segunda-feira, julho 19, 2010

Farto

Tenho, nestes últimos dias, enfiado nos copos muito vinho, bom, mas que não emociona. Vinhos sem erros e sem falhas. Copo após copo, trago após trago, dou comigo enfadado com aquilo vou bebendo. Estarei saturado? Ou a cuspir no prato que dá de comer?

As garrafas atrás de garrafas são colocadas de lado, ao fim de meia dúzia de gotas. Num ápice, arrolha-se e passa-se à seguinte.
Para aqueles que desdenham de nós e que baptizaram a trupe de máquinas de prova, estou dísponível para oferecer os despojos. Melhor, vou começar a convidar regularmente alguém para ajudar a esvaziar os vasilhames. Quem se oferece? Garanto que os cheiros e sabores andarão em redor da fruta madura, da madeira, dos fumados e do chocolate. Coisas da moda

quinta-feira, julho 15, 2010

Ermelinda Freitas Sauvignon Blanc & Verdelho 2009

Simplesmente pura ilustração de desapontamento. A primeira vez que coloquei nas beiças o vinho, pareceu-me ter ali qualquer coisa interessante, algo diferente. Talvez a singular conjugação das castas potenciasse o meu entusiasmo. Assim, sem mais nem menos, fixei a ideia que era um vinho fresco, cristalino, vegetal e citrino.

Ultrapassados alguns meses, desde o primeiro contacto com o vinho, cai de forma bruta e abrupta uma paulada de desilusão. Nada batia certo com o que tinha ficado guardado na mona. O vinho era gordo, intenso, cheio de madeira. Comportou-se, em certos momentos, com enfado, quase incómodo. Exibiu, de forma excessiva, demasiados ornamentos. Não aguentava estar fora do gelo, do frio, por muito tempo. Um simples descuido, com os ponteiros, e o velhaco transformava-se num rol de sensações exageradamente novo mundistas e urbanas. Teremos vinho orientado para o Inverno? Ou estarei errado?

Post Scriptum: Vinho enviado pelo Produtor.

sábado, julho 10, 2010

Brancos com 10 anos!?

Eventualmente, digo eu, nunca pertenceram à primeira liga. Na verdade, e olhando para o ano, não recordo com facilidade vinhos brancos de grande nomeada. A colheita 2000 foi, permitam-me a certeza, essencialmente marcada pelas chamadas bombas tintas (sempre fez confusão o uso desta terminologia guerreira). Mais tarde percebi, acho, que essa expressão definia o estilo e o preço a que eram vendidos esses engenhos enófilos. Emergiam como cogumelos em todos os lados. Passaram a ser o orgulho de cada produtor. Ai daquele que não tivesse, no seu arsenal, uma arma destas. O branco, esse bastardo, servia apenas para refrescar a goela, dar às mulheres e pouco mais.
Volvida uma década, continuamos a ser bombardeados pelos tais  projecteis, mas a artilharia parece mais diversificada, com o vinho branco a querer marcar posição forte na estratégia de cada produtor.

Findo o frequente zig zag, lanço para o ar meia dúzia de balelas sobre dois vinhos, brancos, com 10 anos. O Quinta do Cabriz (Dão) Malvasia Fina que surgiu carregado de impressões a leite creme, bem tostado. Com frutos secos, com laranja, com casca de laranja. Conseguiu, apesar de periclitante, revelar-se untuoso, gordo e fresco. O outro, do Douro, Quinta dos Ramozeiros, ergueu-se seco, com mais fruta. Melado, com menta. Fino, talvez quiçá, mais delicado que o Cabriz, mas curiosamente mais interessante.
Foram, e é o que interessa para o caso, dois momentos de aventura enófila. Duas garrafas saudáveis que conseguiram guardar, em condições razoáveis, vinhos capazes de oferecer gozo. As notas, essas malvadas, não apareceram. Não apeteceu. Ó diabo!

quinta-feira, julho 08, 2010

Quinta da Ponte Pedrinha (Dão) Branco Colheita 2009

É, ainda, com emoção que recordo o dia passado nesta quinta. Um recanto ali à mão de semear que, quase, não se faz notar. Depois o espaço está impregnado de uma feminilidade invulgar. Era um mundo comandado e governado por mulheres.

O vinho é simples, mas não papalvo. É franco no trato, não finge ser aquilo que não é e que não pode ser. É sincero. Recordo, mais uma vez, as palavras da Catarina: isto é o que a natureza dá
O objectivo, digo eu, é ser fresco, é dar prazer, é fazer-nos engolir mais um trago, mais um gole.
Os cheiros e sabores surgiram empertigados de sensações secas, num registo conservador e pouco dado a exostismos desmesurados. Para um vinho branco, de baixo custo, não é normal este comportamento. E bebam-no.

Post Scriptum: Vinho enviado pelo Produtor.

segunda-feira, julho 05, 2010

Domaine Zind-Humbrecht, Alsace

Para começar, não conheço. Ficam, para já, esclarecidos. Sei que, provavelmente, alguns de vós estarão chocados com esta declaração. Adiante.
O nome do vinho, ZIND, dava ideia de qualquer coisa extra-terráqueo. Vinho de além terra?

O vinho, esse, apresentou-se untuoso e gordo. A fruta parecia ser ampla e diversa. Banana, ananás, laranja, limão, flor. Diria que havia, ainda, mais qualquer coisa. Talvez coco, talvez baunilha, talvez sugestões descoladas da realidade. Que se lixe, cada um inventa o que quiser.
O sabor era extenso, dilatado, quase mastigável, coberto de frescura e com a acidez a mexer. Coisa curiosaNota Pessoal: 16

Post Scriptum: O Pingamor abandonou as classificações. Concordei com a ideia. Espero, no entanto, que não tenha sido influência deste post.

domingo, julho 04, 2010

Vértice e Terra - a -Terra no Ritz

No pretérito dia 30 de Junho, Celso Pereira, juntamente com a sua trupe (Jorge Alves e Pedro Guedes), esteve no Ritz para dar a conhecer ao povo, algumas das suas novas colheitas. Espumantes, Brancos e Tintos das Caves Transmontanas e Quanta Terra. 

Num estilo leve, cheio de palavras simples e perceptíveis, fomos ouvindo os acordes dos mestres. Gostei da forma como a actividade foi proposta. As mesas redondas apelavam à interactividade entre e provadores e enólogos. 

A série de provas começou com o Espumante Rosé 2009, avançou com o Espumante Gouveio 2005 que cada vez está mais conseguido, mais complexo, mais apurado. Mudou-se de agulha e enfiram-nos no copo o Terra-a-Terra Reserva Branco 2009. Um vinho, dos nossos dias, que podia ser de qualquer recanto do mundo. Coberto de tropicalidade, exuberante e torneado. Ideal para convencer uma mulher.

Na mudança da cor, o primeiro a ser testado foi o Terra-a-Terra Reserva 2007. Um tinto limado, de fácil agrado. Um estilo, moderno, que irá satisfazer uma carrada de gente. O último a prestar provas, o Vértice Colheita 2008, revelou um carácter, talvez, mais duriense, mais genuino, mais nosso. Deu, indubitavelmente, mais luta.
Antes de levantar ferro, fica a convicção, reforçada, que a ideia primeira destes homens é oferecer vinhos com arte para agradar logo à primeira vista. Quem consegue criticar? Eu, não!