terça-feira, Novembro 08, 2011

A minha Garrafeira

Tenho estado a reconverter o meu aglomerado de garrafas. Deixarei de falar em garrafeira. Parece-me expressão exagerada para o património que possuo e que alguma vez possuirei.

Neste reajustamento, tenho reparado que o valor por garrafa baixou drasticamente. Os dedos de uma só mão chegarão, neste momento, para contar vinhos de semblante mais celestial. O valor médio do espólio andará pelos quinze/vinte euros por vasilhame, com tendência para descrescer ainda mais. 

A aposta é/será no produto nacional. Não irei perder tempo com o novel paradigma que defende que fazemos, apenas e só apenas, réplicas, sem alma e sem futuro. Curioso, e já agora, não ver ninguém no meio da i-enofilia dedicar-se exclusivamente ao estudo, à divulgação do admirável mundo do vinho estrangeiro. Seria, numa altura em que se procuram novas oportunidades, outras chances, o timing perfeito para marcar a diferença. Vá lá, aproveitem o conselho. Recordaria tempos, os mais novitos não se lembrarão, em que o produto estrangeiro era preferido ao nacional, nem que fosse feito na Conchinchina e vendido em Ceuta.

Ao fim de alguns anos, continuo a ter o mesmo comportamento nas preferências. O Alentejo é residual. O Douro e o Dão ocupam esmagadoramente os alvéolos disponíveis. Tenho, ainda, a posse de alguns tintos da Bairrada. Restantes regiões demarcadas vão marcando presença de forma esporádica.
Ainda outra coisa: O vinho fica pouco tempo em depósito. Assim que possa, que queira, por um motivo ou por outro, é despachado. Foi feito para ser bebido. Saberei lá se estarei aqui, no amanhã ou no depois de amanhã. Tudo, portanto, numa lógica de comprar e consumir.

4 comentários:

J Pires/C Soares disse...

Belíssima Oração!

Pingus Vinicus disse...

É mais outra confissão! ;)

José Meirinho Esteves disse...

clap clap clap! :) acabei de selar uns caixotes de madeira com pregos, cheios de vinhos de que mantenho "cópias para uso imediado" mais à mão, com vontade de os beber em um ou dois anos, e conhecer a forma como envelhecem.

uma boa ode à guarda de vinho, que sim, é para beber! :)

João Barbosa disse...

eu também sou mais Douro e ando mais Dão. Do Alentejo tenho conhecido muitos e muito bem feitos, interesse é que têm tido pouco (há excepções)