quarta-feira, julho 11, 2007

Touriga Franca da Quinta do Cachão

Uma vez por outra, lá surgem vinhos que apresentam qualquer coisa de novo. Aqui , além, vão dando mais graça à paixão do enófilo. Animam esta louca e enorme caminhada. Procurar, provar vinhos diferentes. A sorte saiu a um Douro. Quinta do Cachão Touriga Franca 2004. A primeira expressão aromática que proferiu: iogurte de morango. Perdoem-me este abuso eno-linguístico. Mas tenho sempre necessidade de comparar com qualquer coisa. Posteriormente revelou uma leve ponta mineral. Talvez pedra lascada. Húmido. Havia algo que lembrava chão molhado. A sensação que transmitia era de um amanhecer, bastante orvalhado. Foi despertando para cheiros de flores, pequenas flores silvestres. Uma leve e curiosa nota de pó de talco marcava o final.
Foi pena a agressividade que revelou na boca. Acidez e taninos muito evidentes. Pujantes em demasia. Pareciam-me exaltados. Embatiam com vigor na língua, deixando marca. Era necessário coragem para perceber o que andava por ali. A precisar de tempo, de algumas lições. Aprender mais um pouco.
Como é que um vinho pode ter duas facetas tão diferentes, díspares. Comportamento quase bipolar (perdoem-me este abuso. Outro). Apostaria numa boa evolução. Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: Ao fim de algum a tempo a escrever, tem aumentado a necessidade de inventar, procurar outros termos, outras expressões que possam definir o que sinto. Basicamente a análise de um vinho é caracterizada pelos mesmas palavras, adjectivos, expressões. Para isto ter piada, há que colocar a imaginação a trabalhar.

12 comentários:

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Gostei muito (levei para a casa depois da prova).

Abraço amigo,

N.

VinhoDaCasa disse...

Pingus, eu também por vezes encontro alguns aromas de iogurte de morango, e de outros sabores :)
Ainda há bem pouco lá em baixo no Vinum Callipole encontrei o tal aroma no rosé da Quinta de Saes. Só não consegui se o iogurte era light, com bifinhos activos ou com ElCasey Imunitas... heheh

Abraço

Pingus Vinicus disse...

Nuno lembro-me bem desse pequeno desvio. Eu, entretanto, optei por levar outra. :)

Um abração

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Rui: Sim sim, lembro-me que também não correu mal a noite para ti (LOL). Mas merecemos... depois de tanto "trabalho".

Paulo: Como correu essa iniciativa?

Rui e Paulo: Quanto ao iogurte, penso ser da componente láctea de alguns vinhos que, misturada com fruta vermelha, dá a ideia de iogurte de morango.

Fortes abraços,

N.

Pedro Sousa P.T. disse...

Esses sabores lácteos têm passado por mim em alguns tintos que vão entrando no meu copo. Acho que não é imaginção nem creatividade, por mim esses sabores e aromas existem mesmo.

Pingus Vinicus disse...

Já agora que acham desse aroma lácteco que nos leva a pensar que é iogurte? Defeito ou feitio?

Copo de 3 disse...

Os aromas lácteos são de origem Microbiológicos, estão ligados à produção de vinho e não à qualidade ou tipo da uva.

Por vezes encontro aromas destes em alguns vinhos, pessoalmente não o encaro com bons olhos, pois por vezes é um odor forte e que domina grande parte da prova.

Pingus Vinicus disse...

Não me digas que gosto de vinhos com defeitos. Ora bolas não percebo nada disto.

Michel disse...

É muito interessante visitar seu blog.

Pingus Vinicus disse...

Obrigado michel. É apenas um espaço de desvairos muito pessoais.

Pedro Sousa P.T. disse...

No nosso encontro na York House, um dos vinhos que levaste, um Dão que não me lembro o nome, é um exemplo disso, eu pessoalmente gosto, mas é verdade o que o copod3 disse, não é muito normal encontrar, e nem sempre, ou na maioria apreciado.

Pingus Vinicus disse...

Pedro, o vinho que falas era um Touriga Nacional da Casa da Passarela 2005.

Então quer dizer que gostamos de vinhos com defeito...
Um abração