quinta-feira, dezembro 28, 2006

Até para o ano!

Caros amigos, vim até aqui para vos desejar uma óptima entrada em 2007. Não me quero alongar em mensagens comuns, vazias de conteúdo e impessoais. É uma prática que tenho vindo adoptar. Menos palavras, mais acções. Não sei se é da idade (!?), mas começo a ficar farto de alguma hipocrisia que abunda nestes dias. Esquece-se o resto ano. Limpa-se o que se disse, o que se fez e vamos ser felizes. Quase por decreto. No dia 2 de Janeiro, de todos os anos, voltaremos a ser aquilo que éramos.
No entanto, não queria deixar passar este final de ano para agradecer a todos os que me visitaram, de propósito ou apenas por engano. Já entrei por engano em muitos locais e acabei por lá ficar. A vida, como sabem, está cheia de encruzilhadas, de entroncamentos, que nos fazem pensar e decidir. Umas vezes bem, outras nem tanto.
Pessoalmente, tentei ser sincero nas palavras que escrevi. Transmiti a todos vós o senti, o que gostei (ou não), sem qualquer rodeios. Coloquei, neste blog, muito da minha vida, o que mais me marcou.
Depois da minha estada cá por baixo, vou até à terra, para comer a couvinha, a morcela, o cabritinho que me faltou, durante estes dias. A lareira, pelo que me disseram está já acesa. Ainda bem!
Até para o ano.
Rui M.M.M., o Pingus Vinicus

quinta-feira, dezembro 21, 2006

O R/C da Casa de Aguiar

O título não quer dar a ideia de que é menor, é apenas mais barato. Está ao nível do chão. É mais acessível. Tal como os R/C de um prédio. É o que dão a entender os vendedores de imóveis.
Este D'Aguiar (tn) 2004, é um vinho que se encontra com muita facilidade nas prateleiras de um supermercado. Aliás, é nos supermercados, hipermercados, mega-supermercado que eu compro a maior parte dos meus vinhos.
Voltando ao vinho, o que poderei dizer? Que se comportou de forma muito correcta, equilibrada, limpo de aromas e sabores. Sem deslumbrar, cumprindo muito bem o papel que lhe foi destinado. Ser bebido com satisfação, no nosso dia-a-dia, sem provocar grandes dilemas, dificuldades ou estarrecimentos. É saudável que assim seja. Quando se chega a casa, depois de um dia de trabalho, muito raramente temos capacidade para a beber algo mais complexo. De qualquer modo, ainda deu para sentir frutos vermelhos, suaves sopros balsâmicos, tudo envolvido por tiques aromáticos que faziam recordar bosque, musgo, fetos. Sempre num registo directo.
Na boca, certinho, fresco, saboroso. Final levemente baunilhado.
Vale os 2€ e pouco que dei por ele.
Nota Pessoal: 14

segunda-feira, dezembro 18, 2006

A Subjectividade da Prova

Na Revista dos Vinhos, edição de Abril de 2002, nº 142, na coluna Correio dos Leitores, escrevi, em termos genéricos, o seguinte: quando leio uma critica a determinado vinho, parece-me que as avaliações e notas de prova são em muitos casos contraditórias. Porquê?
Com um pouco mais de atenção, fico com a ideia (empírica), que as notas de prova de um vinho estão intrinsecamente ligadas a um gosto ou tendência pessoal, por parte de um especialista. Isto é, será ou não verdade, se tivermos preferência por uma determinada região demarcada (acrescento: e produtor), proporcionamos quase sempre avaliações mais valorativas aos vinhos dessa região, que aos das outras?
Outra dúvida que tenho quando leio uma nota de prova tem a ver com a forma como se descreve um vinho. Por exemplo: um diz que dado vinho possui taninos vigorosos, com aromas a cacau, frutos silvestres, final prolongado e com boa capaciadade de envelhecimento. Outro diz que esse mesmo vinho possui taninos macios e sedosos, aroma a fruta fresca, final médio e aconselha a bebê-lo jovem. Aliás, na blogosfera somos confrontados diariamente com este problema. Basta recordarmos o que escrevi sobre o Quinta da Gaivosa 2003.
Um conjunto de questões que na altura me pareciam pertinentes e que passados alguns anos reparei que continuam actuais. O panorama da critica alterou-se substancialmente. Temos novos críticos, novas revistas. Vejo-me mensalmente confrontado com opiniões diversas, julgamentos díspares. Dou comigo a dizer: "Este tipo não percebe nada de vinhos. Este sim, sabe o que é bom."
Que deve fazer o consumidor, para evitar e controlar um pouco os ímpetos da crítica e não andar a correr, que nem um louco atrás dos vinhos que dizem ser os melhores?

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Pelo Alentejo a dentro

Uma das regras que existe com a minha patroa, é alternar as festividades do Natal e Ano Novo. Um ano lá em cima, outro cá em baixo. Este ano passarei o Natal no meio do Alentejo, na vila das Alcaçovas, concelho de Viana do Alentejo. Custou-me um pouco no início. Confrontei-me com um conjunto de tradições e práticas que não estava habituado. Faltava-me o polvo, a couve penca, a roupa velha, o granito das ruas. Ao fim de alguns anos, enriquecemos culturalmente. Existe um cruzamento na gastronomia praticada cá por casa. Os produtos nativos de cada zona são misturados, preparados à moda da outra. Os clientes têm gostado.
Em jeito de preparação, irei partilhar com vocês a prova de três vinhos alentejanos. Uma pequena viagem, sem grande emoções, pela enorme planície do Sul.
Abreu Callado Touriga Nacional 2005
, da responsabilidade da Fundação Abreu Callado. "As vinhas estão plantadas junto a Benavila e remontam a meados dos anos 50, estando ainda hoje em produção algumas dessas cepas pioneiras. São cerca de 52 hectares de terrenos franco-argilosos, beneficiados pela amenidade do clima que a Barragem do Maranhão propicia, e que se reflecte na qualidade e excelência dos vinhos, cuja responsabilidade técnica é do enólogo Engº. António Frederico Falcão.
Igualmente localizada em Benavila, a adega mantém os métodos tradicionais de vinificação e envelhecimento, e as ânforas argelinas, inicialmente instaladas em 1956, ainda estão em pleno funcionamento, havendo capacidade para armazenar duas ou três colheitas consecutivas."
Lembra passas envolvidas por compotas. Flor quente e doce (confuso, não é?). Breve sugestão a mineral, tentava desafiar. Na boca, pareceu-me um pouco verde, cru, áspero. Taninos e acidez pareciam sentados num patamar aparentemente elevado. Talvez sinais de juventude. Vale a pena uma nova prova.
Um vinho que quer voar mais alto, dando o sinal de que a Fundação também quer entrar na duro mercado dos vinhos.
Nota Pessoal: 13,5
Roquevale Tinto da Talha Grande Escolha 2004
O nome é bastante interessante: Tinto da Talha. Faz parte da memória do vinho alentejano. Era prática, no passado, estagiar os vinhos em talhas de barro. Não é o caso deste Roquevale. Um vinho que mostrou alguma complexidade. Com aromas a bosque, musgo e frutos silvestres. Nada pesadão, nem chato. Entra pela boca de forma cordata, não enjoa. Final correcto. Um vinho que não desmerece. Para mais informações saltem até aqui.
Nota Pessoal: 14,5
E finalmente Paço do Conde Reserva 2004, que veio do Baixo Alentejo. Da responsabilidade enológica de Rui Reguinga.
Vai direitinho para o meu lote de vinhos que são para esquecer. Normal, igual, flat, regular, sem grande interesse. Sem dar pica ao provador. Enfim, uma pinga que engrossa o grande pelotão dos indiferenciados.
Nota Pessoal: 11

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Sem nada para dizer

Criar um Blog, onde o tema central anda à volta do vinho (sem falar dos meus desvairos pessoais), e não provar ou beber nada de relevante, transforma este poiso num espaço morto, sem grande interesse (perdoem-me este momento de soberba) .
Que hei-de dizer? Que ando cheio de trabalho, e o que bebo é tão ridículo que me envergonho de publicar.
Depois estamos a caminhar a passos largos para as festividades do Natal e do Ano Novo. Época onde se gasta o que se tem e o que não se tem (é a chamada: frase chavão).
O povo esquece as amarguras do ano e enfia-se nos centros comerciais, para estoirar os poucos euros que possui. Pessoalmente, irrita-me. É como se o passado fosse apagado. A obrigatoriedade de sermos felizes.
Depois desta temporada louca, volta tudo ao normal. Tal como o Euro 2004. Acordamos para a dura realidade. Os imperadores romanos tinha razão: "Pão e Jogos, para o povo".
Bom, depois deste encher de chouriços, posso-vos dizer que estava com um Catedral 2004, um branco do Dão. Nada de especial. Honesto, frutado, limpo. Cumpre a função de ajudar a descontrair.

domingo, dezembro 10, 2006

Velhos Amigos

Um encontro com velhos amigos (o Cardoso e o Cunha), que fazem parte da juventude passada no Barreiro, na década de 80. Percorríamos o dito Barreiro Velho, mesmo junto ao rio Tejo. Na altura, era o coração desta cidade industrial da margem sul. Era no meio das sociedades recreativas, das tascas, clubes de rua que a juventude se encontrava às sextas e sábados à noite. A revolução ainda era falada, não estava morta. Ouvia-se em muitos locais as canções do Zeca.
Recordo-me que a sociedade barreirense da altura estava ainda dividida. Haviam os filhos dos operários e os dos outros (diziam que eu pertencia a este último grupo. O meu pai era funcionário bancário). Curiosa divisão. Menos feliz, era quando apelidavam de fachos, aqueles que vinham lá de cima.
Verifico, com muita curiosidade, que sou um produto resultante da mistura de tradições, hábitos e culturas bem distintas e, de alguma forma, contraditórias. Tal como muitos, fui daqueles que veio com os pais para a grande Lisboa, por volta dos anos 70.
De regresso ao século XXI, e a Alcochete, aproveitei este feliz encontro para beber dois vinhos que recentemente foram provados pela Revista de Vinhos. Um Dão e um Bairrada. O balanço foi francamente positivo.
Condessa de Santar branco 2005
Depois da aquisição da Casa de Santar pelo gigante da Dão Sul (não sei onde isto vai parar!), foram lançados para o mercado mais um leque de novos produtos. Garrafa muito bonita, com um rótulo muito bem conseguido, de cariz clássico. Feminino.
Levemente adocicado, onde a barrica tinha alguma preponderância. Amêndoas, nozes e avelãs, juntamente com a baunilha, dominavam um pouco sobre o limão e lima. A acidez conseguia proporcionar um bom nível de frescura. Um vinho com alguma personalidade e que vem aumentar o número de bons brancos no mercado. Fez parelha com uns queijos curados. Nota Pessoal: 16
Quinta de Baixo Baga&Touriga Nacional Grande Escolha 2004
Um belo e interessante vinho da Bairrada. Moderno, polido, sem perder complexidade. Boa apresentação, consensual. Entrelaçava muito bem as notas silvestres, as flores e o mineral com o leve chocolate preto. Por baixo, parecia-me sentir folhas de tabaco. Com alguma gordura na boca, taninos bem envolvidos pelo corpo. Final saboroso.
Um tinto que se posiciona muito longe daqueles Bairradinos espigados e agrestes. Combinou muito bem com uma pá de porco assada no forno, acompanhada por uma miscelânea de cogumelos salteados, puré de maçã Bravo de Esmolfe com hortelã e batatinhas douradas.
Nota Pessoal: 16,5

Post Scriptum: A noite foi bem longa.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Porta dos Cavaleiros

Um pouco de história não faz mal a ninguém.
Embora não se conheça a evolução do sistema defensivo de Viseu pela própria dinâmica da evolução da malha urbana da cidade, ao longo dos séculos, podemos suspeitar que começava "na Porta do Soar, a muralha seguia encostada à Rua do Soar de Cima, (depois Rua Cónego Martins), em direcção ao actual edifício do Grémio, onde inflectia, passando ao lado da Rua Formosa. Na sua passagem sobre a Rua Direita, ficava a Porta de São José, ou de cimo da Vila. Cortava depois em direcção à esquina da casa da família Lemos e Sousa, na Rua da Árvore (Porta de S.Cristina). Daí para baixo, a cerca continuava pelo Quintal da Prebenda até à Porta de S. Miguel, ou da Regueira, que dava entrada para a Rua do Gonçalinho, seguindo depois encostada à Rua 31 de Janeiro, até ao Largo de Mouzinho de Albuquerque, mas pelo lado de dentro. Nesta altura, abria-se outra porta, a Porta de S. Sebastião, ultrapassada a qual, a cortina descrevia um grande arco de círculo, abrangendo o Terreiro das Freiras (onde se realizavam as touradas) e a casa dos Arco, até à Porta dos Cavaleiros, ou do Arco, assim chamada, por ficar à entrada da antiga Rua dos Cavaleiros (hoje do Arco). Trepava em seguida a ladeira, encostando-se à Rua dos Loureiros, até ao cimo da calçada de São Mateus, onde se abria a Porta da Senhora do Postigo, ou da Senhora das Angústias, de que ainda há vestígios. Desse ponto, a cerca continuava, vencendo a rampa até ao cimo da calçada de Viriato. Umas casas altas da Rua de Silva Gaio (antiga rua Detrás-dos-Currais), devem assentar sobre os muros antigos e é nesse percurso que se encontra o troço mais bem conservado da circunvalação quatrocentista; uma das portas do muro, apresenta ainda umas insculturas com a forma vaga de uma arma. Seguia depois encostada à mesma Rua de Silva Gaio, tendo por vezes, por alicerce, grandes penedos com a disjunção esferoidal, até fechar o circuito na Porta do Soar". Amorim Girão In “Viseu, um futuro com passado”, Néstia Editores. Informações retiradas daqui.
A inscrição na Porta do Soar (ou Porta de São Francisco), permite-nos compreender que D. Afonso V foi o responsável pela reformulação da estrutura defensiva da cidade, integrando a cerca erguida sob o seu reinado as duas cercas mais antigas.
Dessa cerca afonsina, onde se rasgavam originalmente sete portas, são testemunhos a Porta dos Cavaleiros e a Porta do Soar, além de escassos troços de muralha que chegaram até nós. Nenhuma das torres originais sobreviveu.
Depois de uma breve passagem pela idade média (outro passatempo pessoal) , falemos então do vinho que foi baptizado com o nome de Porta dos Cavaleiros. Também ele faz parte da história, da minha como enófilo, do Dão e dos vinhos nacionais. Quantos já ouviram falar dos míticos Reservas dos anos 60 e 70? Não há muito tempo que na blogosfera o Reserva 1975 foi provado e bem. Um vinho do PREC.
É com muita curiosidade e admiração que vejo um Branco de 1973 a ser vendido a preços de topo. Tendo em conta que estamos a falar de um vinho branco com mais de 30 anos, é de fazer abrir a boca.
Pessoalmente lembro-me de beber o Reserva 1985, com muito agrado. Considerava-o o meu melhor vinho. Olhando para trás, vejo a longa caminhada que fiz e reparo que fui mudando alguns gostos. Não todos, porque a história não se esconde, nem se deita fora.
Passados alguns anos, voltei a beber um Porta dos Cavaleiros. Um Branco de 2004. Com notas petroladas envolvidas por erva verde e fruta em calda, que faziam recordar tenuamente o pêssego e o ananás. Suave perfume a tília e mimosa, tentava reproduzir a imagem de uma encosta serrana, na Primavera.
Na boca, mediano, com o combustível sempre presente. O vegetal e a fruta a saboreavam-se discretamente. Um vinho que custa nas prateleiras pouco mais de 2€ e que não desmerece. Nada mesmo.
Nota Pessoal: 14
Post Scriptum: Um nome cheio de história.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Continuando no Dão, em Darei

Atravessei o Mondego, abandonei Gouveia e encontro-me em Mangualde, concelho vizinho. Destino é Casa de Darei, não muito longe da Barragem de Fagilde. Estamos, portanto, bem no meio do Dão.
O produtor pertence à geração dos tais que desde década de 90, tem tentado recolocar esta região beirã no topo das escolhas dos consumidores. Depois de várias reconversões (vinha, adega e solar), reiniciou oficialmente a sua actividade no mundo dos vinhos na colheita de 1999.
É com alguma curiosidade que venho seguindo a evolução dos vinhos da Casa de Darei. Uma casa que vale a pena visitar e na qual se podem passar uns relaxantes momentos, bem no meio da Beira, para mim a Alta (nada de Interiores ou Litorais). Os vinhos, esses, mantêm sempre o mesmo fio condutor, comportamento. Calmos, bem feitos. Disponibilizados a preços comedidos. O mestre é o jovem enólogo Pedro Nuno Pereira, responsável também pela Quinta do Corujão e Adega Cooperativa de Tázem.
Como nota final, desta introdução, provem o Branco. Apanhem-no e levem-no para casa. É um branco contra-corrente, muito longe das bancadas de fruta exuberante que andam por aí. Relembra um pouco os antigos brancos do Dão, da Estação de Nelas, que deixaram história e muito recentemente tiveram honras de artigo na Revista de Vinhos.

O tinto Lagar de Darei 2003 tal como o Passarela, parece quer dar o salto para século XXI. Indiciou tiques provocantes, insinuantes. Flores, fruta cristalizada e licores proporcionavam um interessante nível de prazer. Cativa e quase que apaixona (falo de mim, naturalmente).
Na boca, um pouco mais seco e mineral que no nariz. Mediano, bem comportado, ameno e bom companheiro para a mesa.
Nota Pessoal: 15
Mais um exemplo, que comprova que existem razões para beber vinho do Dão. O tempo das tormentas parece ter abandonado a região. Tenho ideia que as práticas estão substancialmente mudadas. Existe, aparentemente, uma visão mais alargada do consumidor do século XXI. Dá-me a ideia, também, que há vontade de saltar para fora das fronteiras da Beira, sem nunca perder a alma.

domingo, dezembro 03, 2006

Na antiga Casa da Passarela

Esta Casa faz obrigatoriamente parte da vida de quem ama o Dão e a Serra da Estrela, principalmente para aqueles que têm raízes bem profundas em Gouveia (devo esta paixão à minha mãe). No entanto, para a grande maioria dos consumidores, só foi descoberta quando Álvaro Castro criou o seu Pape. Um vinho que nasceu a partir de uvas de um vinhedo arrendado à Casa da Passarela e de um talhão da Pellada. Em boa hora o fez. Voltou a colocar na boca de muitos de nós, um nome que merece ser conhecido e bebido.

"A Casa da Passarela é uma bela Quinta do Séc.XIX, pode ver-se ou visitar-se passando pela estrada nacional 17 em direcção a Lagarinhos ao Km 102, Passarela, no sopé da Serra da Estrela a este da Região do Dão. A história da família do proprietário remonta aos antepassados de Manuel Santos Lima que colocaram as primeiras pedras neste edifício. Lentamente a vinha e o trabalho das uvas ganharam uma importância sempre e cada vez maior na exploração da propriedade.

Nesta paisagem de colinas, a propriedade é composta por diversas vinhas. A escolha dos locais foi efectuada rigorosamente de acordo com a estrutura do solo, a orientação, o micro-clima e a drenagem do terreno. Possui 33 ha de vinha que estão expostas a sul e a oeste. A exploração dos vinhos produzidos na Casa é formada por sete vinhas distintas: Casa da Passarela, Dualhas, Encumeadas, Pedras Altas, Pedra do Gato, Pai de Aviz, Tapada. Os solos são graníticos, a uma altitude de 500 metros. Predominam apenas três das castas nobres recomendadas para a Região Demarcada do Dão: a Touriga Nacional, Aragonez e Alfrocheiro".
Informação retirada daqui.

Casa da Passarela Tinto 2005, é o exemplo de um vinho moderno, que não riscou do seu bilhete de identidade a terra onde nasceu. Apenas está mais actual (o rótulo podia ser bem melhor, mais criativo). Elaborado a partir de um lote de aragonez (não é só no Alentejo que se usa esta terminologia para a Tinta Roriz) e Touriga Nacional.
Com uma aparência a lembrar o doce de amoras. Vinoso, fresco, com morangos, groselhas e framboesas salpicados pelo orvalho. Perfumado por violetas, rosas e cedro. Um pouco de musgo e caruma dava-lhe um toque de complexidade. O aparecimento de drops e licores sugeriam um lado mais doce, tornando-o acessível, apelativo, jovem e feminino.
No palato, mostrou estrutura média, equilibrada, proporcionando prazer silvestre. Final médio e de boa recordação.
Fiquei surpreendido com o nível de qualidade e prazer que tive com este Dão, lá da Terra. Com menos de 4€, está muito bem e recomendo.
Nota Pessoal: 15
Post Scriptum - Existe também um Touriga Nacional de 2005, com uns pomposos 15% de graduação alcoólica.
Fez-me bem ir até lá a cima. Limpei a cabeça, descansei.