quinta-feira, Janeiro 31, 2013

Por onde andam os críticos?

Post rápido, veloz, curto e sintético. Assim espero, assim desejo. Vamos ver, então, como correrá a coisa.
Dei conta, não hoje, mas há algum tempo, que não faço qualquer ideia o que os nossos criticos (de vinho) andam a fazer, o que andam a provar e o que andam a dizer.
Num mundo que gira a uma velocidade estonteante, fica a ideia que foram comidos literalmente pelos acontecimentos, pela velocidade com que as notícias percorrem o mundo físico e virtual. Estarão perdidos?
 

Mas o que andam a fazer? Não os vejo a discutir com o povo, não os vejo em lado algum. Terão repulsa de nós? Ou estarão agarrados ao cadeirão, sentados com a manta sobre os joelhos? Em alguns casos, as páginas pessoais, parecem lugares caducos, parados, sem vitalidade ou sem interactividade.
Mas por onde andam os criticos? Quais são as novas tendências? O que eles advogam?
 
 
E antes de ir, pois tenho gente à espera e o dia começou mal, pergunto aos que fazem vinho: os críticos (ainda) ajudam vender vinho? Ou será o povo, com os poucos tostões que saltitam nos bolsos descosidos, que ainda vai divulgando vinhos ou produtores?
 

quarta-feira, Janeiro 30, 2013

CEVDão: Outros tempos, Outros Vinhos

Dada a ocasião, este será, porventura, o post mais ridiculo, mais redutor, mais simplista que alguma vez tracei por estas bandas. Tudo por causa de sete vinhos. Sete vinhos que reflectem certa maneira de estar que já lá vai. Vinhos de estudo, de interpretação de castas, de vinificações. Vinhos de experiências.

 

Sete vinhos: Quatro tintos, três brancos. Sete estados de alma, sete sensações. Sete suspiros.

 
Perante tais vinhos: cuidado, método e atenção. 

A cada cheiradela, a cada gole, a concentração, a reflexão, a introspecção percorriam a sala em perfeita sintonia. Um cochicho aqui, outro ali. Um Ah! Um Caramba! Um Sem Palavras!




Brancos carregados de vida, de frescura, de intensidade, de vigor. Especial  predilecção para a Colheita de 1974. Tintos complexos, didácticos. Tintos deambulantes, paradigmáticos. Marcantes as colheitas de 1971 e 1987. 

segunda-feira, Janeiro 28, 2013

Dão: Uma Garrafa, 27 Produtores, Um Vinho

Num garrafa, estão resguardados os lotes mais significativos de vinte e sete produtores presentes no Dão Primores. Tais lotes representam o patamar mais elevado de qualidade atingido por cada um dos tais vinte e sete produtores.




Desta união, resultou um blend em que convivem em harmonia a Touriga Nacional (54%), a Tinta Toriz (24%), o Alfrocheiro (13%) e o Jaen (9%). O responsável por meter tudo na mesma garrafa foi o Mestre Manuel Vieira. E assim, nasceu um tinto da colheita de 2010. É vinho, portanto, para idolatrar.

Post Scritpum: Profundo agradecimento à CVRDão, pela distinta oferta. 

sábado, Janeiro 26, 2013

Out: In #daowinelover meeting

Estarei no #daowinelover meeting na Casa da Passarella
 

 
Qualquer assunto, por muito importante que seja, terá que ficar pendente.
 

quinta-feira, Janeiro 24, 2013

Madeira: Vaidosismo

Depois de um auto da fé, desdigo e contradigo tudo o que disse, na altura, em praça pública e agora imbuído de  enorme vaidade, de peito bem cheio, nada melhor que deixar umas fotos de um vinho enorme. Só para fazer pirraça. Maldita língua solta que sofre do síndrome: falar com o coração na boca.


O rótulo rasgado, naturalmente, dá-lhe um ar de velho, quase relíquia, tornando o momento, sei lá, mais enigmático.


A cor era extraordinariamente brilhante e sedutora. Anestesiante e hiptonizante. Olhem bem. Fixem e retenham-se, por alguns momentos. Bonita, não é?



Do outro lado, da mesma garrafa, a casta e o ano surgem marcados simplesmente a tinta. O prosaísmo remete-nos para qualquer coisa do século XIX, tal é a nudez de menções, de alegorias. Caramba, parece vinho de pirata ou, por que ele merece, vinho de oficial de uma marinha de guerra qualquer.

terça-feira, Janeiro 22, 2013

Terras de Tavares

Não apetece dizer quase nada. Apetece comer e beber. É final do dia e não estou com vontade para tratados de aromas e cheiros, em que o desenlace é sempre o mesmo. Os vinhos merecem mais. Por isso, fico-me pelas imagens, pelas fotos, pelo trivial. Vivam, sintam e divirtam-se. O resto são deambulações sem sentido e pura perca de tempo. 




Copo vai, trago vem. Um gole aqui e mais outro a seguir. Cheira-se e saboreia-se. Avalia-se a escolha. Tudo está bem.


No início, só com pão, palavras soltas e memórias. Discutem-se temas de outrora, questões da terra, problemas de algibeira. 


Permitam-me ainda que diga, se puder, que foi vinho que acompanhou polvo, arroz e tempero. Copo após copo, foi diminuindo na garrafa, até não sobrar qualquer réstia. Quando tal acontece, cá no burgo, é bom sinal.


E assim terminou mais um dia e menos um dia na vida de cada um de nós. Contas simples, não é? Então,  por que se complica?

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

segunda-feira, Janeiro 21, 2013

Caves de São João: A Touriga Nacional e a Baga; O Dão e a Bairrada

Reza a história, e diz quem provou e quem não provou, que era prática usual combinar lotes do Dão com lotes da Bairrada, juntando a Touriga Nacional com a Baga. O resultado, também segundo as mesmas fontes, era o de vinhos complexos, extremamente elegantes e com uma longevidade (quase) ímpar em Portugal. Sintomático desta prática, são os enigmáticos vinhos Bussaco. Por esses tempos, os vinhos do Dão e da Bairrada eram os mais afamados.



E recentemente, surge no horizonte Filipa Pato com as suas interpretações das antigas garrafeiras arquitectadas com a Touriga Nacional do Dão e a Baga da Bairrada.
Naturalmente, as Caves de São João pertencem ao ancião grupo de engarrafadores que se entretinha a misturar o melhor de duas regiões: Dão e Bairrada. E de lá saíram, segundo os conhecedores da coisa, alguns dos melhores exemplares.


São vinhos que parelham brilhantemente com a comida de panela, que limpam o palato e que equilibram a balança entre sabores e cheiros, enquanto se está à mesa em ritual de alambazamento. Vinhos que quase não se sentem. Defeito? Claro que não. Virtude.



Este que foi ilustrando o sermão de hoje, por sinal chocho, tenta recuperar em pleno século XXI, tais hábitos do passado. Depois, perdoem-me aqueles mais empoeirados, é fácil de ser descoberto em locais populares ou popularuchos e consequentemente comprado. Por menos de sete euros, temos vinho de (muita) categoria. 


sábado, Janeiro 19, 2013

O Dão, o Campolargo e as Iscas

Estou, aqui, sem saber muito bem o que traulitar na tela. Tenho qualquer coisa para dizer, mas francamente não sei bem o quê. Qualquer coisa. Sinto-me como aquela senhora, vestida de amarelo vistoso, que delicadamente diz ao seu educadíssimo motorista que lhe apetecia algo, sem conseguir enumerar o quê. Qualquer coisa.


Como não surge nada com interesse, encolhem-se os ombros e abri, pois então, uma garrafa de vinho que o tempo mau assim pedia. Talvez, ainda, consiga irromper algum dito licencioso.


E por que o corpo não vive só de vinho, que perdoem os puristas da coisa, que se engulam umas iscas, bem puxadas, banhadas por um molho guloso, certamente proibido e amaldiçoado pelos arautos das dietas ditatoriais. A comida portuguesa, aquela típica, rústica e sem rococós técnicos e visuais não se compadece com tais correntes.


E por que as iscas, precisam de algo mais, só para aparelhar, juntemos um cremoso arroz de grelos feito pela avó de uma moçoila bem crescida e vivida.


Ó caramba e não escrevi nada sobre o vinho. Que sortilégio! Que se papagueiem, então, umas palavras: Típico vinho de refeição, portuguesa, pois então. Vinho tinto que parecia conhecer, há muito, os outros pares dançantes da mesa. Carregado de cor, mas fresco de sabor e cheiro.


E no dia que encerra a semana, assim se comeu, se bebeu e assim se ficou: felizmente empanturrado. Bom fim de semana.


quinta-feira, Janeiro 17, 2013

Álbum de Fotos: Dão Velho

Um álbum de fotos, sem palavras, sem ladainhas, sem eloquências. 










Ainda, assim, fico estupefacto como ninguém valorizou este património que rivaliza com os vinhos do Porto. Pontapés na história.  

terça-feira, Janeiro 15, 2013

Quinta da Bica: Day by Day

Comprar um dito normal colheita datado de dois mil e cinco, não é, perdoem-me, facto usual. Pelo contrário, procuramos, sempre que possível, a versão mais moderna, mais recente. Diz a tradição que vinhos colheita, de entrada, "normais" não estão delineados para durarem, aguentarem mais do que dois, três anos no máximo.


Este, contrariou todas as tendências, porque simplesmente estava vivo, arisco e  fresco.


É exemplo, cabal, de que pode-se beber um vinho para o day by day, por menos de quatro euros, desviante do que se espera neste patamar de preços. É vinho para comida de sustento, de Inverno e de aconchego. Vinho para o porco grelhado ou assado, bacalhau cozido ou assado, borrego guisado ou assado, para os enchidos, para as batatas e para as couves.

segunda-feira, Janeiro 14, 2013

Memórias: Grande Vinho do Dão

Este vinho, já com rótulo sujo, decadente, rabiscado por mim em jeito de anotação pessoal dedicada a uma filha, encerra uma enorme quantidade de passagens, de memórias que já foram. Muitas intimas, inexplicáveis e sem sentido.


É vinho, este Quinta do Corujão, que pertence a um lote, não muito alargado, adquirido por alturas de comemoração da vinda da primogénita. Escrevinhei em todos eles, os vinhos, uma simples missiva, com o intuito de aumentar sentimentalmente o valor de cada um, mesmo sabendo que poderão estragarem-se para sempre. Precavendo-me, de tal sina, fui bebendo e registando, em minutas soltas, pequenas frases, adjectivos.


Este vinho, agraciado com o titulo de Grande Vinho do Dão, coisa que não é para todos, surge numa época em que reencontro-me com o Dão, e com as minhas raízes. Recordo-o como algo muito especial, que representava ou representa a vontade de preservar outras formas de viver e estar na vida, onde o cavalheirismo era conduta normal e habitual.
Era, também, a época em que se vivia a Primavera no Dão, com o brotar tímido de vários projectos, dando a ideia que o futuro seria bem mais risonho. Será?


Um vinho que representa a passagem de testemunho, em que uma Maria foi para longe e outra Maria veio para perto. Espero um dia, se der, regressar a ele. Quando? Não sei. Terei que pedir, primeiro, autorização. Já não é meu.  

domingo, Janeiro 13, 2013

Dão by Rui Reguinga

Só tinha ouvido falar dele, como tal é estreia pessoal e portanto novidade aqui na rua onde moro. A vizinhança, que sou eu mesmo, segue às riscas os meus pareceres, como não podia deixar de ser. Bom, adiante.



Rui Reguinga tem, agora, o seu vinho do Dão, com a sua chancela, com a sua assinatura, enriquecendo o seu portefólio na região.



É vinho arquitectado somente com Touriga Nacional, que estagiou quinze meses em barricas de carvalho francês e foi engarrafado na Quinta dos Roques.
Neste estádio de evolução, parece estar ainda (muito) preso e fechado. A mostrar que precisa de (muito) tempo para amaciar, elegantizar-se. Vinho que precisa de paciência.