quarta-feira, Novembro 28, 2012

Néctar das Avenidas vs Herdade das Servas

Declaração de interesses: A Garrafeira Néctar das Avenidas é propriedade de um amigo: João Quintela, membro fundador dos extintos 5as8. É, acima, de tudo um enófilo inveterado, amante de vinho e do vinho e com uma garrafeira particular que mete (muito)respeito. É local de culto. Arriscou, há um ano e em plena convulsão económica, ter um espaço público dedicado ao vinho. 


O espaço, a dita Garrafeira, é curto em medidas, mas largo em opções (diferentes). É íntima e acolhedora. E curiosamente propõe-nos um considerável leque de garrafas em versão magnum.


E preços? Pareceram-me, após breve prospecção, bem interessantes, em alguns casos (em número considerável) abaixo do praticado no mercado.  Outra curiosidade, anormal, é a assumida aposta em vinhos da Bairrada e do Dão. Olhando para a norma lisboeta, não deixa de ser arriscado e provocatório. Ainda bem!


No dia vinte e quatro de Novembro, e em jeito de comemoração do primeiro ano de vida, a Herdade das Servas associou-se à efeméride, oferecendo aos visitantes, uma prova com diversos vinhos, aproveitando, ainda, para apresentar publicamente, naquele local, o seu novo Vinhas Velhas de 2009.




Resultado, balanço? Francamente positivo. Vinhos, alguns deles servidos em magnum, com boa estrutura e de fácil empatia, que pedem sempre por mais um copo, por mais um trago, sendo, por vezes, viciantes. 


terça-feira, Novembro 27, 2012

#daowinelover meeting

Tomem atenção e não esqueçam o dia: 26 de Janeiro de 2013.




Momento para quem quer viver o vinho do Dão. Momento para produtores, enólogos e consumidores estarem juntos. É portanto, coisa simples.

 

segunda-feira, Novembro 26, 2012

Putto

Tenho saudades da vida de Putto que levei. Um Putto que teve sorte de viver estórias do arco da velha. Estórias vividas em cidade e estórias passadas na província. Cheguei a pensar que era Putto sem terra, sem eira e nem beira. Um pária. Estrangeiro na cidade, um Renegado na terra. Uma estranha simbiose, entre dois mundos que nada partilhavam em comum. Mas era um Putto feliz. 


Na cidade era um Putto urbano, igual a tantos outros, acantonado em grupos, tribais e com manias estranhas. Na dita terra, fui Putto que chapinhava nos charcos, que pisava a sementeira, surripiava os cachos dos vizinhos, que chegava tarde a casa. Coisas de Putto.


Enquanto Putto, cheguei a ser puxado pelo vapor, a demorar infindáveis horas para ir até ao destino. Vivia-se e imaginava-se uma vida. Era a vida de um Putto, igual a tantos putos. E cheguei, em Putto, a ouvir os guizos. E eles, agora, por onde andam?


sábado, Novembro 24, 2012

Tons de Duorum

Palavras curtas, frases de curta dimensão, não porque o vinho não merece, mas sim porque não tenho grande coisa para dizer. Facto normalíssimo.


Vinho tinto, daqui, de largo espectro, que facilmente se poderá encontrar. Depois, e olhando para o que se avizinha, será uma escolha bem óbvia, por causa do preço (menos de quatro euros).


Um vinho bem fresco, de pendor levemente vegetal, nada maçador, nem cansativo, nada enjoativo, marcadamente duriense. E posto isto, que se beba.

Post Scriptum: O Vinho oferecido pelo Produtor.

quinta-feira, Novembro 22, 2012

Exclusivo, diferente e de nicho

Ao passar as vistas pela Revista de Vinhos do mês de Novembro, detive-me, com alguma atenção, num artigo alusivo a novos produtores. Notei que epítetos como nicho, exclusivo, exigente, valor acrescentado, eram incessantemente repetidos. Mas não é situação única.
De uma assentada, começaram a esvoaçar, por todos os cantos, palavras, categorias e nomenclaturas que apelam ao tal exclusivo, ao nicho, ao exigente, sendo que começo a encharcar-me de dúvidas se há assim tanta gente exclusiva, diferente e que viva num nicho.


Se o mercado global está apertado, como todos sabemos, imaginemos aquele que pretensamente não o é, por ser, isso mesmo, de nicho e exclusido. É uma simples questão de número e de contas. Se há pouco, logo não pode haver muito. Certo?
Se, de um momento para o outro, todos começarem apontar as suas baterias, os seus esforços, para o tal mundo exclusivo, diferente e de nicho, o resultado será, novamente, o de um amontoado, sem solução e esgotado. Digo eu.
 

terça-feira, Novembro 20, 2012

Dão Wine Lover

Na realidade facebookiana, nasceu um grupo de discussão dedicado em exclusivo aos Vinhos do Dão.
O Caderno de Encargos, deste grupo criado por mim e pelo Pingamor, é simples: falar dos vinhos do Dão, da sua Região, das suas Tradições, da sua Cultura. Nada mais.


Para quem estiver interessado dirija-se até aqui. Não tem nada que saber: basta conversar, perguntar e partilhar.

segunda-feira, Novembro 19, 2012

Copo de Salto Alto

Sou franco, gosto de seguir o que esta pequena diz. Paulatinamente, esta miúda, tem vindo a cimentar, por direito, o seu papel no meio da blog-esfera nacional. 
Depois tem um discurso ligeiro, fácil, sem tretas presunçosas, sem armar-se naquilo que não é. Tudo saudavelmente simples. Ainda bem. Talvez seja aquele toque brasileiro, que transporta. Não está efectivamente para aturar lérias.


Tem, ainda a capacidade, em determinados momentos, de meter no devido lugar a trupe masculina que pupula por estas bandas. Vamos nessa Carla! ;)

sábado, Novembro 17, 2012

Quinta do Sobral

Vinho que exemplifica, na perfeição, a importância da expectativa. Assumo, não estava à espera de muito, ou, para não magoar alguém, não estava à espera de ficar (muito) surpreendido. Seria, na certa, mais um vinho bem feito, entre tantos que se podem encontrar.


A verdade, pura, é que este tinto, Reserva de 2010, vindo daqui, foi capaz ao longo de uma noite chuvosa, ventosa, escura e solitária, em que fantasmas e vampiros celebravam ruidosamente, limpar as feridas, amenizar as mágoas, tirar-nos do canto negro. Deu vida, ao corpo, tal era a ligeireza, tal era a alegria, tal era a simplicidade. Bem dito vinho.


Copo e mais copo, foi amaciando o mal-estar, foi aliviando o pesar. O vinho, caramba, era, sem dúvida, um belo vinho. Elegante, suave e leve. Simplesmente, um belo vinho.    

sexta-feira, Novembro 16, 2012

Duque de Viseu

Recordo com muito saudosismo o Duque de Viseu, dado que foi em tempos vinho quase obrigatório na minha lista de compras (principalmente a colheita de 2000). Parecia, na altura, vinho de outro mundo. Agora pareceu-me, após um longo afastamento, algo distante do que era, ou do que foi, no passado.


Andará o vinho, em causa, a pagar a factura de algum abandono, da febre das novidades, da loucura do que é novo? É que, este, pareceu-me amorfo, quase neutro e inócuo. Vagueante e sem rumo.


Terei, eu, mudado? Terá o vinho mudado? Quase na certa, alguém mudou.

quinta-feira, Novembro 15, 2012

Pequenos Rebentos

Não conhecia, ou dito de outra forma, conhecia apenas o seu nome. O Nuno deu a provar neste dia e o resultado, o meu, aquele que interessa, é que não preciso ser um pretenso grande vinho, e há muitos por aí, para cumprir (quase) na plenitude o que queremos dele.


E eu quero um vinho descomplicado, saudavelmente ligeiro, sem estar armado naquilo que não é. Só a ganhar. É um alvarinho de estirpe fresca, airosa e perfumada.


Depois gosto nome, gosto da juventude, gosto do aroma, do sabor. Enfim gostei dele. E que continue a ser um Pequeno Rebento.

quarta-feira, Novembro 14, 2012

Villa Oliveira: A Apresentação By Casa da Passarella

Em jeito de apresentação lisboeta, o Paulo brindou-nos com alguns dos seus vinhos, uns em primeira mão, num (excelente) espaço que, por mea culpa, não conhecia: Enoteca de Belém. O balanço, para que não haja qualquer dúvida, foi (francamente) positivo.


Os Villa Oliveira branco e tinto, falados aqui, surgiram (bem) rotulados. Aspecto limpo e apelativo pela clareza de informação. Sem mais delongas, sem mais ramerrame, fica a ideia, bem vincada, que o projecto Casa da Passarella está, sem margem para dúvidas, consistente. Depois, correndo o risco, fatídico, de repetir-me, o dominador comum entre os vinhos é: elegância.

Reavaliou-se o Casa da Passarela Encruzado 2011. Está (bem) mais sénior e sedutor, com os diversos componentes bem articulados. Cheio de vida.
Uma das novas coqueluches: Villa Oliveira Encruzado 2011. Delicadeza e elegância levados a um patamar (bem) alto. E pouco mais  há para acrescentar, porque simplesmente não sou capaz.
Um refrescante tártaro de salmão. Bem conseguido.
Também em reavaliação esteve o Casa da Passarela Vinhas Velhas 2008. E, para não destoar, alinhou pela  graciosidade, pela finura. Houve tempo, ainda, para confrontá-lo com o futuro Vinhas Velhas de 2009, que sugeria ser mais arisco, mais irrequieto.
Bacalhau sobre cama à Brás. Boa apresentação, sabores francos e descomplicados.   
A outra coqueluche: Villa Oliveira tinto 2009. Um varietal ,de Touriga Nacional, a mostrar que é possível  ser-se (bem) diferente. Vinho que precisa de tempo, espaço, comida, noite, conversa e sei lá mais o quê.
Naco de vitela, com batata à murro, grelos e queijo da Serra. Peça de carne de bom nível. Mais uma vez , a simplicidade a marcar presença.
Fechou-se a noite, longa, com O Fugitivo 2010. O nome é referência de um judeu que refugiou-se dentro dos muros da Casa da Passarella durante a II Guerra Mundial. Um Colheita Tardia com aromas e sabores secos, de (fácil) empatia.
Pudim de ovos, adornado com um rendilhado de caramelo. 

E por agora, o livro encerrou-se. Foram horas que serviram, também, para recordar a (minha) terra e vivê-la por breves momentos. Até um dia...

domingo, Novembro 11, 2012

O Pingus gostou destes (Os eleitos de 2012)

A ladainha do costume, logo nada de novo.
É mais uma selecção de vinhos que partilho com a i-enofilia. Como sempre, e para não destoar, sua escolha assenta em aspectos obscuros, tendenciosos e emocionais. Portanto, sem qualquer critério. Foram, e nem podia deixar de  ser, os melhores, em determinada ocasião. O resto, como devem perceber, são assuntos de somenos importância. Eu gostei destes e vocês gostarão de outros. Constatação normal na vida de homens e mulheres. 
Tal como em outras selecções,  continuam a não ser tidos e nem achados outros vinhos que eventualmente bebi ou vocês beberam. Não teria, como sempre, qualquer sentido mencionar nomes que não foram falados no Pingas no Copo.
E sobre o que está em causa, também para não destoar, e se voltasse a beber, a minha opinião poderia ser, quase na certa, outra. Tal como no passado, cada vinho tem um link para o respectivo texto. Posto isto, sirvam-se e abusem.


Douro/Porto


Dão/Beiras

Alentejo

Península de Setúbal/Ribatejo



Madeira

E para o ano há mais, por isso façam o favor de tratarem-me (muito) bem.

sexta-feira, Novembro 09, 2012

Quinta das Carrafouchas

Ao género de um típico ofício da administração pública.
Serve o presente, neste caso um mísero post, entre tantos que se publicam pela rede, para informar a populaça que confrontei recentemente as colheitas de 2008 e 2009 da Quinta das Carrafouchas aqui.


Segundo os diversos relatos que podemos encontrar, nesta mesma rede, o colheita de 2008 está (ou será) superior à colheita de 2009, sendo que esta última, dizem, alinha por um comportamento mais mediano ou menos personalizado. Respeitando, naturalmente, a diversidade de opiniões e descontando eventuais erros de análise pessoal, os meus, comunico que gostei francamente do 2009, tendo sido transmitindo tal facto a quem de direito. Pois tratava-se, assim pareceu, de um vinho elegante, de fácil empatia e descomplicado.
Sem mais nada a acrescentar, atenciosamente.

quarta-feira, Novembro 07, 2012

Quinta de Baixo, a alma e o corpo

Quando por um motivo qualquer a alma ou espírito não andam bem, ou vivem desorientados, resta-nos alimentar a carne, o corpo. Enchê-lo para lá do limite. Ocupa-se e desgasta-se o corpo. Assim, e por momentos, separamo-nos da alma. A treta, como se sabe, é o após.



Enchi, novamente, o corpo com vinho. Sina. Vinho, esse, que está a viciar, prender-me dia após dia. Se no passado foi o 2001, agora, encharquei-me com o 2003. E valeu por todos os pecados cometidos. 


Castiguei-me, ainda mais, com comida de sustento, pesada, sem qualquer requinte, de técnica rude e sem qualquer apuro, digna de gente obscura, de gente sem regras. É meter no tacho e mais nada.


O vinho, o tal, desapareceu da garrafa. E, por momentos, esqueci tudo.

segunda-feira, Novembro 05, 2012

Paulo Laureano, Bucelas e a Vidigueira

Dia escuro como o breu, sem qualquer luz lá no alto. Chovia a olhos vistos. O vento, sem sentido, cerceava-nos sem descanso. Foi dia pesado, complicado, quase apocalíptico, tal foram os imbróglios vividos.  Conseguiu-se, ainda assim, chegar ao poiso marcado.


Na mesa, gente já sentada ouvia com atenção as palavras do homem da ponta. Palavras pausadas, de ritmo cadenciado, quase melódicas, fazendo esquecer que lá fora a chuva caía copiosamente, sem dó nem piedade.


A sala, a meia luz, aquecia o corpo e enxugava a roupa. O vinho, esse, começou a cair no copo, em ritmo certo, na quantidade correcta. A alma, que vinha desnorteada, começava, por fim, a serenar. Tudo parecia mais Claro.



Espumante de Bucellas cremoso, com notas de barrica, bem envolto e cordial. Repetiu-se a dose, uma e uma vez mais. Em paz.


As palavras do homem da ponta, lá, continuavam a sair, de forma sentida, sem medos, assumindo mudanças, percebendo que não é vergonha dizer que no passado foi de uma maneira e que agora será de outra. Foi, variadas vezes, provocado e, variadas vezes, respondeu sem temor.


Vão, entretanto, caindo acepipes feitos pelo Vítor. Havia que combinar o vinho com a comida. Tudo, também, em ritmo certo e sem sobreposições. Estávamos ali, apenas, para curtir, para desfrutar. É que a noite, não se esqueçam, estava ruim.






Continuou-se em Bucelas, com um vinho branco, pois claro, que provocou sururu, tal delicadeza, tal frescura, tal harmonia. E falsamente frágil.


Encerrado o capítulo de Bucelas, era a vez de falarmos da Vidigueira, das suas características. Percebia-se pelas palavras embevecidas do tal homem, que é zona que ama, que conhece e, por conseguinte, explora até à exaustão. E mantendo o rumo da mudança, surge pela frente o Dolium Escolha branco, naturalmente feito, pois então, com Antão Vaz. E curiosamente, ou não, é-se confrontado com um vinho elegante, refinado, sem os aparentes, e quiçá, tradicionais exageros do passado. Bebe-se, ou melhor, bebeu-se sem fartar, em tempo algum.


E por que a noite, pelo menos esta, não era eterna, os copos foram finalmente servidos com umas valentes porções de Tinta Grossa. Casta, pelo que deu a entender, enche as medidas de quem o idealizou




Pareceu vinho, e também para não destoar, afastado das maluquices enológicas do novo mundo, mais simbiótico, mais proporcionado, mais genuíno, menos exagerado que outros. E como diz o Miguel, aqui, "tivéssemos nós mais vinho e mais tempo."