quinta-feira, agosto 23, 2012

O Dão Serrano, a Sequela

O post, na verdade, não trará nada de novo ao hemiciclo. Serve, antes, para marcar a agenda e deixar registada, mais uma vez, a ideia, partilhada por outros, que urge trabalhar o conceito do Dão Serrano. António Madeira aflorou ainda a questão aqui mas, na altura, pareceu-me eventualmente separatista e não lhe dei a merecida atenção. Dou agora.


Após inúmeros debates mais ou menos privados, reflexões partilhadas, publicações pinguescas sobre a matéria (recordo, por exemplo, este acontecimento), e espicaçado pela última reportagem feita pela Revista de Vinhos no território entremeado entre Gouveia e Seia, não podia deixar passar o momento, reforçando a convicção pura que esta parte do Dão tem especificidades muito próprias, que resultam do facto de estar emparedada pela Serra da Estrela e que merecem ser valorizadas.


Depois, carecendo de qualquer prova ou facto, fica a ideia estritamente pessoal que é espaço virtualmente abandonado pelo centralismo da região demarcada, como se o Dão terminasse na margem direita do Mondego. Os da margem esquerda, também por culpa própria, alimentaram esse afastamento durante muito tempo, vestindo indevidamente roupas de perseguidos, de ostracizados.


Agora, uns quantos parecem querer ir à luta, chegar-se à frente, reivindicar o seu lugar de pares entre pares. Mas para tal não é com conversa sustentada em teorias calimerianas que a coisa vai lá. É mesmo de peito aberto e de olhos no solhos.


Ora, reparem bem na imensidão de produtores que esta Sub-Região do Dão encerra dentro das suas fronteiras: Quinta do Escudial, Quinta da Bica, Quinta da Ponte Pedrinha, Casa da Passarela, Casa do Monte Aljão, Quinta da Pellada/Quinta de Saes, Quinta da Espinhosa, Quinta dos Garnachos, Quinta da Garrida, Quinta de Gonçalvinho, Quinta das Maias, Quinta de Nespereira, Quinta do Corujão, Quinta da Tapada do Barro, Adega Cooperativa de Tazem, Terras de São Miguel (em Fornos de Algodres) que podiam juntar esforços, criar as desejadas sinergias, promover um conceito, um terroir. Esta legião produtiva, quiçá, podia tomar nas suas próprias mãos a divulgação de toda uma Região Demarcada. Caramba, tanta coisa.

Post Scriptum - E para quem não tomou atenção, ouçam as palavras do patrão da Casa de Cello, neste lugar, sobre o IWA, pode ser que ajudem.

6 comentários:

Anónimo disse...

Ninguém te pediu qualquer sermão...o que vale existem blogs mais interessantes.

Anónimo disse...

... E isto foi para... Nada... Realmente, este mundo dos vinhos anda cansativo...

Pingus Vinicus disse...

Completamente de concordo com ambos os anónimos. Não tenho mais nada a acrescentar.

Anónimo disse...

....bafio!! é o que me vem á cabeça quando leio os comentarios dos senhores anonimos anteriores!! Tudo o que seja puxar por uma região seja ela qual for, é de se fazer!! Mais... de de facto existem condiçoes de execelencia dentro de uma sub-região porque não servir de "bandeira" para todos!!! Mas não!!! Seremos fortes se todos á nossa volta forem fraquinhos...não é srs anonimos? Assim a que é!!!

Anónimo disse...

Realmente o primeiro anónimo tem razão. Este blog é uma chatice.
São muito mais interessantes aqueles que falam dos orifícios castanhos.

Pingus Vinicus disse...

Um aspecto que considero curioso é a aparente falta (porque posso não ter todos os dados na minha mão) de apoio institucional por parte das respectivas autarquias locais relativamente aos produtores, à possibilidade de capitalizar mais visibilidade, ajudando na divulgação e promoção dos vinhos do Dão, desta parte do país.