domingo, Dezembro 30, 2012

Gavión by Emilio Sánchez Martin (Parte I)

Num mundo que é uma enorme feira de vaidades, por certo já decadente em que, eu e vocês, tentamos, todos os dias, colocar-nos em pontas de pés, crescer (mais) uns míseros centímetros, mostrar que temos mais direitos que os outros, que somos indubitavelmente seres de elevada importância, reconhecidos aqui e além mar, esquecemos de coisas tão simples como a amizade desinteressada.
Emilio Sánchez Martin, professor, nascido em terra que conheço, Salamanca, é um enorme apaixonado pelos vinhos de Portugal, em especial das Beiras e Trás-os-Montes.


Este homem, leonês, é também seguidor assíduo da nossa blogoesfera (desde os tempos mais remotos), frequentador de diversos fóruns de vinho, dinamizados por portugueses. Ele é (muito) mais português que nós, defendendo de forma incomensurável os vinhos feitos deste lado da fronteira. Aplica-se, assim, a máxima: os inimigos estão cá dentro, não lá fora.
E, finalmente, tive o privilégio de conhecer e abraçar esta personagem, que se esforça por falar e compreender a estranha língua de Camões.

Colheita de 2010: Verdejo com 10% de Moscatel.
E assim, sem mais nada, sou obsequiado com um conjunto de vinhos que ele escolheu: Vinhos de Zamora,  da COOP Viña Escuderos. São vinhos que ele consome. Vinhos que eu não conheço. São vinhos que apreciei e que gostei.

Naturalmente 100% Tempranillo.
Também 100% Tempranillo.
O Topo de ViñaEscuderos: 100% Tempranillo
Vinhos de fácil empatia, saudavelmente descomplicados, frescos, alegres, que não maçam e que se bebem com (muito) prazer, até ao momento em que espreitamos pelo gargalo da botelha à procura de mais. Salut Emilio e Gracias hombre :)

sexta-feira, Dezembro 28, 2012

Somontes Touriga Nacional

É o último post, deste ano, desenhado na Beira, na Serra e no Dão. É, também, mais um post de despedida, mais um post de um homem choramingão. Perdoem-me.


Este vinho, que não conhecia, é mais uma interpretação da Touriga Nacional. Um estilo que não alinha pela facilidade. É, acima de tudo, um vinho da terra, a minha terra. Com nuances vegetais, carregado de impressões beirãs: com pinho, com eucalipto, com musgo, com granito.


Vinho que andou perdido em cuba de cimento e que representa uma forma de viver, que replica a paisagem dura, agreste, genuína, pouca polida e de contrastes. Um vinho que faz falta. Um vinho de despedia. Até para o ano.


quinta-feira, Dezembro 27, 2012

Tazem, Jaen e a Serra

Vinho comprado em ambiente serrano. Vinho feito, produzido por uma pequena COOP: Vila Nova de Tazem. É vinho, portanto, da minha Serra, que nasce encostado a uma parede de montanhas.


Depois, custa menos de quatro euros e foi adquirido, assumo, com baixas expectativas. Ainda assim, apresenta-se com garrafa muito bonita, limpa, elegante e garbosa.


E com mais de dez anos, revelou ter cheiros e sabores com estilo, com estrutura e bem diferentes. É vinho, portanto, de interpretação e de análise, que se mostrou bem longe da morte. Vinho para consumir com calma, com tempo, com paciência.


Um vinho do Dão que não agradará a todos, por ser desavindo. De nicho. Portanto, vinho que gostei, que apreciei. De culto.

segunda-feira, Dezembro 24, 2012

Em Honra!

Um post em Honra de uma pessoa. Nada mais que isso, nada menos. Simplesmente em Honra em dela.





Mais logo, quando o cheiro do polvo, do bacalhau tombar sobre a mesa, levantarei um copo, com vinho do Dão, da sua terra, e brindarei virado para as estrelas e para a Estrela.

sexta-feira, Dezembro 21, 2012

Damasceno: Parte I

Mais uma declaração: Conheço pouco ou quase nada deste produtor. O primeiro contacto que tive, até este momento, cingiu-se a uma breve e fugaz prova organizada e regida por determinadas mulheresConvém, por isso,  não alargar-me em considerandos desnecessários sobre o produtor. Ele é praticamente um desconhecido (para mim).



Ainda assim e socorrendo-me da memória visual, percebe-se que existe um refrescar de imagem, tornando-a, num mundo fortemente visual, mais limpa, mais agradável, mais mundana e universal. Nota (bem) positiva.


E o Vinho? É vinho que parece ter (muito) jeito para acompanhar a comida, de vários estilos e feitios. Com alguma elegância, com algum sentido de estar, com alguma diferenciação. E ganha, pessoalmente, pelo forte  cunho vegetal nos aromas e no sabor. E não fiquei desiludido.


Encerra, no entanto, um problema: O enorme número de opções que existem na faixa de preços em que este Damasceno concorre. A luta não é fácil.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

quarta-feira, Dezembro 19, 2012

Acto de Contrição: Charme

Quer se queira ou não, os puros insistem em dizer que não, existem vinhos que tornam difícil a sua abordagem. Tenta-se falar deles, mas o que sai da boca, não é mais que uma sucessão de lugares comuns, sem qualquer mais valia. Os puros dirão, mais uma vez, que basta uma prova às escuras para ultrapassar qualquer constrangimento pessoal, provocado pelo rótulo, pelo nome, pelo que temos à frente.


Pior é, ainda, se ele, o vinho, ficar associado a episódios menos positivos. Fatalmente, ficará conotado a esses incidentes. E sem culpa.


A treta, perdoem a expressão brejeira, é que não se consegue dar volta ao texto. Vem tudo à lembrança, menos o vinho.


Resta, publicamente, penitenciar-me pela falha, pela incapacidade por não ter conseguido separar emoções, destrinçar acontecimentos. São actos de homem fraco, inseguro e frouxo.

Post Scriptum: O vinho foi oferecido pelo Produtor.

terça-feira, Dezembro 18, 2012

Resquícios, despojos, retratos...

São os restos, os resquícios de um momento. Puros despojos que, agora, pouco ou nada interessam. São imagens, simples retratos sem vida. 


Serviram, enquanto as garrafas tiveram vinho, para animar, para desbloquear conversas, para alimentar as teorias mais absurdas. Deram força aos argumentos mais descabidos, a especulações sem sentido. 


Deambulou-se, por entre tintos, brancos e outras coisas mais. A cada copo, a cada sorvedela, a cada trago, as palavras surgiam mais livres, sem limites, sem os fatídicos meio termos.


Por entre o berreiro, da resposta e da contra-resposta, especulava-se sobre quem era quem. Por que parecia mais velho do que era, que umas vezes parecia português ou que outras parecia de outro lado qualquer. Mas o berreiro continuava.


As garrafas, ou melhor, a forma das garrafas, levou alguns incautos a pensar em cousas indevidas. Nem tudo o que parece é. A verdade está mais além da visão e ultrapassa a linha do horizonte. Podendo sugerir, ela não é, de todo, evidente.


Foram vinhos. Vinhos que contaram histórias. Que reflectem um olhar, uma visão, uma forma de estar. São vinhos de homens, de pessoas, de gente. Vinhos de homens bebidos por outros homens. Tão simples, não é?


domingo, Dezembro 16, 2012

Periquita Reserva

Vinho com nome amplamente conhecido. Vinho que está ali à mão de semear. Um vinho de larga tiragem, possível de ser adquirido, no Norte, no Centro, no Sul, no Este e no Oeste. É também o upgrade da gama. 



Apesar de ter Periquita, ou Castelão, o lote é valorizado com Touriga Nacional e Touriga Francesa.



Vinho de fácil empatia, de fácil gosto. Um vinho, sem qualquer preconceito ou pejoração, moderno. 


Um vinho para beber, consumir, para o que acharmos mais conveniente: Conversar, petiscar, almoçar, jantar e lanchar. Ou, ainda, para aliviarmos, se for essa a intenção, a cabeça. Para o que quiserem. 

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, Dezembro 14, 2012

Tributa a quem?

Perdoem-me o desplante. Perdoem-me, até, o atrevimento. Perdoem-me, ainda, a violação do status quo que determina a impossibilidade de contraditório público: pax eno-blogueira.
Qual o interesse, para o leitor, para o consumidor, para o comprador (sem dinheiro), falar, partilhar ou divulgar vinhos de três mil euros? Serve quem? Servirá, apenas, o próprio ou os próprios que o beberam em regime de conta gotas e em regime de cota. Aos outros, é-lhes reservado, apenas, o estado de inveja.

Foto tirada daqui 

Quem lê, fica com a ideia de que está perante um mero acto de auto satisfação, de auto elogio, de onanização, que todos observam. De que serve? Para que serve? 

quinta-feira, Dezembro 13, 2012

Explicit

Tal viciado, tal agarrado ao vício, e incapaz de estar calado, tive que vir ao púlpito, para uma breve homilia. Escutai, por isso, com enorme atenção e reflictam: Gostei (muito) deste vinho. Tem quase tudo e com quase tudo, merece que se fale (muito) nele e sem qualquer acanhamento ou pudor.


É vinho pouco moderno, evolutivo, com aromas e sabores que não se coadunam com coisas bonitas. É vinho oriundo da Serra de Mamede. 


O rótulo, cheio de informações, está (muito) bem conseguido e entretém qualquer pessoa, durante uns bons momentos. Detenham-se, por isso, a olhar para o rótulo. Tem um certo ar alienado, não tem? E viram a quantidade de informação que possui? E, no meio disto tudo, já esquecia o vinho: é muito bom.


quarta-feira, Dezembro 12, 2012

Constatações

Em jeito de encerramento de contas, de balanço, do ano civil 2012, ficam as seguintes constatações pessoais:

Primeira: Continuo a comprar vinhos independemente dos resultados que obtêm aqui ou além. Quer dizer que não ligo puto a resultados de provas cegas.

Segunda: Continuo a comprar vinhos, por causa de rótulos. Quanto mais bonito, melhor.

Terceira: As medalhas são, ainda, factor importante na decisão, mesmo sabendo que são resultado de provas cegas.


Quarta: Ligo, cada vez mais, à forma como é apresentado um vinho, como um produtor, um enólogo o divulga e o explica. Quer dizer que sabe vender bem o seu produto.

Quinta: Continuo a não saber quem é o Robert Parker.

Sexta: Apenas leio a Revista de Vinhos.

Sétima e última constatação: Percebo cada vez menos disto.

terça-feira, Dezembro 11, 2012

Quinta da Romaneira: O Rosé

Dando cumprimento à norma, estabelecida nesta repartição, escrever pouco, dizer pouco ou quase nada, cumpro o dever de informar que este rosé, que titula o despacho de hoje, é um belo, muito belo rosé. 


A garrafa e o rótulo são de enorme qualidade, de enorme requinte. E o vinho que contém, para não destoar, está em concordância. Tudo bate certo: Imagem e conteúdo. Poucos conseguirão.


Mais se declara que bebi o vinho junto da pessoa que o ofereceu, que foi bebido com o rótulo à vista e que se falou (muito) do projecto Quinta da Romaneira.

domingo, Dezembro 09, 2012

Casa da Carvalha

Descoberto simplesmente ao acaso: olhar, pegar e levar. Procedimento simples, sem grandes raciocínios  complexos ou teorizantes. Saltou, ainda assim, à vista o local de precedência: Arganil. Só por aqui, o vinho que tem a chancela Dão, torna-se numa curiosidade, carregado (de algum) exotismo, por causa da sua inusitada ou inesperada localização. 


Gostei do rótulo, de aspecto simples, limpo, airoso e sem grandes extras decorativos. O contra-rótulo indicava que o enólogo era Rui Reguinga. Desconhecia.


Sobre o vinho, e para os amantes da coisa, digo-vos que é um vinho tinto de linha suave, harmónico, muito coerente e focado. É tinto de companhia, de conversa, que se cheira e se deixa cheirar, que se bebe e se deixa beber. Descomplicado, mas nada simplório. Nada mesmo.

sexta-feira, Dezembro 07, 2012

Club Expert: Bourgogne vs Lussac Saint-Emilion

Este será, porventura, mais um passo para a desclassificação (definitiva) do Pingas no Copo. Um autêntico downgrade, em consonância com o estado da (nossa) nação. Ainda assim, atrevo-me a lançar uma pequena ferroada: Continua a ser doentio, o pretenso emproar de muitos escritores (onde os blogs se incluem), que fogem a sete pés de vinhos que não têm, simplesmente nome, marca ou status. Ficam-se, meramente, pela auto satisfação e pelo auto exibicionismo. Devia haver, efectivo, serviço público. Infelizmente não há.



É com petulância que espeto aqui dois vinhos de marca branca. Desta vez, e com pouco mais de finura, os vinhos são franceses e são vendidos numa cadeia de supermercados, também francesa. Um diz que é da Bourgogne e o outro refere que é Lussac Saint-Emilion. Ambos da colheita de 2010. Produtos resultantes de uma suposta selection des vignobles para um club expert ou expert club.Tudo muito pomposo.
 

Sobre os vinhos, e para os interessados, revelaram ser líquidos bebíveis, com (alguma) ligação gastronómica. Serviram, por vezes, como limpa boca. Os aromas, e aqui entre nós, não eram desprezíveis, com subtileza aqui ou acolá.


quarta-feira, Dezembro 05, 2012

Terras do Anjo

Foram várias as razões que levaram (me) a pegar neste vinho. Enumeremos, sem qualquer critério valorativo: Rótulo ao estilo do novo mundo; a combinação de castas (Chardonnay, Viognier, Sauvignon Blanc) e a expressão European Atlantic West Coast. Uma panóplia de argumentos indicativos do pretenso objectivo: Vinho de Mundo.



Sobre o dito, e para os interessados, devo dizer-vos que é (muito) coerente com a imagem, com o que se esperava (dele). Gordo, amplo e intenso.


É vinho do Mundo, mas (bem) feito em Portugal, aqui. Vinho que se bebe sem comida, com sotaque: talvez australiano, talvez californiano, talvez argentino ou talvez chileno. E devo dizer-vos (mais uma vez) que gostei francamente e como tal aconselho (vos).


terça-feira, Dezembro 04, 2012

JóJóJoli

Este rapaz tem o potencial para ser ou para ter uma opinião (muito) válida em relação à gastronomia e ao life stile
Timidamente vai desabrochando, alimentando sonhos, a nossa gula, através de imagens, de belas imagens. E não é preciso mais.


Diria, até, que tem capacidade e argumentos, know how suficiente, para dinamizar um fórum sobre a temática. Por isso, apelo: ó Jorge, avança!


domingo, Dezembro 02, 2012

Quinta da Romaneira

Há muito, perdi a conta, que não bebia um vinho do Douro, daqueles grandes. Na verdade, tirando uma outra tirada andava afastado dos vinhos do Douro. Sem razões, sem justificações. Apenas amoques sem sentido. Há quem diga que são resultado de delírios, de puras alucinações, manias. É, basicamente, a minha vida.


Em dia de irritação, o reconforto da alma veio com um copo deste vinho. Vinho que só conhecia da literatura e pouco mais.


Não (me) interessa perder tempo ou ocupar linhas virtuais, do vosso monitor, sobre estilos, se tem isto ou aquilo, se é genuíno ou não, se reflecte o terroir ou não. Interessa (me) dizer-vos, e apenas, que é um grande vinho. Um vinho com estilo, com classe, com requinte, aqui ou noutro lugar do mundo. É, felizmente, vinho português e do Douro.


Foi vinho que, felizmente, controlou a teimosa chama, cerceando-a. Bem-haja.