhar para tais imagens, é simplesmente olhar para a história. Valem muito mais que qualquer prosa que se faça. Mas teimamos em inventar, em maçar sempre com as mesmas coisas. Eternos opinadores.