Eu não sou nada versado, entendido ou conhecedor de vinhos estrangeiros. Nem espanhóis, nem franceses, nem italianos, nem australianos. O que bebi ou o que bebo, salvo raras excepções, são pingas direccionadas para as grandes massas. Portanto, nada de extraordinário. Aliás, devo-vos dizer que quando me colocam um vinho estrangeiro na mesa, parto do principio que aquilo é bom. O rótulo escrito noutro idoma, dá sempre outro aspecto. E eu fico a pensar que sou um profissional: Até já bebo vinhos estrangeiros. Muito Bem! Todo este enredo serviu para falar um pouco sobre um vinho proveniente do outro lado do Guadiana. Do Guadiana espanhol, da Ribera del Guadiana. Jaloco Zafra Cosecha 2003 (Crianza) de António Medina e Hijos. Um vinho que tinha uns simples 12,5% de graduação alcoólica. Um lote de Tempranillo e Grenache/Garnacha, como quiserem. Vinha envolvido numa garrafa tipo alvarinho, o que não deixa de ser curioso num vinho tinto.
Na apresentação inicial parecia não convencer. Alguns dos meus companheiros de prova torceram o nariz. Soltavam-se expressões do tipo: "Que raio! Que é isto?". O tempo de espera acabou por ser um óptimo conselheiro. Os aromas eram pouco vulgares. Pelo menos, para mim. Um registo onde a fruta não desempenhava o principal papel. Só para terem uma ideia, em alguns momentos, parecia que estava a entrar na sala de jantar das nossas avós. Estão a sentir o cheiro das folhas secas, dos saquinhos do chá, dos rebuçadinhos de açúcar, dos figos e frutos secos, dos caramelos e de outras coisas mais que geralmente se encontravam dentro daqueles curiosos armários de madeira velha, que rangiam quando abríamos uma das portas? É isso mesmo.
Na boca, um pouco terroso, mas transmitindo algumas sugestões provenientes do armário da avó. Elegante e fino. Com boa frescura. Final anizado.
A nota que atribui não tem comparação possível com outro vinho. Clássico e anacrónico.
Nota Pessoal: 16
Post Scriptum: Uma nota de curiosidade. Foram as mulheres que gostaram mais deste vinho. E eu, é claro!
Agora só venho para a semana. Vou até à terra. Vamos começar as vindimas. O ano parece ser fraco.








