quarta-feira, março 21, 2007

Serra, o Mar e o Vinho

As montanhas moldaram-me. As rochas disciplinaram-me. Os vales, os rios ensinaram-me a escolher o melhor caminho. Sempre tive um grande fascínio, encantamento por eles. Ficava esmagado com o que via, com o que sentia, com o que ouvia. Lições da natureza.

Lembro-me à distância, que havia lá para os lados da casa da família, uma pequena colina, uma pequena formação rochosa. Era usada pela minha trupe como se tratasse de um baluarte. No topo estava o lugar do Rei. Um rei que era escolhido por votação secreta. Pessoalmente nunca ocupei o lugar. Sem qualquer pesar. Teve sempre em boas mãos. Dessa colina a vista, o olhar era assombroso. Nós éramos pequenos. Ficávamos acima das nuvens. Um Reino de defendido pelos eleitos. Uns putos que julgavam ser um conjunto de aguerridos soldados que lutavam árduamente contra as investidas dos estranhos. Aqueles povos que vinham do mar. Gente estranha, hábitos diferentes, linguagem mais complexa.
Não imaginávamos que a maior parte desses guerreiros estaria, está agora, a viver junto ao mar. O tal exército, está espalhado pelos vários pontos do império. Agora recordamos solitariamente os grandes feitos do passado. O que a fantasia da criança permite.
Passados estes anos, percebi que a natureza criou um bom lugar para mim. Ofereceu-me, ali para os lados do Sado, entre a Serra e a planície, uma terra para me acolher. Um local onde os bafos do mar, as brisas marítimas se encaixam graciosamente com os aromas das rochas, do mato, da fruta silvestre. Tudo bem envolvido, perfumado. Nunca pensei que era possível colocar tudo isto numa garrafa de vinho. Um vinho que nasceu a partir de uma casta que veio lá das montanhas, dos vales. A Touriga Nacional. O mestre foi desta obra foi Domingos Soares Franco. O Ano 2003. Nota pessoal: 17

Post Scriptum: Colecção Privada Domingos Soares Franco Touriga Nacional 2003

1 comentário:

Anónimo disse...

Gostei muito desse vinho.
LM