terça-feira, Maio 10, 2011

Quinta do Escudial, o fim da jornada!

Fecho, até ver, mais uma jornada do Dão. Grão a grão, tal galinha picando, vai-se preenchendo o mapa. O objectivo, final, é ficar com as vistas alargadas, se possível fundamentada sobre o que se vai fazendo pelo Dão.

O enfoque, agora, foi o Dão serrano que começou na Quinta da Ponte Pedrinha, passando pela Casa do Monte Aljão.

Em todos os comentários soltos, há uma forte componente pessoal, que não escondo, e de emoção, que não tapo. Nunca usei, nem usarei, palavras de critíco encapotado. É personagem que não me fica bem. Espero, e desejo, ser simplesmente um homem com as suas paixões e os seus ódios. Com as suas ilusões e desilusões. Não esconderei a minha opinião. Ela é o que é e vale o que vale. Sempre que apetecer, largarei, sem qualquer pejo, as bacoradas que apetecer. Tento viver no branco e no preto.

Quinta do Escudial foi, recentemente, terreno de união, de concertação entre um grupo de pequenos produtores do Dão do sopé da Serra da Estrela *.
Numa tarde e noite, e pela primeira vez, estiveram juntos homens e mulheres que trabalham a terra, que vivem os seus sonhos e fazem os seus vinhos. Tentam fazer o melhor que podem e o melhor que conseguem. Mas sempre com labor, empenho e, porque não, paixão.

Os vinhos apresentados abarcavam diversos estilos. Brancos, tintos e colheitas tardias. Sem barrica, com barrica. Vinha velha, vinha nova. Uns mais rústicos, outros menos rústicos. Uns mais puristas, outros mais progressistas. Vasto leque de opções, acessíveis a preços, na generalidade, inferiores a 15€. Consequência da discrição, do esquecimento a que são votados? Ou apenas players de ligas secundárias, desprovidos de capacidade financeira? Sem apontar o dedo a nenhum, não seria justo, os vinhos presentes se tivessem outra chancela, a gritaria seria maior e os preços bem mais elevados.

Lanço o repto, se me permitem: Aproveitem, agora, o arranque. A corrida começouAs sementes foram largadas ao solo. Reguem-nas, façam-nas crescer.
Num mundo global e globalizante, com a informação a circular a uma velocidade louca, lutar sozinho é acelerar a morte, a extinção. O tempo da solidão acabou. Criem sinergias, cooperem.

O consumidor, esse bicho estranho, não se compadece com o Síndrome de Colimero. É voraz e não tem paciência.

* - Quinta do Escudial, Quinta da Bica, Quinta da Ponte Pedrinha, Casa da Passarela, Casa do Monte Aljão, Quinta de Nespereira, Quinta do Corujão, Quinta da Tapada do Barro, Adega Cooperativa de Tazem.

3 comentários:

Emilio disse...

Belissimo post, Rui.
Há algum tempo deixei cá um comentário onde escrevei que talvez parte do encanto do Dâo seja a sua pouca? má? difussâo nos "mass media". É verdade que o consumidor é "soberano" mas também té de por alguma coisa da sua parte.
Arrisco á ser olhado como quem té um conceito demais alto dele mesmo -um Mourinho espanhol, hehehe- mas eu, como consumidor, tenho lido, estudiado... e depois disso vou escolher. Se só presto atençao aos "mass media", nâo conheceria outra coisa que Ribera, Rioja (Espanha), Douro, Alentejo (Portugal), Chianti (Italia)...

NUNO OLIVEIRA GARCIA disse...

Pena a velha guarda não estar completa.

NOG

Pingus Vinicus disse...

Tens razão Emilio no que dizes, mas sabes que muito dificilmente um cidadão médio irá interessar-se por regiões menos conhecidas.

As próprias "Mass Média", não têm muito interesse em divulgar, mesmo que digam o contrário, o que se vai fazendo em outros lugares menos conhecidos.