terça-feira, maio 31, 2011

Melhor que isto, não há!

Hum...o dedo martela na tecla: tac, tec, tac, tec. O que devo palrar? Tac, tec, tac, tec. Faço um descritor? Tac, tec, tac, tec. Vou largar conhecimento, douto por sinal, ou simplesmente continuo a comportar-me com agente publicitário? Hum...fico, por vezes, com a ideia que rondam, muito perto, uns estranhos tiques de marketeer ou, como disse, publicitário nada encartado. Em troca de vinho, grátis, digo bem dele. Quando não gosto, uso pimenta doce e meias palavras. É um circuito directo, sem intermediários, sem outros intervenientes. Uma linha recta e sem desvios. 

Já viram o que se poupa neste processo de divulgação? Feitas as contas, temos apenas uma botelha, a embalagem e os portes, a pagar, de preferência, pelo remetente. Do outro lado da linha, está sempre um individuo, muito disponível, para receber o produto, avaliá-lo de forma muito independente e íntegra. É claro, que o destino final é consumir o tal produto, sozinho ou, de preferência, com uns amigos. Basta, depois, debitar duas ou três linhas e chancelar com uma nota. Existe processo mais ligeiro que este?

sábado, maio 28, 2011

Jogada da Noite: Casa de Saima Reserva 2008

Inesperadamente surge um vinho com estilo. Inesperadamente, porque não estava à espera, porque as expectativas eram baixas. O acto de comprar, ou de apostar, como sabem, transporta muitas incógnitas, risco inerentes. Umas vezes, poucas, compensa, outras vezes, muitas, não! O risco aumenta, quase exponencialmente, quando falamos de vinhos brancos, !?com alguma idade!?.
Jogando uma valente cartada, coloca-se em cima da mesa um Casa de Saima Reserva 2008.

Um bairradino cimentado com as castas Maria Gomes e Bical. Com a cor a tombar para tonalidades mais carregadas, com cheiros e sabores a cambiarem entre o favo de mel, a erva doce, o feno fresco, a mimosa e maçã reineta. Vivo e, ainda, fresco. A merecer muita atenção. Simplesmente um vinho branco respeitável, eventualmente pouco consensual, de estirpe mais tradicionalista, limpo de exuberâncias, e que se encontra com alguma facilmente, digo eu, numa qualquer banca comercial.

quinta-feira, maio 26, 2011

De respeito!

Palavras para quê? Ocupam o tempo e saturam. Por vezes, a boca serve, também, para outros ofícios.

Para apreciar, por exemplo, parte ou partes da natureza. Cozinhada, por sinal. Para limpar a boca o que sugerem?

segunda-feira, maio 23, 2011

Cloudy Bay Marlborough 2009

Hum...mais outra estreia, p'ra mim é claro, e nem consigo pronunciar Marlborough. Enrola-se-me a língua. Com o continuar da senda, ainda sou despromovido com tanto desconhecimento. Até parece mal, vindo de um gajo blogger. Que prosaísmo!

Bebido sem saber a sua precedência. Um sauvignon blanc que surgiu fumado no arranque. Austero, quase sempre. Fortemente vegetal, com o espargo bem presente (já, agora, tenho andado de barriga farta: umas vezes espargos do Norte, outras vezes espargos do Sul) e com muita maçã verde e ácida.

Seco no sabor, crocante e cortante. Ao fim ao cabo gostei, muito, da coisa, mas não me perguntem pelo preço. Não faço a mínima ideia. De qualquer modo, fica a dica.

sábado, maio 21, 2011

Ossian vs Soalheiro Reserva? Venha o primeiro...

Diria que é uma luta de titãs, tais gigantes. Um pertence aos maiores de Portugal, o outro creio que não seja pequeno em Espanha.
Disse, uma vez, que são pormenores que influenciam a escolha. O detalhe resume-me, meramente, a uma questão de opção. Nada de ciência fundamentada. Ou um ou o outro.  Sem grelhas, nem itens, nem outras coisas mais. Simples empirismo. Façam, vocês, o mesmo e esqueçam aqueles que dizem o contrário. Uns já o são, os outros querem ser, mas não dizem.

Um dupla de respeito. Julgo que o Soalheiro Reserva terá sido estreia. O Ossian, não. Ambos da colheita de 2008. O nacional estava mais feito, mais apelativo, mais consensual. Para todos gostarem. O espanhol estava mais jovem, mais duro, menos conversador. Mais masculino. Como o rótulo sugiu tapado, e para agradar os detractores da causa nacional, a minha escolha pendeu para o espanholito.
Para quem anda atento aos preços, perceberá, facilmente, que são vinhos que passam a barreira dos 20€, num ápice.

quinta-feira, maio 19, 2011

Novamente sob o Domínio dos Brancos

Ultrapassado mais um ano, e em jeito de encerramento das actividades do célebre Núcleo Duro, a mesma mulher voltou a meter na mesa uma panóplia de vinhos brancos. É tradição, imposta, a ganhar terreno.

A coisa foi interessante e os homens estiveram calados, obedientes e sem resmungar. E ninguém se queixou por ver diminuída a sua masculinidade. Sinais de evolução e quebra de preconceitos. É bem.


Lá mais para a frente, assim que der na veneta, irei dando conta do que, literalmente, se bebeu. Foram poucas as gotas que ficaram por ser consumidas.

sábado, maio 14, 2011

Aalto vs Garrida? Venha o segundo...

Prova cega com tema livre. Cada um levou o que lhe pareceu ser interessante. Preceitos simples e o resto ficou-se pela cavaqueira. Nada de ambientes formais, elegantes e/ou requintados. Adiante que a história é outra.
Não é a primeira vez, parece-me que não será a última, que enfiam-me nas beiças o Aalto e sempre que tal acto acontece é relegado para segundo plano. Não existe empatia, não existe paixão, não existe conversa. Vinho carregado de madeira, extraído, queimado. Dir-me-ão que estou louco, que perdi o tino, de uma vez por todas, ou que estarei, quem sabe, a dar a machada de misericórdia na minha, muito pouca, credibilidade enófila. Que seja!

É, algum tempo, um vinho que não enche as minhas medidas. Tem um estilo que não aprecio, que cansa, que enfarta. Já sei, estarão outros a dizer: Está ainda jovem, muito novo. Precisa de tempo. A argumentação usada para definir o Aalto são é a mesma que continuamente, e repetidamente, escolho para massacrar alguns vinhos nacionais.

Em contrapartida, caiu-me no goto o Quinta da Garrida. Muito mais fresco, muito mais mineral, mais engraçado. Estarão, agora, com a mona a pensar: Pois a prova foi combinada e não teve nada de cega. Ou, enventualmente, houve um arranjinho final. Mas não! Fui simplesmente o único, dos presentes, a preferir este, do Dão moderno, em detrimento do outro, espanhol todo modernaço.
Confusão armada, risota e chacota. Basicamente cada bebe o que gosta e compra o que quer, não é?

terça-feira, maio 10, 2011

Quinta do Escudial, o fim da jornada!

Fecho, até ver, mais uma jornada do Dão. Grão a grão, tal galinha picando, vai-se preenchendo o mapa. O objectivo, final, é ficar com as vistas alargadas, se possível fundamentada sobre o que se vai fazendo pelo Dão.

O enfoque, agora, foi o Dão serrano que começou na Quinta da Ponte Pedrinha, passando pela Casa do Monte Aljão.

Em todos os comentários soltos, há uma forte componente pessoal, que não escondo, e de emoção, que não tapo. Nunca usei, nem usarei, palavras de critíco encapotado. É personagem que não me fica bem. Espero, e desejo, ser simplesmente um homem com as suas paixões e os seus ódios. Com as suas ilusões e desilusões. Não esconderei a minha opinião. Ela é o que é e vale o que vale. Sempre que apetecer, largarei, sem qualquer pejo, as bacoradas que apetecer. Tento viver no branco e no preto.

Quinta do Escudial foi, recentemente, terreno de união, de concertação entre um grupo de pequenos produtores do Dão do sopé da Serra da Estrela *.
Numa tarde e noite, e pela primeira vez, estiveram juntos homens e mulheres que trabalham a terra, que vivem os seus sonhos e fazem os seus vinhos. Tentam fazer o melhor que podem e o melhor que conseguem. Mas sempre com labor, empenho e, porque não, paixão.

Os vinhos apresentados abarcavam diversos estilos. Brancos, tintos e colheitas tardias. Sem barrica, com barrica. Vinha velha, vinha nova. Uns mais rústicos, outros menos rústicos. Uns mais puristas, outros mais progressistas. Vasto leque de opções, acessíveis a preços, na generalidade, inferiores a 15€. Consequência da discrição, do esquecimento a que são votados? Ou apenas players de ligas secundárias, desprovidos de capacidade financeira? Sem apontar o dedo a nenhum, não seria justo, os vinhos presentes se tivessem outra chancela, a gritaria seria maior e os preços bem mais elevados.

Lanço o repto, se me permitem: Aproveitem, agora, o arranque. A corrida começouAs sementes foram largadas ao solo. Reguem-nas, façam-nas crescer.
Num mundo global e globalizante, com a informação a circular a uma velocidade louca, lutar sozinho é acelerar a morte, a extinção. O tempo da solidão acabou. Criem sinergias, cooperem.

O consumidor, esse bicho estranho, não se compadece com o Síndrome de Colimero. É voraz e não tem paciência.

* - Quinta do Escudial, Quinta da Bica, Quinta da Ponte Pedrinha, Casa da Passarela, Casa do Monte Aljão, Quinta de Nespereira, Quinta do Corujão, Quinta da Tapada do Barro, Adega Cooperativa de Tazem.

quinta-feira, maio 05, 2011

Quinta da Bica, a nobreza do Dão

Continuando na minha, só minha, rota serrana do Dão, ali entre Gouveia e Seia e longe da balbúrdia urbana, penetro por entre a grande porta que marca a jurisdição da Quinta da Bica.

As vistas são bucólicas, pintadas de verde. O tempo, aqui, parece que corre de modo diferente. Sem os ponteiros a rodar. Parados? Que seja. O gado, no prado, refastelava-se por entre as ervas frescas e carnudas. Calmaria...

Espaço imponente, edificio de matriz setecentista, cercado por árvores de porte altivo, frondoso, amparado pela serra. Tudo soa a outras épocas. Rangem sons deslocados da realidade de agora. Calma, silêncio, descrição e timbre suave.

É-se recebido pela Matricarca da família. Senhora elegante que explicou, sem enfado, a história do domínio. As palavras foram saindo, pausadamente, embebidas pelo orgulho da longa história que transporta nos ombros.

Fez-se a viagem pelo tempo. Julguei-me vestido com outros trajes, tal puto num livro de aventuras de capa e espada.

Numa varanda imponente, virada para a enorme parede de granito, somos brindados por um Touriga Nacional de 2001. Não se comercializa. São poucas garrafas. É reserva familiar. É vinho de família. Marca uma viragem, um acontecimento. Há que saber interpretá-lo. Sedoso, elegantíssimo, fino no trato. Vinho que nos leva a olhar para o horizonte. É, efectivamente, um hino de homenagem ao homem que o fez. Por isso, deste lado, também saúdo: Salut!

É Quinta que merece uma visita demorada. Certamente serão brindados com qualquer coisa. Peçam um Reserva. Não se acanhem. Pode ser o 2005, pode ser o 2004 ou o 2003. Não sairão, de lá, arrependidos.

terça-feira, maio 03, 2011

Casa da Passarela, a visita!

Foi desejo cumprido. Anos e anos a olhar lá para dentro, a espreitar pelo muro, pelas grades do portão, sem nunca o transpor. Muito se passou pela cabeça. Muito se imaginou sobre o que se passaria. Lá dentro do cercado, estão vinhas, casas e armazéns. Um agrupamento de edifícios que fazem parte da história da região, que pertencem ao Dão. Um património de todos.

Visita guiada por um homem jovem, que tem nas suas mãos o peso de uma casa que marcou, durante gerações e gerações, o destino de várias pessoas. Um homem que tomou nas suas mãos a tarefa, difícil mas desafiadora e desafiante, de voltar a meter este domínio no mapa dos vinhos portugueses.

As palavras de Paulo Nunes, o enólogo, transbordavam de emoção, vestidas com uma vontade férrea de fazer qualquer coisa que dignifique a história da Passarela. Fazer esquecer o decadente passado mais recente. Na verdade, a história, os sussurros de outras épocas encontravam-se por todos os recantos e cantos, espreitavam por cima do ombro. O peso e responsabilidade são draconianos. Mas não impossíveis.

Vinhas amplas, pouco acanhadas. Delas saem, agora, uma quadriga de vinhos (Colheita, Colheita Seleccionada, Reserva e Vinhas Velhas) com tudo para ter sucesso. Vinhos, tintos, todos de 2008. Marcante o Vinhas Velhas. Tem carácter, com garra. Tem elegância, consegue ter, ainda, aquele comportamento simbiótico que permite ser amado por puristas e compreendido por progressistas. Com pouco mais de 8€, tem-se acesso a um tinto digno, muito, capaz de jogar olhos nos olhos com outros de outra estirpe.

Contaram-se, ainda, estórias e histórias. Estórias e histórias deste país. Umas rocambolescas, outras mais prosaicas. Todas, elas, deram azo a conjecturas, a teorias mais ou menos descabidas.