quarta-feira, outubro 17, 2012

Câmara de Provadores TWAwine

É segunda edição da Câmara de Provadores TWAwine. Sem muito para dizer, ou melhor com pouco para acrescentar ao post do Wizard, apraz-me, ainda assim, referir que este ajuntamento, este grupo, esta câmara, que orgulhosamente pertenço, é o exemplo  puro e representativo em como a sociedade civil, sem conhecimentos técnicos, e sem qualquer cátedra enológica, pode junto de determinado produtor ou enólogo, discutir potenciais estilos ou experiências que eventualmente possibilitarão perspectivar outros caminhos, outras orientações.



A riqueza destes grupos é, assim sugere, a sua diversidade, a sua pluralidade o que per si é uma mais valia. Sem qualquer conhecimento de causa diria que é projecto pioneiro.


Para que conste nos preciosos arquivos deste blog digo-vos que foram discutidas três amostras de arinto da Quinta da Murta, da colheita de dois mil e nove, provenientes de cubas diferentes, apontando para uma abordagem (muito) pouco consensual e extremamente desalinhada, com níveis de acidez, secura e austeridade bem vincados. Puros ensaios extremados.




A segunda testagem acontece com mais três exemplos: Quinta da Murta (leveduras nativas), Quinta da Murta Clássico (com rolha sintética) e Quinta da Murta Clássico (com rolha de cortiça). Todos provenientes da colheita de dois mil e nove. O primeiro pareceu ser um puro Bucelas, fresco e citrino. Cheio de nervo e longe da mortalha. As outras, duas, curiosamente tamponadas de modo diferente, resultaram em vinhos curiosamente diferentes. O que possuía rolha artificial, talvez por sugestão ou sabe-se lá mais o quê, apresentava cheiros e sabores mais presos, pouco definidos, em contrapartida o da rolha de cortiça, baptizada por rolha natural, mostrava-se bem mais complexo, mais maduro, mais desafiante, com uma paleta de aromas e sabores bem mais alargado.


A aula terminou com os tintos da Quinta das Carrafouchas, apresentados num spot de três amostras (duas de dois mil e nove e outra de dois mil e dez): Uma com estágio de barrica, ocorrido entre trinta de Junho de dois mil e dez e dezasseis de Novembro de dois mil e dez; outra sem qualquer contacto com a madeira e apenas com um ano de vida em inox. Finalmente um engarrafamento, de dois mil e dez, só com Touriga Nacional. Não querendo entrar em análises descritivas extensas, julgo que não terão interesse para o caso, diria que gostei, muito, da pureza do segundo exemplar, encontra partida com a possível dureza do primeiro.



A surpresa foi, e para mim, pois claro, a Touriga Nacional. Limpa, fina, bastante delicada. Num estilo que não cansava, que apelava mais um copo, a mais uma cheiradela, a mais qualquer coisa. Foi, também para mim, vinho sério e (muito) bem conseguido. Eu apostaria nele.

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