segunda-feira, Junho 30, 2008

Fiuza Três Castas (branco) 2007


Ribatejo. Custou-me qualquer coisa como 3.80€. Foi mais uma investida em brancos de grande tiragem. Desta vez, optei pelo Fiuza Três Castas (branco) de 2007.
Os aromas pareceram-me, desde a primeira gota até à última, pouco intensos, meio planos. Isto é, estava à espera de algo mais vibrante, com mais nervo. Caramba, tinha ali um branquinho de colheita recente com a obrigação de transmitir frescura. De refrescar.

No entanto, este vinho branco passou a vida um pouco perdido no meio do copo. Vinho sério? Ou vinho descontraído? De qualquer modo, os cheiros eram dominados pela maçã (aquela de cor amarela), pelo vegetal, pelo limão e pela lima. Tudo numa intensidade muito mediana, com demasiada descrição.

O sabor voltava a insistir naquele lado mais plano, meio morno, com sensações vegetais a dominarem e sem criarem nada de muito interessante. Nota Pessoal: 12

Post Scriptum: Em súmula, para o prazer que deu, foi um vinho caro.
Para não fugir à regra, serviu para acompanhar uma salada tendencialmente verde.

quinta-feira, Junho 26, 2008

Serras de Azeitão (branco) 2007

Em busca de propostas baratas. Desta vez, peguei num vinho que algum tempo não bebia. Verdade seja dita, também não existem assim tantas colheitas. De qualquer forma, podemos encontrá-lo na versão tinto, branco e rosé.
Uma pessoa arma-se em fino e deixa quase de comprar vinhos de supermercado, por causa da vergonha que isso pode criar em meios mais elitistas.
A sorte coube, agora, a um vinho das Terras do Sado, da Bacalhôa Vinhos.
Este Serras de Azeitão (colheita de 2007) enfiou pelo nariz a dentro um bloco de aromas homogéneo. Podia-se cheirar ananás, manga, laranja e maçã. Podem escolher a ordem que quiserem, da forma que acharem conveniente. A lima e o limão encarregavam-se de refrescar, de desenjoar. Franco, sadio desde o início até ao fim.
Saboroso no paladar, com um comprimento interessante. Sabores frutados, com bom balanceamento. Um vinho branco muito bem construído e de grande tiragem.
Por pouco mais de 2€ temos aqui uma bela proposta. No meu caso acompanhou, muito bem, uma salada de legumes e escorregou sem obstáculos pela goela. Nota Pessoal: 14

quarta-feira, Junho 25, 2008

Muralhas de Monção (colheita de 2007)

O aproximar das férias, o calor que começa a rodear a pele, diminui a vontade de beber vinhos sérios, de falar de assuntos densos. A cabeça começa a descomprimir e o corpo pede líquidos ligeiros, refrescantes.
Têm caindo no meu copo, apenas, vinhos brancos de aspecto fresco. Tento que a mineralidade (difícil conceito que é facilmente banalizado) esteja bem presente e não gaste mais que 5€.
Os churrascos, têm dominado as horas das minhas refeições, não puxam por vinhos de copo largo. Não há paciência para esperar pelas decantações.
Por entre vinhos e vinhos, dou comigo de volta do Muralhas de Monção.
Está pleno de frescura, com sugestões vegetais intensas, com a sensação a pedra molhada, com a ribeira a correr, bem vincada. Maçã verde, limão, lima, raspa de pêssego e provocador cheiro a casca de banana (a indiciar um estado de pouca madures) moldavam o resto dos aromas deste vinho verde de 2007.
Na boca a impressão mineral voltava a marcar presença. Fresco, estaladiço, crocante. Em certos momentos, um pouco lancinante. Vibrava por todo o lado. O final era tendencialmente vegetal. Nota Pessoal: 14
Um feliz reencontro.

Post Scriptum: Este texto serviu para preencher, um pouco mais, o histórico do mês de Junho. Assim a coisa lá se vai mantendo. Novidades? Não tenho nenhumas. A vida continua difícil.

terça-feira, Junho 24, 2008

Coroa D'Ouro Reserva (branco) 2006

Continuando a (minha) demanda em busca de vinhos baratos, que acompanhem decentemente a comida da época, partilho com vocês um vinho branco do Douro. O produtor é bem conhecido pelos seus vinhos do Porto (Poças).
Este Coroa D'Ouro Reserva 2006 mostrou um interessante odor a combustível, dava-lhe um ar sério, sóbrio. Acabou, por ser para mim, o cheiro mais curioso. Encaminhou-se, entretanto, para a toranja, a laranja, a tangerina. A sensação tropical mandou durante algum tempo.
À medida que os minutos foram passando, a coisa livrou-se daqueles aromas mais pesadotes, os cheiros vegetais davam a impressão querer acercar-se do nariz. Uma aparente pequena nota a mel surgia, de tempos a tempos, pela frente.
Na boca, mesmo sendo (muito) visíveis algumas fragilidades (pouca duração e intensidade), os sabores conseguíram revelar bom estado de madures e frescura. Ao fim ao cabo, e apesar das suas limitações, acompanhou (decentemente) um arroz com abas de corvina e marisco, recheado com pimentos e tomate.
Quando se encaminhava para outros lugares, ficavam sensações frutadas, onde uma ligeira ponta mineral esforçava-se para dar um (pequeno) toque mais personalizado.
Mesmo com diferenças de comportamento entre a parte aromática (melhor) e a gustativa (pior), foi um vinho branco que se bebeu bem. Nota Pessoal: 13,5

Post Scriptum: Qualquer coisa como 3.30€ e anda perdido pelas prateleiras dos supermercados. Não fiquei arrependido do acto. Não havia, no entanto, a necessidade de usar a terminologia Reserva.
Começo a reparar que gosto dos vinhos brancos com algum tempo na garrafa. Dão a leve ideia que ganham com um pouco de evolução, mesmo quando a oxidação começa a dar sinais de vida. Gosto estranho.

domingo, Junho 15, 2008

Quê? Espumante Quinta do Barranco Longo?

Independentemente daquilo que achamos, é assinalável a dinâmica que o produtor Rui Virgínia imprime na produção de vinhos no Algarve. A Quinta do Barranco Longo é, para mim, um autêntico caso de estudo numa região que parece continuar presa ao betão armado. Sabemos que esta parte do país está longe de ser conhecida pelo seu vinho.

Depois de brancos, tintos, rosés, varietais, surge-me pela frente um Espumante Rosé de 2005. Um espumante (feito com Touriga Nacional) de cor carregada, com tonalidades aparentemente distantes das que habitualmente aparecem em rosés similares. À primeira vista podíamos-nos enganar e dizer: espumante tinto.

Os cheiros lembraram morangos e framboesas. Provocam estímulos silvestres, frescos. Uma ponta de menta tentava dar mais nervo. De grosso modo, as coisas andaram de volta disto.
Na boca, pareceu-me sentir correspondência com aquilo que foi cheirado. A bolha estava um pouco grossa, a necessitar de mais afinamento, maior polimento. Tirando este aparte (importante), tinha ali um vinho que se bebe com prazer e sem desprimor. Para início, não está nada mal. Nota Pessoal: 13

Post Scriptum: Uma nota para o nome e para a garrafa. A dizer que foi idealizado para provocar o consumidor. Quê? Um Espumante do Algarve? Claro.

quinta-feira, Junho 12, 2008

Duas Quintas Reserva 2000

Acredito que se tenha instalado uma enorme febre no meio dos enófilos mais inveterados. Começo a reparar que andamos a empurrar-nos quase de forma violenta para chegar o mais longe possível. Imagino uma linha de intragáveis (onde me incluo), onde uns e outros tentam fazer pirraça com o que vão bebendo: "Eu já bebi este e mais aquele e mais o outro". Tudo numa lógica de competição (muito) pouco saudável, que nos afasta do real prazer que é saborear um vinho e bebê-lo até à última gota.
Farto de andar à procura das últimas novidades ou daqueles que nunca beberei, peguei em mais um vinho que estava encalhado no meu aglomerado de garrafas. Um vinho que foi ficando esquecido, deixado para trás.
O tinto, um Duas Quintas Reserva 2000, cumprimentou-me, naquele momento inicial, com um forte cheiro a azeitona preta, esmagada. Num ápice, colocou-me a viajar por entre aromas e cheiros que eram habituais na infância. Lembro-me do enorme regozijo que tinha quando regressava à cidade e dava lições da terra aos que nunca saíam de Lisboa e que olhavam para os que habitavam os vales como fossem um bando de trogloditas. Passados muitos anos, esses mesmos, continuam a pensar da mesma forma. Adoram o betão, deliciam-se com as praias apinhadas e consomem hiper-mercados. Sinto-me derrotado (começo a pensar que adoro causas perdidas).
Caramba, como é possível desviar-me do assunto por causa de um simples cheiro a azeitona, a lagar? Matei, mais uma vez, a vossa paciência (Já devem ter reparado, fujo a sete pés da tradicional nota de prova, porque de vinho percebo pouco e a imaginação vai safando o negócio). Coloquemos os pés, a caneta no presente.
Depois de esvoaçarem os aromas mais rústicos, surge um conjunto de cheiros florais. Flores silvestres. Neste momento, o nariz ficava preso a imagens campestres. O vinho parecia querer enfiar-me para o meio da terra quente, pejada de mato rasteiro, com o rio a correr lá no fundo.
Continuemos, antes que me perca, mais uma vez, em rodeios fúteis. Pareceu-me a dada altura, sentir um cheiro a encerado, a madeira envernizada (Alguns de vocês, se calhar, diriam que seria exótica), misturado com fortes sensações balsâmicas.
A doçura começou, a partir desta altura, acercar-se do copo. Uma doçura de intensidade leve, delicada, num registo que nada tem haver com as modernices de agora. Licor de ginjas, figo seco envolvido em açúcar em pó, casca de laranja caramelizada. Caramelo, baunilha e umas folhas de tabaco eram os responsáveis pelo fim (um modo de auto-disciplinar-me e não enveredar por loucas comparações que só serviriam para alimentar o meu ego). Tudo isto num timbre fresco, muito arejado.
Os sabores estavam repletos de sensações sedosas, de recorte fino. A acidez e os taninos apresentavam-se calmos, bem balanceados. Ele, o vinho, espalhava-se por todos os cantos (da boca) de modo subtil. Quando caía lá para baixo, ficava na memória um leve rasgo fumado e licoroso. Nota Pessoal: 17

terça-feira, Junho 10, 2008

Periquita Rosé 2007

Não sou um consumidor regular deste tipo de vinhos. Tenho feito várias tentativas para conhecer um pouco melhor a realidade dos rosés nacionais, mas acabo confrontado com um conjunto de sensações fastidiosas.
Depois de muitos anos só com tonalidades tintas, surge um branco e agora acaba por aparecer pela frente o Periquita na versão rosé (colheita de 2007). É explorar a marca até ao tutano e fazê-la render ao máximo.
Estilo seco, com uma tendência para cheiros vegetais muito curiosa. Certamente irei repetir-me, mas não saía da cabeça aquele aroma a folha de tomate, a folha de figueira, com hortelã, ou coisa que o valha, a dar um belo tempero a este rosé.

O paladar era fresco, sem que a doçura chegasse a incomodar, que é coisa que chateia. Tenho reparado que em muitos rosés existe uma presença abusiva do do açúcar. Para mim, matam completamente a ideia, o que se pretende para um vinho deste género. Depois, não entendo a vantagem em apresentarem graduações alcoólicas relativamente altas. Este pareceu-me, sinceramente, com bom equilíbrio.

No final ficam registadas as típicas notas de morango, framboesas e cerejas, mas sem descambar para o enjoo, para as gomas. Os contidos 11,5% de graduação alcoólica ajudaram certamente.
Em jeito de remate, um rosé que convenceu e que gostei francamente. Indicado para refrescar. Pena o preço que custa. Nota Pessoal: 14

Post Scriptum: Custou 4.5€ e é feito com as castas Trincadeira, Castelão e Aragonez.

quarta-feira, Junho 04, 2008

Contraste

Vinhos que se pautam pela diferença começam a ser raros neste vaivém enófilo. Quando acontece o fenómeno, a chama reacende-se e permite-nos continuar o caminho.
Verdade seja dita, este caminho começa a perder algum do interesse que havia no início. Já o disse, a ingenuidade, a inocência desapareceu. As palavras que largo tendem a ficar tolhidas pelo medo de ofender alguém, pelo receio de não agradar. A liberdade, a vontade de dizer o que dizia começa a desaparecer.
Adiante, entre fogachos e vitaminas de última hora, partilho com vocês (o Copo de 3 já o fez) algumas palavras sobre dois vinhos do Douro. A responsabilidade cabe a Rita Marques.

Iniciemos a conversa com o Contraste tinto (Colheita 2006).
O aperto de mão (gostei desta) esteve rodeado por muitas sensações vegetais. Foram, durante muito tempo, as que dominaram. Um vegetal agradável, fresco, quase vibrante. Os cheiros andaram muito perto daquele que sentimos quando caminhamos pelo mato rasteiro. Um mato manchado por pequenas flores de cores invariáveis. Umas brancas, umas roxas, outras amarelas. A fruta que apareceu, mais à frente, tinha aspecto silvestre. Madura, mas fresca. Bem cheirosa.
Ficou no ar a impressão que era um vinho contido, educado e que tentava evitar, ao máximo, comportar-se de forma leviana e que não era uma coisa sem personalidade. Combinava a jovialidade com a austeridade.
Os sabores eram aprazíveis, predominantemente vegetais, onde bocados de fruta aligeiravam o paladar, tornando-o mais vivo e suculento.
O comportamento pautava-se pelo equilíbrio e descrição. Provavelmente a ideia era mesmo essa.
Copo de 3 disse: "não tenhamos ilusão, não é um vinho de topo". Eu dava mais uma achega: Tomara alguns topos portarem-se desta forma. Nota Pessoal: 15,5
Dobramos a folha
e passamos para o Contraste branco (Colheita 2007).
Um branco que andou em redor de sugestões vegetais, que lembravam o espargo, a erva verde. Recordou, por alguns momentos, os tiques do sauvignon blanc. A contínua evolução no copo permitiu descortinar um conjunto de pedaços de fruta. Fruta de aspecto tropical, com a banana e o ananás a dominarem.
Um (bom) nível de frescura permitia-lhe manter-se bem vivo durante uns bons e largos minutos. Tudo muito limpo e asseado.
Os sabores eram frescos e bem balanceados. Voltei a sentir, aqui, aquela mistura vegetal e tropical que tinha entrado pelo nariz a dentro.
Corpo com estrutura suficiente e com um final agradável e saboroso.
Valeu e muito pela frescura (causada por aquele lado vegetal).
Não deixa de ser curioso, um vinho feito com castas nacionais a cheirar e a saber a qualquer coisa lá de fora. Nota Pessoal: 15

Uma parelha interessante, irrequieta e jovem (tal como a enóloga). Da minha parte, resta-me aguardar por outras ideias.
Post Scriptum:
Entretanto nasceu mais uma colheita. Uma colheita que veio enriquecer o portefólio do criador de Pingus Vinicus.