terça-feira, julho 29, 2008

Companhia das Lezírias Verdelho 2007


Assumo que não sei qual é o verdadeiro comportamento da casta. Sei, unicamente, que existem (muitos) enófilos apaixonados por ela. Dizem que quando é bem trabalhada dá origem a vinhos brancos (muito) frescos, crocantes e vibrantes. Por cá, conheço meia dúzia deles. Nenhum conseguiu abrir a minha boca de admiração. Por um motivo ou por outro, acabavam por ser apenas vinhos brancos.

Desta vez, arrisquei em mais um Verdelho nacional. Um Verdelho feito pela Companhia das Lezírias, da colheita de 2007.
Cheiro a mais, cheiro a menos, sabor a mais, sabor a menos, este Verdelho acabou por cair no saco das (minhas) desilusões. Não contando com aquilo se lê, que se ouve sobre a casta, este branco comportou-se de forma idêntica a tantos vinhos que proliferam pelas prateleiras. Correcto, mas sem deslumbrar.
Vegetal, lima e limão e um pouco de maçã marcaram os aromas e sabores. Nada de grandes intensidades, nada de grandes exuberâncias. Para ser franco, em alguns momentos, deu a ideia que adormecia, desaparecia do copo sem dizer nada. Só com algumas sacudidelas é que mexia um pouco mais.
Na boca, estava à espera decididamente de mais frescura, de vibração (estou a ter em conta aquilo que ouço). Entrava e desaparecia num ápice. Pelo meio, poucos sabores largava.
O final era levemente vegetal, com a lima a deixar a sua marca.

Em jeito de resumo, um vinho branco que valeu (apenas) pela sua limpeza e correcção. De resto, pautou o seu comportamento pela mediania e pela (exagerada) discrição. É meramente (mais) um vinho para beber e não pensar muito. Cumpre a função. Nota Pessoal: 13
Post Scriptum: Pode ser que a próxima garrafa seja bem mais interessante que esta.

sexta-feira, julho 25, 2008

Provocações Enófilas

Não sou versado em artigos de opinião (talvez défice de formação). Para mim o vinho é para beber, para obter prazer (que nem sempre acontece) e falar com ele de forma solta. Descobrir ou inventar aromas e sabores (o que acontece com 90% dos meus descritores).
Ele ajuda-me a viajar, a reflectir sobre a vida, descontrair, descansar.

Não penso muito se o ano x é assim, o ano y é assado. Que as encostas estão viradas a norte, as correntes marítimas vêem lá do Oceano, que a montanha protege do vento. Que isto, que aquilo. Estas questões são para quem vive do assunto ou para quem quer viver. Pessoalmente, cabe-me (apenas) a função de ler e tentar perceber. Nada mais.
De qualquer maneira, e apesar deste indigno comportamento que para muitos é extremamente redutor e limitativo, não deixo de pensar em alguns assuntos (muito superficialmente). Essencialmente gosto de especular, de criar confusão (para mim).
  • E se o mundo da crítica fosse pulverizado? Isto é apareciam por aí mais duas, três revistas, mais uns quantos críticos (no verdadeiro sentido da palavra). Nós (consumidores) ganharíamos se isto fosse estilhaçado? O mercado teria capacidade para absorver esta avalanche ou as coisas acabariam por ficar na mesma?
  • Se os críticos assumissem, de uma vez por todas, os seus gostos pessoais, as suas tendências, criando nichos de clientela, será que cada produtor iria pensar o seu vinho de forma mais livre?
  • Fala-se (muito) numa desejada mudança de perfil dos vinhos. Pedem-se vinhos mais elegantes (se bem que não sabemos o que isso quer dizer). Diz-se por aí que andamos fartos das bombas, dos vinhos super concentrados (tá na moda e é bonito dizer isto), mas será que desejamos, de facto, essa mudança? E o que queremos em troca?
  • E os vinhos são avaliados de 0 a 20 ou de 14 a 20? Porque é que assistimos sistematicamente a notas superiores a 15? É para agradar a todos? Lembram-se da escola e da dificuldade que era tirar uma nota superior a 14 e a dignidade que era levar para casa um teste com 12,5 ou 13?
  • E, no meio deste caldo fervescente, seria possível um crítico assumir frontalmente que é um crítico do povo, que apenas se dedica a provar vinhos de preço inferior a 10€? (Tenho a leve sensação que anda por aí muita gente que se envergonha de dizer que bebe vinho barato. Correm loucamente à procura de vinhos que o comum não conhece, só para dizer: bebi no outro dia, na casa de fulano tal, um vinho que nem te passa pela cabeça).

terça-feira, julho 22, 2008

Quinta do Soque (Douro) 2004

Depois do rosé, vamos para o tinto da colheita de 2004. Este tinto do Douro encerra dentro de si uma panóplia de castas que vão desde a Tinta Roriz, passando pela Touriga Nacional e pela Touriga Franca acabando na Tinta Barroca. Uma pequena amostra do Douro, simplesmente enfiada dentro de uma garrafa.

Saltemos para a prova. Na primeira abordagem feita ao tinto, pareceu-me ter detectado sugestões de aspecto vegetal, com predominância para a casca de árvore, para a esteva, para o cedro. A contínua evolução no copo permitiu descortinar umas raspas balsâmicas que se misturavam com um razoável conjunto de flores (de tamanho rasteiro), reforçando, deste modo, o aspecto silvestre do vinho. Solto desta linha mais clássica, vira-se para aromas mais modernos, mais urbanos. Surgiram, de forma vincada, boas notas de cacau, de folhas de tabaco e fruta de cor preta (sumarenta e gulosa). Por entremeio, algumas pitadas de madeira exótica e especiaria davam-lhe um pouco mais de complexidade. Tudo (bem) limado e sem arestas.
Um conjunto aromático franco e limpo, fácil de cativar.
Fresco na boca, com boa duração, sentindo-se essencialmente cacau e tabaco. Escorreito desde que entrava até que saía.

Meu caros, em jeito de conclusão, em jeito de remate, temos aqui um vinho redondo, fresco, muito apelativo, capaz de satisfazer um alargado leque de consumidores. E, ao contrário de muitos, não enjoa. Não é isto que procuramos? Nota Pessoal: 15,5


Post Scrip
tum: Aproveito, agora, para dizer-vos que a Quinta do Soque situa-se no Concelho de São da Pesqueira, na margem esquerda do Rio Torto. A enologia está a cargo de 2PR.

quarta-feira, julho 16, 2008

Lisa Rosé 2007


Meto-me, outra vez, por entre rosés. Voltei a escolher um que veio das Terras do Sado, proveniente de Catralvos, elaborado a partir de uma combinação entre a Touriga Nacional e a Syrah.

Bom, o que apetece dizer sobre ele? Em termos gerais, é um vinho que toca (em demasia) naquele lado doce, gelatinoso. Esta foi a melhor definição que encontrei para caracterizar o vinho. Forte sensação a gelatina de morango ou de framboesa. Este envolvimento açucarado aumentou de intensidade com a impressão a geleia. Reforçava, apenas, o ar pegajoso e espesso. Nem umas fugazes notas de hortelã conseguiram aliviar toda esta pressão.
Os sabores tinham intensidade muito mediana e não fizeram mais do que confirmar os cheiros. Nem mais, nem menos. Gelatinas e geleias.
Acompanhamento? Decididamente um vinho para sobremesa, para acompanhar uma tarte de morangos, de amoras, de framboesas ou coisa que o valha. A título pessoal, é um vinho muito doce e que abusa em demasia do açúcar, para além de ser chato. Para beber muito, muito fresco.
Não fiquei convencido, no entanto acredito que seja um estilo. Não é o meu. Nota Pessoal: 12

terça-feira, julho 15, 2008

Quinta das Maias Malvasia Fina 2007

Não sei se acontece com vocês, mas existem vinhos que caem no goto. Nem sempre são os melhores, nem aqueles que, geralmente, usamos para fazer pirraça. Efectivamente, raramente estão na primeira linha.

Este fenómeno, mais ou menos inexplicável, acontece com o Quinta das Maias Malvasia Fina. É um branco que anda sempre debaixo de olho. Regresso a ele, agora, com a colheita de 2007.

Os cheiros eram tendencialmente vegetais, frescos na intensidade. A erva estava muito (bem) molhada. A fruta, que apareceu, tinha perfil ácido, refrescante. Era como estivesse perante um batido com limão, maçã, lima e pêra. Tudo (muito) coeso.
Depois muda de agulha e surge com um conjunto de aromas (muito) florais. Flor de giesta, flor de mimosa, flor de laranjeira. Imprime uma sensação doce, muito apelativa.
Tudo isto estava (bem) amparado pela pedra molhada, pela ribeira. A madeira era (muito) suave (agora com fermentação parcial), dando aqui e além uns pequenos toques a frutos secos, muito discretos.
Boca fresca, com boa amplitude. Desde o início até ao fim, a dimensão ácida e vibrante marcou presença. Com alguma finura.
O final é marcado pela mineralidade e pela madeira (sempre num timbre muito brando).
Não sendo um vinho estruturado, o que tem para apresentar (complexidade) é mais que suficiente para ser sentido.
Está muito interessante este Malvasia Fina e olhem que está pronto para ser bebido durante as tardes de Verão, aproveitando ao máximo a sua juventude. Nota Pessoal: 15

segunda-feira, julho 14, 2008

As dúvidas da prova


As dúvidas da prova.

Lembrei-me à pouco (enquanto estava a vaguear pelos diversos blogs nacionais e internacionais) de perguntar-vos se, na vossa opinião, o acto de provar um vinho consegue estar livre de dúvidas? Haverá, por aí, alguém que se sinta seguro ao avaliar seja o que for? Ao atribuir uma menção, fá-lo com 100% de certeza?

Dizer o que vale determinada coisa é, para mim, uma das tarefas mais angustiantes. Não consigo libertar-me da sombra da dúvida.

Pergunto, inúmeras vezes, se um crítico (de vinhos) está livre desta fraqueza. Será que eles (os críticos), lá no fundo, têm dúvidas e assumem que existe uma grande dose de incerteza? Ou escondem-na para não dar parte fraca?

Provocando um pouco mais, será que acreditam piamente que não falham?


domingo, julho 13, 2008

Quinta do Soque (Douro) Rosé

Assumidamente aprecio vinhos rosés de carácter seco e com forte componente vegetal. Não sou um apaixonado pela doçura, pelos morangos, pelas framboesas ou por gomas (deixo isso para a minha filha mais velha).
Chateia-me, um pouco, beber vinhos rosés que são autênticas cópias uns dos outros. Dito de outra forma, e para não dar a ideia de presunção, conto pelos dedos de uma das minhas mãos os rosés que gosto de partilhar com amigos. Depois, é raríssimo encontrar um vinho deste estilo que consiga fazer uma parelha correcta com alguma comida de conteúdo, sem enjoar. É que nem só com saladinhas vive um homem durante o Verão.

Na primeira cheiradela, este Rosé da Quinta do Soque deitou cá para fora uma sensação queimada, que fez recordar o aroma do grão de café (lembram-se do Crescendo Altas Quintas Rosé?). Esta característica não é apreciada por muitos. Eu sou daqueles que gosto.
Depois de se livrar daquele cheiro tão discutível, este rosé duriense (de 2006) mudou de estilo e passou a mostrar argumentos vegetais. Durante muitos minutos, esta sensação foi a que deu mais nas vistas. Erva, folha de tomate, feijoeiro (não se ponham a rir) dominaram, à posterior, o comportamento do vinho.
Acabou por oferecer fruta silvestre, mas num registo encorpado, estruturado. A sensação vegetal, essa, conseguiu manter-se viva durante um bom bocado.
Os sabores eram, também, encorpados, combinando o vegetal e a fruta. A tal doçura, apesar de ser sentida (não deixa de ser um rosé) não pendia para o enjoo.
Acompanha, na perfeição, pratos com algum peso (e gordura) e por isso ganhou pontos. Nota Pessoal: 14

Post Scriptum: A graduação alcoólica está bem integrada, não se fazendo sentir em demasia.
Já agora, um homem nunca pode dizer: desta água não beberei. Melhor, deste vinho não beberei.

quarta-feira, julho 09, 2008

Encosta Longa Reserva (Branco) 2007

As castas são Síria, Malvasia Fina e Fernão Pires. Posso-vos dizer que é curiosa esta combinação. Não recordo nenhum vinho com esta mistura. Quando penso em vinhos brancos do Douro, penso necessariamente em outras castas, noutras miscelâneas.

Avancemos, portanto, para a dissecação do vinho (que é fermentado em barricas).
Na primeira abordagem, passou pelo nariz um (ligeiro) toque petrolado, que se foi apagando com suavidade. Serviu, na minha opinião, para esclarecer sobre o tipo de coisa que estava dentro do copo. Não seria mais um branco (nem podia ser, pois custa sensivelmente 17€). Adiante.
Com o desvanecer daquelas notas petroladas, sou surpreendido por uma sensação mineral bem conseguida. Eram cheiros a calhau rolado, a pedra fresca.
O vegetal (erva ribeirinha, erva fresca) surgia bem combinado com a tal impressão mineral, reforçando a frescura do vinho, tornando-o vivo e húmido (até este momento não tinha olhado para a madeira).
E a fruta? Bom, esta estava madura, saborosa a pedir para ser trincada. Era laranja, toranja, meloa, maçã. Tudo bem amparado por uns valentes alperces.
O vegetal aparecia novamente, mas agora, em forma de folha de figueira e feno, transmitindo um ar mais seco, talvez mais austero.
E a madeira? Fiquei admirado pela sua boa utilização. Em momento algum, ela foi a intérprete principal. Estava ali, apenas, para enriquecer o vinho, dando-lhe maior complexidade, tanto nos aromas, como nos sabores (disponibilizando os inevitáveis frutos secos).
Na boca era fresco, com um prolongamento muito interessante, surpreendendo pelo equilíbrio que mostrou.
Por cada gole que dava, aumentava a vontade em dar outro. A fruta, o mineral, o vegetal e a madeira estavam bem misturados. Untuoso.
No final largava um rasto gostoso. Suficiente para não esquecer-me dele. Gostei francamente. Nota Pessoal: 16

Post Scriptum: O apoio técnico é feito através da empresa G&R Consultores.

terça-feira, julho 08, 2008

Bajancas Colheita (Branco) 2007

Regresso a um vinho que particularmente aprecio pela calmaria que salta do copo. Já disse aqui, diversas vezes, que gosto francamente de vinhos discretos (não é a mesma coisa de inócuos). Um vinho não tem que estoirar com a boca e deixar a cabeça meio tonta.

Nesta colheita (2007), este Bajancas pareceu-me encontrar cheiros que recordavam pedra molhada e erva. A fruta, que foi surgindo, tinha aspecto verde, ácido. Fatalmente apareceram, pela frente, a maçã, a lima, o limão. A coisa continuou a animar com umas pitadas de flor (mimosa, cerejeira, giesta) e meia dúzia de gomos de tangerina. Tudo isto num registo que andou longe da exuberância típica em vinhos brancos jovens o que, para mim, não é necessariamente mau.
Na boca mantinha aquele comportamento vegetal, fresco, com a sensação mineral a querer dar-lhe um pouco mais de nervo. Mesmo sem sentir muita fruta, ele era saboroso, sadio. Tudo isto numa intensidade suficiente.
O final era mais uma vez, tendencialmente, vegetal e limonado.
Olhando para o que diz o contra-rótulo, este vinho do Douro serve, que nem ginjas, para aperitivo, para beber e acompanhar dois dedos de conversa entre amigos (aqueles que nós gostamos).
Antes de terminar, gostei de sentir a pouca influência do álcool (apesar do grau).
Essencialmente para beber jovem. Nota Pessoal: 14

Post Scriptum:
É feito a partir de um lote que levou Malvasia Fina, Gouveio e Rabigato.

sexta-feira, julho 04, 2008

Independent Winegrowers Association no Ritz Four Seasons

"O projecto Independent Winegrowers’ Association nasce pela necessidade imperiosa de criar agrupamentos de empresas do sector vitivinícola que assegurem de forma mais eficaz a promoção conjunta dos seus produtos.
O alto standard de qualidade, a elevada consciência ambiental, uma produção totalmente vertical, reuniu na mesma iniciativa as empresas Casa de Cello, Domingos Alves de Sousa, Luís Pato, Quinta do Ameal, Quinta de Covela, e Quinta dos Roques.
Trata-se de um Special Interest Group onde os membros participam em acções conjuntas mantendo a sua autonomia empresarial ou comercial.
Sobre uma rede de relações de cooperação e interacção activa, visa-se promover o desenvolvimento de um agrupamento de viticultores independentes de qualidade, capaz de realizar acções de marketing no mercado nacional e internacional, com intervenção nos Estados Unidos, Inglaterra, Brasil, França, Alemanha e novos países da U.E.
Para o efeito, exige-se a organização de uma plataforma promocional e a definição e execução de acções no âmbito da comunicação de marketing: imagem institucional, relações públicas, relações internacionais, gestão da participação em feiras e show-rooms, gestão de eventos, etc.
A ligação dos vinhos a eventos culturais, um portal na Internet, visitas especiais de jornalistas, apresentação do conceito Winegrowers às empresas e associação a programas de operadores de viagens ou escolas hoteleiras e de escanções,
integrarão as principais actividades promocionais do grupo que pretende vir a intensificar as relações de cooperação à medida das suas oportunidades." Tudo isto foi retirado do site.

No passado dia 2 de Julho de 2008, no Hotel Ritz Four Seasons, este grupo de produtores disponibilizou a um conjunto de interessados uma prova (com presença alguns dos seus melhores vinhos).
Uma tarde que serviu para ouvir atentamente as palavras que saltavam do outro lado da mesa. A mim cabia-me a simples função de aprender com quem sabe e evitar ao máximo dizer asneiras (que é difícil).
A partir daqui, irei largar um conjunto de dicas (vagas) sobre um punhado de vinhos que fui provando e que merecem, por um motivo ou por outro, destaque. Os outros, os não falados, são velhos conhecidos de todos nós. Tornariam o enredo maçudo, chato e repetitivo.
A ordem de apresentação é meramente aleatória. Segue apenas o circuito que fiz, o que aparece descrito no meu velho e gasto caderno de apontamentos.

CASA de CELLO/QUINTA da VEGIA
Quinta de Sanjoanne Reserva Espumante Bruto 2002. Um espumante que andava de baixo de olho faz tempo. Pareceu-me ser um conjunto equilibrado, com notas de fermento, fruto seco e com uma bolha fina. Gostei pela suavidade. Para beber sem companhia.
Quinta de Sanjoanne 2007, um verde muito fresco, crocante. Fiquei com ideia que está em fase de organização. Valerá a pena tornar a prová-lo mais para a frente, pois a pulga alojou-se atrás da orelha.
Encerro a passagem por estes lados, para vos dizer que o Quinta da Vegia Reserva 2005 está num momento muito interessante de prova. Um vinho para a mesa, que não cansa.

QUINTA do AMEAL
Quinta do Ameal Espumante Bruto 2002. Austeridade pouco habitual (falo, naturalmente, da minha experiência).
A sensação de pedra molhada, cabeça de fósforo marcaram as primeiras notas aromáticas. Depois disto, arrancou para uma permonce muito interessante, com o vegetal e a maçã ácida a saltarem cá para fora.
Estilo gastronómico, a pedir um peixe assado no forno. Tomem atenção.
Quinta do Ameal Colheita 2007. Muito vegetal, com fartas sensações a erva orvalhada, a talo de tomate. Hortelã e espargo. Um vinho branco fresco, que consegue combinar seriedade e jovialidade. Havia, por ali, qualquer coisa de sauvignon blanc.
Marcou-me o Quinta do Ameal Colheita 2001. Uma complexidade aromática, um jogo de cheiros que nunca mais acabava. Uma bela evolução. Nunca passaria pela minha cabeça, que um vinho da casta Loureiro aguentasse assim tantos anos. Caramba.
Quinta do Ameal Licoroso (ou Colheita Tardia?). Assim que sentirem que está à venda, arrisquem (não tenham medo), um vinho muito curioso e muito interessante.

QUINTA da COVELA
Mais uma vez, foram os brancos que prenderam o nariz e a boca.
Covela Escolha 2006. Uma mistura curiosa: Avesso, Chardonnay e Gewürztraminer . A primeira casta completamente desconhecida. É apenas conhecida pela literatura.
Uma combinação entre erva doce, anis, tília e lichia com uma ponta de mineral em segundo plano.
Um branco, tendencialmente, diferente. Aquelas duas castas estrangeiras juntamente com o avesso, dão ao vinho um ar curioso.
Covela Colheita Seleccionada 2005. Aqui o lote muda para Avesso e Chardonnay. Um vinho branco mais estruturado, com mais peso. A barrica também ajudou.
Manteiga, mel, laranja e tangerina estão bem vincados. Os sabores eram ligeiramente caramelizados. Boa frescura. Decidamente um vinho para acompanhar comida.

LUIS PATO
Vinha Formal 2007. Muito perfume, a indiciar bom nível de complexidade. De relance, pude observar um belo jogo entre notas de combustível, fruta e o vegetal. Um branco sério, para ser bebido em momentos sérios.
E
fico-me pelo Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2005. Um vinho que daria uma bela conversa. Não me atrevo a dizer muita coisa sobre ele, porque simplesmente não tenho capacidade para tal atrevimento. Leiam quem sabe, porque qualquer palavra vinda daqui será ligeira e cairá em lugares comuns.

QUINTA d
os ROQUES
Quinta dos Roques Encruzado 2007 está numa bela fase. A madeira menos evidente, muito equilibrado. Um vinho que é para beber, certamente, até à última gota e naturalmente ir guardando para ver como se vai comportando.
Flor das Maias 2005 é para continuar a ser mirado. Depois de uns valentes meses em garrafa aposto, mais uma vez, que é coisa séria. Maioritariamente construído com Touriga Nacional.
Quinta das Maias Jaen 2006. Com poder, com peso, com acidez, com secura na boca. Está, certamente, muito jovem. Quem diz que a Jaen não oferece vinhos com pujança? Irei certamente olhar, outra vez, para ele, pois merece que seja observado com mais calma, com mais atenção. É mais outra pulga atrás da orelha.

DOMINGOS ALVES de SOUSA
Decidamente estou a ficar apaixonado pelo Alves de Sousa Reserva Pessoal Branco. O 2004 deu a ideia que está menos pesado, com menos laranja, menos mel e caramelo. Fiquei com a sensação (muito pessoal) que possuía mais frescura, tem mais acidez. Juventude a mais? (comparando com o 2003 e 2001). Um vinho de ódios ou de amores.
Quinta da Gaivosa, Vinha do Lordelo 2005. Pertence ao grupo dos superlativos. Aqui somos atacados pela impossibilidade de virar a cara.


Antes do fim, saltámos para as mesas.