domingo, Outubro 30, 2011

The Fladgate Partnership Parte III - Fonseca Vintage 2009‏

Fruta a rodos, madura e gorda, cacau preto, nuances químicas e vegetais. Um vintage contido, difícil por momentos, sisudo por vezes. Ao fim ao cabo, pouco dado a grandes amabilidades. Mas para o que interessa diga-se que está bem, muito bem, e recomenda-se.

Para quem pode, e ainda não dobrou metade da sua vida, compre e guarde. Ainda assim, a preferência caiu neste aqui. Pura questão de gostos. O resto pouco importa.

Mais uma vez, fica a convicção pessoal que os vintages sabem bem, quando são jovens e irrequietos.

Post Scriptum: Vinho oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, Outubro 28, 2011

A Grande Reserva de João Barbosa!

João Barbosa é o único blogger, isso mesmo, a sair do casulo da blogoesfera. É o único que caminha pelo seu passo, pela sua perna. Arriscou e lançou um vinho. Peço desculpa, escreveu um livro. A maioria de nós continua sentado e à espera que o céu caia em cima.

O melhor para ti! E entretanto levanto um copo, a babar-se com o melhor vinho do mundo, para brindar à tua Grande Reserva! Cheers...

Post Scriptum: E não te vergues!

quarta-feira, Outubro 26, 2011

Devagar, com calma e ainda sem ilusões!

Vão aumentando em número as (grandes) empresas do sector do vinho que têm levado até às suas instalações o povo, anónimo e indeferenciado, que vai falando do assunto por vários lados, sem discriminação de idades, modos, estilos ou influência. Podemos, neste momento, contar com uma boa mão cheia delas.
É, parece-me, o reforçar da democratização do acesso aos domínios daqueles que vivem do negócio do vinho. Estes pequenos actos, são, na verdade, implosões no status quo estabelecido.

Creio que, mais tarde ou menos tarde, muitas das barreiras construídas para afastar o povo estarão literalmente deitadas, no chão, restando apenas meras memórias longíquas. Acredito, no entanto, que manter-se-ão pequenas bolsas de resistência do Ancien Régime.

Mas, em jeito de aviso à navegação eno-blogger, não se iludam e não julguem ser, conforme os gostos, RP, JPM, RF, MS, LA, JaR, JA, PW, PG, ChaM, JaG *, ... Tudo, como sabem, é relativo, pontual e conjuntural. Costuma-se palrar: Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Nada como caminhar com os pés bem assentes na terra e não pensar que se é o melhor do mundo. Que sejamos, vá lá, os melhores da rua onde vivemos. :) Não é, para já, mau de todo.

* - É muita gente.

segunda-feira, Outubro 24, 2011

José Maria da Fonseca e os Bloggers

Coube, agora, à José Maria da Fonseca, a tarefa, quiçá custosa, de aturar um bando de i-enófilos, no seu reduto.



Não foi a primeira vez que deambulei por dentro das suas fronteiras. Tinha-o feito aqui, com o objectivo, apenas, de captar a riqueza da arquitectura, do património que está associado à produção de vinho.



É pena que grande parte dos enófilos não pare, nem que seja por breves instantes, para mirar para além do copo. Parece-me visão redutora, incultural. Existe, naturalmente, mais vida para além do vinho. Adiante.



Passeou-se, por entre os meandros da cerca, oscultando, observando, sentindo a carga histórica que habita por estes lados. Tudo explicado, tintim por tintim, com palavras ligeiras, francas e mundanas.



Concluída a etapa histórica, o enfoque da lição passou a ser, para o gáudio dos presentes, o líquido báquico.


Reveram-se as gamas Quinta de Camarate, nas versões branco doce 2010, branco seco 2010 e tinto 2008. Estão francos, apelativos, com toques de requinte que os tornam, nestes tempos que correm, produtos diferenciados. O tinto tem qualquer coisa de bordalês. Muito aconselhável. Testou-se, ainda, o Pasmados tinto 2008. Aqui a lógica é diferente. Mais urbano, mais abrangente, mais jovial. Nada contra.


Houve, ainda, um prelúdio para se falar, para se ouvir, sobre as diferenças entre o Verdelho e o Verdejo. Ambos, tenros, de 2011. E ali estavam lado a lado em fotos e em produto já vinificado, permitindo observar as divergências e eventuais parecenças. O primeiro bem mais tropical, o segundo mais amplo, mais vegetal, mais sénior.  


Ultrapassada esta etapa, surgem defronte os Icones da JMF. Explicados e apresentados por Domingos Soares Franco, o povo presente teve a possibilidade de conhecer e explorar o FSF 2007, o Periquita Superyor 2008, o Domini Plus 2008, o J de José de Sousa 2009, este em regime de pré-apresentação pública. Por entre os diversos estilos, sensações, cheiros e sabores, cabe-me dizer que o FSF está um vinho cavalheiresco, revelando variadas nuances, sempre em timbre muito selecto. Apontamento de destaque, também, para o Domini Plus. Um vinho do Douro, meio desalinhado, atrevendo-me a classificá-lo de anacrónico. Carregado de vegetal maduro, de terra, de pedra. Um prazer inesperado.


Tempo houve, ainda, e ao som das palavras do chefe, para entender, um pouco mais, a Grand Noir trabalhada em lagar, inox e talha. A curiosidade recaiu sobre a versão talha. Puro tinto de fenícios, de gregos, de cartagineses, de romanos. Sabor terroso, argiloso. Seria disto que beberiam alguns homens na antiguidade?


Caminhava-se quase para o fim. Tempo para a lição de Moscatéis. As poucas dúvidas que restavam, surgem resolvidas. Existem efectivas diferenças entre Moscatéis Serranos e Moscatéis de Areia. Percorreu-se a Colecção Privada DSF, ora com Armagnac 1998, ora com Cognac 1999, ora com Roxo 2003.

Descansou-se um pouco, pensa-se na vida, com uns ligeiros goles de Roxo 20 anos. Terminou-se o capítulo com amostras de bastardinho de 2009 e 2011.


Antes do desfecho, do encerrar de portas, aconchegou-se o estômago e a cabeça com pequenos, mas perduráveis tragos de Bastardinho 30 anos e impressionante Moscatel de 1955.



Após tudo isto, as palavras soam a coisa inócua, ligeira e sem conteúdo. Cheers!

sábado, Outubro 22, 2011

Tiro o Chapéu

Tenho que admitir. Estou acostumado ao status quo. Mantenho-me numa cadeira, estático, observo o que se passa em redor, e debito, em jeito de difusão, um conjunto de articulados que possam, em determinado dia, aumentar as entradas. A maior parte delas, das visitas, surgem por acidente. Na verdade, mais de setenta, talvez oitenta, se calhar noventa por cento, apresentam-se no Pingas no Copo por mera coincidência. Não era aqui que queriam vir. Pouco importa, pois celeremente circundo por todos os contadores, rankings, a ver quem está à frente ou quem está a atrás. Se estiver atrás, não interessa. Estão errados! Se estiver à frente, contam, pois reflectem o meu ego. Contas muito simples, portanto.

Tiro o meu chapéu a dois novos bloggers i-enófilos. Tenho, amiúde, observado a sua dinâmica, a sua vontade em construir conhecimento. Visitam, interagem, comentam. Usam as plataformas digitais a seu bel prazer. Juntam a sua experiência tecnológica, o know how, à paixão que demonstram pelo vinho.
Enquanto personagens como Air Diogo e Ricardo Bernardo vasculham tudo quanto é sítio, Eu um velho aburguesado, que segue a norma  de Gutenberg, continuo sentado. 

O primeiro coordena um projecto com interesse para produtores e enófilos: Desafios na Adega. Permite que ambos possam interagir. E é pago. Limpo e claro.
O segundo acabou de participar no EWBC em Itália. São, permitem-me o abuso de palavras, dois miúdos que querem evoluir e ir à vida.
Resta-me, simplesmente, levantar-me e aplaudir. Esta malta faz falta à i-enofilia. Venham mais.

quinta-feira, Outubro 20, 2011

Quinta da Bica Touriga Nacional 2001

Pouco há para dizer. É história. É memória de uma família.
Os rótulos, aqui, não interessam e perante a carga emotiva que transporta, o vinho, seriam meramente adornos vagos, sem qualquer significado.
E as palavras, por muito que se larguem, pouco importam. 

Fiquemos pelo chorrilho de sensações que liberta, lentamente, por querer e sem querer. E assim vamos indo, acreditando que um dia estaremos todos juntos. Que se beba, portanto, quando precisarmos de muita tranquilidade.

Post Scriptum: Vinho oferecido pelo Produtor.

terça-feira, Outubro 18, 2011

Vindimas no Dão, Parte III e Final

Termino o périplo, circunstancial é certo. Encerro com a alegria de ter aprendido mais uma nesga.

Quem atende este homem, conhece o sorriso, por vezes tonto, que larga quando deambula por entre velhos caminhos junto ao Mondego. Há em todos os recantos algo de familiar e emoções injustificáveis. Sente-se e pronto.

Termino, desta vez, não com a visita a uma Quinta, de qualquer produtor mais ou menos famoso, mas com uma breve inspecção ao meu Quintal. É lugar de histórias, pequenas, simples, mas carregado de simbolismo, de remakes, de tiradas mais ou menos felizes e infelizes. A infelicidade faz, também, parte da História.

Durante anos, e armado de teorias modernistas, afastei-me de tais lugares onde homens e mulheres retiravam e retiram parte do sustento. De pequenos talhões, corrimões, latadas e lameiros sacavam a couve, a batata, a nabiça e o vinho.

Maltratei, durante muito tempo, o fruto das velhas cepas, o líquido que saía do lagar, da pipa caduca. Foi simplesmente escorraçado, sem dó.

Agora, e sem tornar-me lambujeiro, atrevo a dizer que nada surgiu disparatado. Os princípios estão lá, e são respeitados. O vinho, é produto resultande de brancas e tintas, surge palheto no aspecto, vegetal e ácido. Enquadra-se, bem, com a cercania e respeita, na plenitude, o conceito de étnico. Parece-me que é isto e não outra coisa qualquer.

Nas imagens que fixei, por agora, notei que são pedaços de passado que vai desaparecendo, sumindo dolorosamente. Um dia teremos, apenas, uma foto sem motivos.

Que volte cá, outra vez, a Isabelle Legeron que anda a trautear, esta altura, por caminhos da Geórgia e da Arménia em busca do mais primitivo modo de fazer vinho.

sábado, Outubro 15, 2011

Vindimas no Dão, Parte II

Entrou-se sem pedir licença, a azáfama nas vinhas e na adega era, ainda, muita.

Calmamente e sem qualquer temor saca-se da máquina, e ao calhas, guardam-se, para memória futura, cenários do momento.

De costas, e meio imbuído em pensamentos longíquos, confrontado por decisões a tomar, surge silenciosamente no caminho Catarina. A simplicidade, a sua genuinidade, desmancha qualquer visitante mais ou menos polido. Recordo, ainda, as suas primeiras palavras: "Não preciso de muito. Os meus vinhos saiem daqui, destas vinhas." Desconcertante, não? 

Regressemos ao presente, ao corrente, e sem meias medidas, de copo na mão, salta-se para a prova de mostos, de amostras. O cheiro, esse, indica-nos o caminho a tomar.

Provam-se os brancos. Testa-se o que irá ser o novo Colheita 2011. Está no útero, é claro, mas a denunciar interesse e continuidade no passado.
A novidade, essa, surge no projecto de um branco de Vinhas Velhas. Será um upgrade no portefólio da Quinta da Ponte Pedrinha. Pelo que se viu e sentiu, parece-me que será vinho com muito valor. Que o seu desenvolvimento aconteça sem qualquer percalço.

Viraram-se as mãos, entretanto, para as cubas dos tintos. Um blend de Tinta Amarela e Tinta Roriz que mostrou ser combinação curiosa, cheia de nuances vegetais. E em jeito de apostas, diria que isto poderia dar em algo diferente, meio contra-corrente

Salpicado de manchas arroxeadas e impregnado de odores lagarentos, avaliam-se os mostos. Estão florais, leves e airosos, maduros quanto baste, directos. Agora, há que esperar pelo fim da jornada.

E no entanto, pede-se à Catarina que salte cá para fora, fale connosco. Nós merecemos.

quinta-feira, Outubro 13, 2011

Monte Serrano

Sem método e sem qualquer rumo. Foi vinho comprado por impulso, como tantas vezes acontece. Apostou-se e, neste caso, ganhou-se. Quando assim acontece, fica-se feliz.

Diria que é vinho branco digno, muito digno. Nascido nos arrabaldes da Serra, do outro lado, na Beira Baixa. Irmão, quiçá, daqueles que nascem por entre Dão e Mondego. 

Como soube bem, muito bem, resta-me, por isso, aconselhar: Comprem, não se envergonhem por ser de Coop, e depois contem!

terça-feira, Outubro 11, 2011

O Bom e o Mau, o Herói e o Vilão, o Melhor e o Pior

Na vida, quando fazemos qualquer coisa, quando temos um projecto em mãos ou outro desiderato, achamos, com todo o direito, que estamos certos. Que o caminho a trilhar ou trilhado é o mais adequado. Não há tempo e espaço para deslumbrar o que se faz noutros lados e de outras maneiras. É uma postura coerente, é certo, mas por vezes encharcada de cegueira, tais são as distâncias entre o que se deseja e o facto. 
A dor, essa maleita, surge quando somos confrontados com a possibilidade de não sermos os melhores ou estarmos literalmente errados. Acontece-me todos os dias. É o baque. Fica-se de rastos, desespera-se, julgamos o mundo injusto, subvertido, cheio de maquinações e repleto negociatas obscuras. Pensamos que o Bem só ganha ao Mal, que o Herói só mata o Vilão, apenas nos filmes.

Ao fim de alguns anos metido nesta vida, peço-vos que não contem à minha mulher, e sempre que falava com certo produtor ou com certo enólogo o que saltava à vista é que o vinho deles era o melhor. O do vizinho não nada tinha a haver. Postura certa, defender o que é nosso. Mas, mas por alguma vez, nem que seja por breves instantes, provaram o do vizinho despido de preconceitos? É que, aqui para nós, também julgo ter o melhor blog do mundo. A maçada é que não é assim. ;)
Será tão dualista a realidade em que vivemos?

Epílogo

O mundo ao que parece está, ainda, em transformação e existe no ar a sensação de que não iremos ficar por aqui.

domingo, Outubro 09, 2011

Vindimas no Dão, Parte I

As vindimas estão, quase, a pisar a linha final. Quase tudo está colhido, desengaçado ou não, e a fermentar. O cheiro do lagar viaja por todos os recantos, sente-se o rebuliço dos tractores a entrarem e a sairem. Garotos e graúdos mexericam. Caixas e caixotes por tudo quanto é sítio. Há muito, muito, tempo que não sentia, não observava tamanha demanda. Que saudades, que maldito martírio é viver emparedado pelo betão.

Por entre provas e reprovas, por entre meio de cubas e lagares, sobressaíram algumas promessas. Deposito muita confiança no crescimento e amadurecimento de diversos líquidos que, agora, se apresentaram, é certo, imberbes.

Entre eles, encontram-se os primeiros vinhos brancos da Casa da Passarela. Um Colheita com Viosinho e Gouveio. Com a frescura a rasgar a boca e a mostrar boa fruta. 

A aposta recai, sem qualquer receio, no Encruzado que já estagia em pipas de madeira usada, nova e em inox. Mais parcimonioso, mais elitista e aburguesado.

Os lotes dos tintos mantêm, sem desvio, o perfil idealizado pelo cérebro da casa. Limpos, francos no trato, e acima de tudo descomplexados. Começo acreditar que o custoso é não complicar.

Tempo, ainda, para brincar ao loteamento tal como uma criança de volta dos seus brinquedos. Pura diversão enófila...

Curiosa a prova de amostras de Tinta Roriz, vindas de diferentes parcelas de vinha. Umas maduras, sobremaduras, outras nem tanto, outras vegetais e lagarentas. Preferi, naturalmente, as últimas.

Por estes lados, não se ouviram queixas. O produto aparenta estar são e preparado para dar continuidade à caminhada que começou há pouco e que está longe de terminada.

Aguardemos, agora, pelo desenlace da história e ver se o final será feliz ou nem tanto.