domingo, Dezembro 02, 2007

Santa Vitória 2005

Tenho reparado que se torna difícil encontrar um vinho a baixo preço (<5€) que consiga proporcionar um nível de prazer interessante e ao mesmo tempo mostre algo diferente. Apesar disto, noto que os vinhos que circulam pelas gamas baixas revelam mais qualidade. É bom para o consumidor. O risco de apanhar uma bela zurrapa é menor. Ainda bem.
O que cansa é olhar para eles e ver que comportam-se, quase sempre, da mesma maneira. Possuem os mesmo argumentos, oferecem os mesmos sabores, os mesmos cheiros. Só o rótulo os distinguem. Bem vistas as coisas, também nas gamas mais ricas isto acontece. Só que aí a compreensão é menor e os erros não se perdoam com tanta facilidade.
Notícia, para mim, é apanhar uma pérola no meio deste mar homogéneo. Com 5€, cacei um vinho tinto alentejano curioso, bem conseguido, que conciliou facetas raras nesta gama. Boa escala de aromas, bom paladar, nunca caindo em monotonia. Não soltei um bocejo. Vem daqui.
Aromas vegetais, terrosos e pequenas sensações florais prenderam a minha narina ao copo. Era fresco, alegre, quase primaveril. Curiosa, muito curiosa, a impressão a carvão (pensem no cheiro que se solta quando afiamos o lápis). Durante a sua estadia no recipiente, ganhou cheiros especiados que sugeriram canela. Estava misturada com o tabaco, com a baunilha, com uma leve sugestão a cacau amargo. A fruta? Silvestre, sem açúcar. Sedosa.
Os sabores eram sadios e vivos. Fui confrontado, mais uma vez, com um comportamento que combinou alegria com seriedade. O vegetal, a tosta e a fruta formavam um bloco bem conseguido. Apetecível, saboroso, com boa largura. Nunca se tornou chato, monocórdico. Pelo preço que paguei não posso pedir mais. Não posso. Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: Nunca tinha provado este vinho. Olhei muito para ele. Sempre julguei que era igual aos outros. Como tal, não valia a pena prová-lo. Enganei-me. Parabéns à casa.

5 comentários:

Pratas disse...

Tb já olhei para ele muitas vezes mas nunca o comprei... acho que em breve lhe vou dar uma oportunidade.

1 abraço

Pedro Sousa P.T. disse...

já dei oportunidade a este vinho, e gostei bastante. Agora só falta o branco... Abraços

Filipe Sousa disse...

O concelho de Beja tornou-se em poucos anos numa micro-região maxi-produtora. E lá se fazem os caros - Malhadinha, Grous -, como os menos caros - Santa Vitória, Mingorra, Herdade da Figueirinha, Herdade dos Lobos ou Herdade do Paço do Conde. Para além do aspecto enoturístico, que não é menos importante. Oxalá assim continue.

sinnercitizen disse...

Depois de ler esta "critica" fiquei curioso. Com jantar marcado em casa, com amigos para alimentar, pensei valer-me do fiel e mais que provado Garrafeira dos Sócios de Reguengos, ed.2001. A escolha da "patroa", que até nem gosta de tintos, foi para esta opção, certamente pelo preço e pelas cores mais vivas do rótulo. Sem nunca ter lido uma linha desta critica, é esquisito como ela acertou na "mouche". Nunca mais irei duvidar dos poderes de intuição da espécie feminina. Abençoada escolha

Anónimo disse...

Grande vinho parabens a quem bem faz.