terça-feira, julho 03, 2007

Martim D' Avillez Grande Escolha 2003

Existem vinhos, como todos nós sabemos, que proporcionam árduas tarefas sensoriais ao ponto de questionarmos as nossas reais capacidades. Os motivos podem ser os mais variados e ter diversas justificações. Má garrafa, mau dia para o provador. Depois a fatal subjectividade que a prova tem dá o remate final (é um acto humano cheio de incongruências. Ponto final). Existe um contínuo de variáveis quase intermináveis que interferirem na forma como vemos determinado vinho.

Martim D' Avillez Grande Escolha 2003, tinto das Terras do Sado, entra no meu lote de vinhos que mais dificuldade e perplexidade criou. Um comportamento algo impróprio, repleto de nós para desmanchar. Os atributos apresentados andavam muito longe do Grande Escolha. Aliás, é notória a banalização dos termos: Vinhas Velhas, Colheita Seleccionada, Grande Reserva, Garrafeira (haja imaginação). Perderam qualquer sentido, qualquer valor. No passado, praticamente só havia a distinção entre Reserva e Normal. Chegava e bastava (sem falar na diferença que se notava).
Voltemos ao vinho. Apresentou-se com sugestões animais algo violentas, onde odores de pêlo se embrulhavam com cheiros de estábulo. Com o tempo, foi evoluindo para um vegetal incomodativo (verdete) que marcou fortemente o vinho. A fruta era fugaz, surgia timidamente, nunca conseguindo mostrar-se decentemente. Era como se alguém ou algo a puxasse sistematicamente para trás.
Na boca, revelou uma agressividade, uma violência que não se entendia. Desproporcionada. A acidez estava marcante, arrepiante. Verdade seja dita, não é gritando, barafustando, gesticulando de forma rude, que convencemos os outros (apesar de ser ter instalado no nosso país, uma leve sensação de que a agressividade é justificável para mostrar que temos razão). Um vinho que pareceu-me pouco refinado, repleto de arestas por limar, com muitas coisas para acertar. Tipo: nó de gravata mal feito, colarinho por passar. Espero que tenham sido, apenas, sinais de juventude, de alguma irreverência sem sentido. Nota Pessoal: 12,5


Post Scriptum:
Lembrei-me muito deste post.

7 comentários:

Pedro Sousa P.T. disse...

A agressividade está instalada. Temos a cultura que merecemos, ao fim ao cabo. Muito por culpa dos nossos governantes e dirigentes ao longo dos anos. O exemplo vem de cima.
Já agora, grande zurrapa essa...

Copo de 3 disse...

Amigo , já não tens idade para estes sofrimentos :)

HS disse...

Olha... não sei !!

Talvez por estar super bem acompanhado, bem disposto o que te digo é que gostei.

Seguindo a tua escala vale bem (pelo menos nesse dia especial)15

Pingus Vinicus disse...

hs acredito sinceramente que tenhas gostado do vinho. Como dizes, muito bem, o momento influência bastante a forma como olhamos para o que está dentro do copo.

O mesmo vinho pode ter comportamentos diferentes.

Pessoalmente detectei uma componente vegetal e animal que marcou (negativamente)o vinho

HS disse...

Meu caro,

Não leves a mal, mas o único vegetal era um relvado soberbo e o animal uma mulher maravilhosa :)

HS disse...

Á mudando de assunto, estou como tu farto de tantos termos já ninguem sabe o que é o quê Se calhar amanhã alguem apregoa um vinho como "Uma Colheita selecionada a partir de vinhas velhas que permitiu obter uma grande reserva da nossa quinta passível de se vir a tornar um garrafeira ou seja uma grande escolha"

Pingus Vinicus disse...

"Uma Colheita seleccionada a partir de vinhas velhas que permitiu obter uma grande reserva da nossa quinta passível de se vir a tornar um garrafeira ou seja uma grande escolha"

Excelente. ehehe!