Não há dúvida que somos, todos, bichos carregados de manias, com tiques mais ou menos nervosos. Com uma velocidade quase anómala, sem qualquer justificação plausível e sem fundamentação, deixamos de gostar do que gostávamos, para, agora, passarmos a gostar de coisas que não sabemos, muito bem, o que são e como são. Apenas gostamos. Muito ao estilo das crianças e ou de jovens em período de puberdade.
Em tempos idos, não muito, idolatravam-se os vinhos alentejanos. Eram o novo mundo dentro do velho mundo. Era a modernidade, o fim dos defeitos, o começo de uma nova época, o arranque da dinastia dos vinhos desenhados com preceito, sem falhas, redondos, sem aresta.
Surge, entretanto, o Douro, com os seus vinhos de mesa opulentos, musculados, firmes e escuros. Agora sim, estávamos a par dos maiores do mundo. Não havia que ter medo, com o Mourinho nas adegas e o Cristiano Ronaldo engarrafado, podíamos jogar na liga dos grandes.
Pelo meio, nada de jeito. Dão, Bairrada, Verdes, Estremadura, Sado e restantes entretinham-se, por culpa própria, a lutar pelas sobras.
Pois bem, enfastiados, o povo conhecedor passou a falar de objectos diferentes. Cousas mais estranhas, segundo uns, cousas para intelectuais, segundo outros, esquecendo que algumas dessas cousas, salvo raras, muito raras excepções, comportam-se como puros alentejanos ou durienses.
Douro, Alentejo? Esqueçam isso, malta, que é cenário para imberbes. O que virá depois? Apostas?