quarta-feira, setembro 26, 2012

Tinto da Ânfora

Quer se queira ou não, teremos que admitir, de uma vez por todas, que existem vinhos impossíveis de serem descritos. Por isso, qualquer palavra que ultrapasse a fronteira da realidade, não terá sentido e será pior a emenda que o soneto.


Há muito tempo que não bebia este vinho (nem sei se alguma vez o bebi). De qualquer maneira, e independentemente do que bebi, provei ou não, agora, e sob a chancela Bacalhôa, direi que está abastardado, sem qualquer orientação e sem ponta que se pegue. Surge vulgar. Relembro que, no passado, era vinho com consideração, com respeito e com dignidade.


Numa prolongada noite de congeminação, onde se espiaram diversos fantasmas, medos e temores, em que se falou, de espada na mão, de tanta coisa, a goela foi sendo refrescada, amaciada por um Tinto da Ânfora, que foi capaz de calar a voz mais contestária. Foi vinho superior, grande, abastado de cheiros e sabores difíceis de falar. Tornou-se, meramente, num simbolo de apaziguamento. E assim fiquei calado durante o resto da noite. Para quê falar?

3 comentários:

Anónimo de Loures disse...

Então mas se os descritores dependem das capacidades eno-imaginativa de cada um... como é que há vinhos impossíveis de serem descritos ?

:)

Pingus Vinicus disse...

Não sei.

Valter Costa disse...

Por acaso a partir de 2000 deixei de o beber. Antes era um vinho de referência! Agora não sei como é que anda.