quarta-feira, Maio 31, 2006

Pegões Colheita Seleccionada 2003

Um regresso à Cooperativa de Santo Isidro de Pegões e aos vinhos de Jaime Quendera (estou a precisar de tempo para provar/beber o resto da colecção de varietais). Passo quase todos os dias, bem perto da COOP. Atravesso diariamente a estrada que vai desde o Montijo até Vendas Novas. Obrigações profissionais! Percorro uma paisagem que tenta apresentar um compromisso entre a difusa Estremadura e as vizinhas regiões do Ribatejo e Alentejo. Estas com mais personalidade, bem mais esclarecidas nas suas tradições.
Um vinho com estágio de 12 meses em meias pipas de carvalho francês e americano. Com 13,5% de vol. Feito à base de Touriga Nacional, Syrah, Trincadeira e Cabernet Sauvignon. O Castelão não aparece. Sinais do tempo?
Revelou boa intensidade cromática, quase opaca.
Aromas com toques florais, de especiarias, café, cacau em pó, compota e sugestões de notas balsâmicas e minerais. Alguma complexidade aromática.
Na boca confirmou bom equilíbrio entre todos os componentes, carnudo, mastigável. Talvez um pouco jovem no seu comportamento. Mas sem agressões e agradável, mostrando ser um vinho muito certo e bem feito. A madeira, de boa qualidade, está um pouco evidente, precisando de ser diluída um pouco no conjunto. Os taninos estão vivos, conferindo uma secura agradável nas gengivas, mas amparados por um corpo que os consegue suportar. Final de boca médio, deixando uma boa recordação.
É aquilo que podemos chamar um vinho moderno e atraente. Acredito que é capaz de ser consensual, como quase todos os vinhos saídos desta casa.
No seguimento da colheita de 2001. Continua a ser uma bela opção para todos nós e mostra que a zona de Palmela/Terras do Sado não deve ficar refém do Castelão. Vou guardar umas quantas, para ver no que dá! Precisa de algum descanso na garrafa. Espero não me arrepender, pois fiquei com a pulga atrás da orelha.
Nota Pessoal: 16

segunda-feira, Maio 29, 2006

Vinhos e amizade

Ao ler esta crónica, acabaram por achar que o título pouco tem haver com o texto. Sinceramente tive muita dificuldade em escolher um tema que fosse adequado. Escolhi Vinhos e Amizade, porque foi através da amizade que alguns vinhos apareceram. De outro modo seria impossível. Porque aqueles que se juntaram no dia 24 de Maio de 2006, para além de serem apaixonados pelo vinho e por tudo aquilo que o rodeia, são acima de tudo amigos. Não escolhemos vinhos para impressionar os outros. São para dar, para dividir, para oferecer! Aprendemos muito mais, sem qualquer preconceito ou receio por aquilo que se sentimos. Partilhamos com liberdade tudo aquilo que nos vai na alma. Por estas razões e mais algumas que resolvi escolher este título.
Mas comecemos a falar um pouco sobre o que se passou nesse dia de Maio. Local escolhido. Alcochete, junto à marginal. O enquadramento não podia ser o melhor. O Rio Tejo e os barcos, dos poucos pescadores que existem na vila, alinhavam-se desordenamente. Cores bonitas. O Rio está calmo, parecia um espelho...da janela olhava-se para Lisboa a despedir-se, dizendo-nos até amanhã!
Começamos o nosso serão com dois vinhos brancos já com alguns aninhos. Não foram provados em prova cega. Não havia necessidade. A ideia era mesmo desfrutar. Foram ofertas do Brandão.
Dão Caves Velhas 1978. 12,2%
Apresentou-se com uma cor muito parecida ao moscatel. Os meus olhos regalaram-se de espanto. Era bonito, mas será que estava em condições de se provar? Relutantemente coloquei o nariz e ... ele disse-me: "Ainda aqui estou!"
Aromas muito curiosos que me faziam lembrar a casca de laranja banhada por um toque de licor. Deixe-lhe tempo. Deixe-lhe espaço para me ir contando histórias. Sussurrava com suavidade, muita elegância. Sem pressas. Abriu então para provocantes notas de canela, mel e leite creme acabado de ser tostado. Um mimo...
Na boca voltou a partilhar comigo todos os seus aromas. Estava fresco, com boa acidez e algum melaço. Sempre bem comportado. Acabei por deixá-lo no copo durante toda a noite, acabando por fazer uma deliciosa parelha com um pijaminha de doces conventuais.
Quinta de São Miguel 1944. No seu rótulo, meio desfeito, era possível observar algumas indicações algo curiosas: Vinho de Meza A. Marques. Próximo do Bussaco. Alguém sabe do que estamos a falar? Nem nós sabíamos.
Cor mais clara, sugestões de combustível, talo de couve, que depois evoluiu para algo parecido vinho da madeira. Não deixaram de ser sessenta e dois anos de mistérios e histórias fechados numa garrafa, que valeram a pena serem contadas.
Terminada a etapa dos brancos, que serviram para descontrair, falar um pouco sobre a vida de cada um, passámos para uma pequena prova cega. Cada um (éramos quatro), trouxe uma botelha. A única condição; 1996 ou 1997. Porquê estes anos? Porque sim. Poucas razões existem para fundamentar a escolha.
Quinta dos Roques Touriga Nacional 1996. 13,5%
Um verdadeiro vinho do Dão. Nem mais nem menos. O tempo que tem parece não ter passado por ele, fê-lo melhorar ainda. Estava com um vigor que faria corar algumas das estrelas da actual feira de vaidades. Muitas delas não chegarão ao calcanhar deste Roques. É bem feito.
Cor bem escura. Aromas profundos, cheio de classe e categoria. Pujante, com muita vida!
Muito floral na sua apresentação. Violetas e hortênsias que lembravam os canteiros que existiam nos balcões, daquelas casinhas de pedra da Beira Alta. Era bonito ver as velhotas de lenço na cabeça a regar logo de manhã os vasos. Quando a água batia nas plantas parecia-me que os aromas tornavam-se mais fortes, mais intensos. Foi isto que o vinho me fez sentir. Balsâmico e silvestre. Licores. Evolução para amoras e alguma compota. Bom envolvimento, nada desalinhado. Minerais.
Boca com muita presença, com tudo no sítio. Estava para as curvas. A morte ainda caminhava bem longe dele. Outros serão chamados primeiro ao juízo final. Assim espero, pois dádivas destas existem poucas.
Nota Pessoal: 17

Pêra Manca 1997. 14,5%
Quente no comportamento. Uma postura mais provocante. O que era isto?
Aromas com muitas compotas. Uma misteriosa sugestão a laranjeira que intrigava, mas que apreciei particularmente. Groselhas e moras. A presença de alguma frescura, conseguia aliviar um pouco o seu lado mais doce, tornando-o mais complexo. Iogurte de cheesecake. Bolas de neve. Sim! Lembram-se daquelas rebuçados que vinham envolvidos em papel celofame vermelho? Pois, acreditem que me recordei desses rebuçados. Engraçado, não é? Suave torrefacção, com alguma manteiga.
Na boca era sedoso, gordo, mas não enjoativo. Alinhado. Taninos a darem uma agradável secura. Bom corpo, mas a dizer que provavelmente não ganhará muito em estar fechado numa garrafa. Mas as surpresas podem acontecer.
Nota Pessoal: 16,5

Quinta da Foz de Arouce 1996. 12%. Feito com baga.
Começa a ser um habitué a presença deste vinho beirão. Soube evoluir dignamente durante estes anos. Mostrou que a baga também dá bons vinhos. Não é nenhum monstro que nos faz caretas. Nada disso. É preciso ter olhos e espirito aberto para perceber a lógica dos néctares feitos com esta casta.
Impacto aromático com muitas sugestões de cedro e casca de pinheiro. Balsâmico, juntamente com alguma hortelã. Musgo, terra e bagas. Sugestão mineral que me faziam lembrar a lousa, a pedra. Os tais penedos e fragas que não saiem da cabeça. Perdoem-me estas sucessivas recordações!
O pior, o pior foi a sua boca. Algo magrinha. Com um prazer algo inferior ao que obtive no nariz. Foi pena, mas mesmo assim um vinho que merece e não desmerece! Provem.
Nota Pessoal: 16

Finalmente o momento choque. A desilusão.
Tapada dos Coelheiros Garrafeira 1996. 13%
Apresentação aromática cheia de toques metálicos, algo fechada e muito incaracterística. Precisei de esperar algum tempo para comprender melhor se era defeito meu ou dele. Continuou pouco esclarecedor. Apareceram depois impressões a cartão. Barril avinhado, daquele bem velho e mal lavado. Algum vegetal e balsâmico que ajudou a melhorar a sua prestação.
Conseguiu comportar-se um pouco melhor na boca, mas sem deslumbrar. Será que presenciámos o fim de um ícone? Não creio. Prefiro acreditar que esta garrafa não estaria em condições. Que sofreu algumas amarguras da vida. Ou se calhar fui eu que o não consegui compreender.
Nota Pessoal: 15
Não vos falei, ainda do Restaurante. Assentámos praça no Alcaxete, em Alcochete, como já tinha dito. Um belo espaço. Um antigo lagar de azeite. Começamos por um paté, queijinho de Azeitão e uns enchidos de porco preto, muito bem cortados. Tudo de boa qualidade. Como prato principal foi-nos proposto um bife de vitelinha com umas triviais batatas fritas e esparregado. Confecção normal, sem deslumbrar. Para a sobremesa um pijaminha de doces conventuais, que estavam bem bons.
O próximo encontro já está agendado.

domingo, Maio 28, 2006

Quinta de Saes 1991 e 1992

Vim de fim de semana. Acabei de chegar. Já descarreguei a mala do carro. Como sempre, aproveito estas viagens relâmpagos para trazer aquelas coisinhas saborosas que ajudam a matar saudades. Agora só daqui a um mês, lá voltarei.
Bom, mas não é da minha viagem à terra que vos quero falar. Também não é ainda a tal prova que vou escrever. Preciso de tempo, concentração para relatar tudo o que se passou nessa noite. Por isso, esperem mais um pouco. Por agora, vou só registar mais um momento feliz do meu percurso de enófilo.
No sábado à noite, recebi um convite de um amigo meu para beber um copo, na sua quinta. Tudo bem, nada de mais. Falei com a minha mulher e lá fui. Chegado ao destino, fui presenteado por duas raridades do Dão. Duas garrafas de Quinta de Saes 1991 e 1992. Dois exemplos que podem retratar aquele Dão mais clássico, rústico, mas possuidor de uma personalidade muito própria e vincada! São vinhos que fazem parte da história do Engenheiro Álvaro Castro e do seu percurso como força motriz de uma região que andava completamente moribunda no início da década de noventa do século passado.
Dois vinhos cheios de cor, sem dar sinais de morte, capazes de durarem outro tanto. Bem equilibrados, com uma matriz aromática coerente. Sugestões balsâmicas. Muito mato, muita casca de pinheiro. Fetos e musgo. Impressões de verniz. Algumas bagas. O lado mineral aparecia através de toques a carvão. Alguma tinta da china. Na boca os dois Saes eram envolventes, sedosos, elegantes, redondos, se bem que o 1991 era mais robusto, com mais corpo. Bebiam-se com muito prazer.
Todos aqueles que são apaixonados pelo mundo do vinho deviam ter a oportunidade de provar estas pérolas. Fazem-nos crescer, fazem-nos olhar para o vinho como um produto da terra, do lavrador, na natureza. É o que é! Não tem tecnologia. Não é manipulado. Não é informatizado. Não têm lantejoulas. São sóbrios. É preciso perceber e compreender. O tempo vai encarregar-se de nos dizer se valeu a pena esperar! Claro que valeu.

sexta-feira, Maio 26, 2006

Vou de Fim de Semana

Caros amigos, vou de fim de semana. Vou até à terra carregar as baterias. Fugir da loucura da grande cidade, da confusão, das multidões...
Falar com os velhotes, sentir o pulso às origens. Observar as hortas, as quintarolas. Ver como estão as couves. Ir ter com o Ti António beber um branco de bica aberta e comer um naco de presunto em cima da broa...
Lembrar-me um pouco daquilo que vivi em enquanto criança e jovem. Agora muitas dessas recordações apenas circulam pela minha cabeça, num mundo criado por mim. Faço um esforço quase titânico para que elas não morram e continuem bem frescas.
Gostaria de poder transmitir à minha filha tudo aquilo que senti. Os cheiros, os aromas, os gostos, as brincadeiras. Quando lhe conto algumas histórias, ela olha para mim como se fosse alguém esquisito, algo nostálgico que não se consegue libertar daquilo que viveu e já não volta! É capaz de ser verdade.
Quando voltar espero ter tempo para relatar um jantar que tive com alguns amigos meus. Mais um momento único, onde se provaram alguns vinhos interessantes. Até lá dêem uma vista de olhos neste local e aguardem!

terça-feira, Maio 23, 2006

Quinta dos Aciprestes Reserva 2003


Desta vez a Revista dos Vinhos acertou em cheio no vinho que escolheu. Feito com Touriga Nacional e Touriga Franca. Estagiou em barricas de carvalho francês e americano. Um autêntico jackpot. Uma boa pinga. Se calhar, bastava-me dizer isto para transmitir o prazer que tive ao beber este vinho da Real Companhia Velha. Mas como sempre irei dizer qualquer coisa. Um dia esgotarei todos os adjectivos que uso para criar uma nota de prova. Quando chegar a esse patamar, fecho a loja e vou para casa.
Uma cor muito bonita, espessa, compacta.
Aromas de uma frescura e envolvência que são raras de encontrar. Quase tudo no ponto certo. Nada rústico (se bem que existe espaço para este tipo de vinhos). Fruta vermelha que vinha de mão dada com toques de eucalipto e cedro. Casca de pinheiro. Quantas vezes me lembrei dos pinheiros que existiam perto das "cortes" dos meus avós. Eu e os meus primos íamos para lá brincar, fingir que éramos heróis de um mundo qualquer imaginado por nós! No regresso tínhamos à espera uma legião de adultos com cara de poucos amigos...
No copo o vinho ia evoluindo. Mineral e chocolate preto. Mostrava uma boa torrefacção que fazia recordar aquele tabaco do meu avô. Muito eu gostava de cheirar... Inumeras memórias ia ressurgindo. Tenho muitas saudades da minha infância. Foi bem passada. Muitas histórias se contavam à lareira. Discutiam-se os rendimentos...
Na boca era muito envolvente. Muito suave e fino. Quase pecaminoso (ai se a minha mãe me ouvisse dizer isto). Nada estava fora do lugar. Bebe-se e bebe-se. Com prazer. Mastiga-se e Saborea-se. Deixa na memória sugestões balsâmicas, silvestres, juntamente com um rasto a chocolate e fumo muito agradáveis. Quase pecaminoso.
Merece a nota que foi atribuída pela RV. Nem mais nem menos.
Nota Pessoal: 17

sábado, Maio 20, 2006

Um fim de semana com o Syrah

Aproveitando um descanso merecido (sou eu que digo), aproveitei a Sexta-feira, Sábado e Domingo para me entreter com a casta mais famosa do mundo (mais uma vez sou eu que digo, por isso se estiverem em desacordo, informem-me). Peguei em três Syrah´s do nosso little country. Nada de extraordinário, mas um pouco representativos do que se faz por aqui (bem sei que as escolhas podiam ser outras...). Poderei dizer que o país ficou representado de norte a sul, evitando assim algum constragimento no futuro. Como sempre, irão reparar para o eventual excesso de prosa, de imaginação que as minhas notas de prova poderão ter. Assumo que gosto pensar que sei escrever (os meus amigos perdoam-me esta presunção. Eles sabem que eu sou feliz assim). É o esforço de um matemático. Bolas, já estou a divagar...! Voltemos então ao cerne da questão.
Primeiro vinho provado, numa sexta-feira ao jantar. Veio das Terras do Sado. Do produtor Bacalhôa Vinhos. Estagiado em pipas de carvalho francês e americano. Provavelmente saberão do que estou a falar:
Só Syrah 2003. Uma nota para o nome. Nunca gostei. Agora existe o Só Touriga Nacional. Se um dia lançarem outros varietais, nem quero ver. A Coleccção Só...
Aromas muito francos e limpos. Sem aparentes excessos. Um lado doce e quente, mas não enjoativo. Pareceu-me no ponto. Licores, do tipo ginja. O seu lado vegetal dava frescura. Fruta vermelha, amadurecida correctamente. Alguma noz moscada/gengibre juntas com folhas secas. Boa torrefacção.
Na boca entra suave, saboreando-se os licores. Sentindo caramelo e tabaco. Os taninos, que no início estavam algo ariscos, ficaram mais domados, mais amaciados. Ofereciam um ligeira e agradável secura nas gengivas. Corpo médio. Final médio, que deixava um travo amargo, mas não desagradável.
Não é um estrondo de vinho. Mas olhem que está muito bem feito. É correcto e agradável. Nunca lhe torci o nariz.
Nota Pessoal: 16
No Sábado, outra vez ao jantar, voltei à minha cave e seleccionei o Syrah 2004 do produtor João Portugal Ramos. Estagiou em meias pipas de carvalho francês.
Bastante diferente! Uns dirão ainda bem...outros nem por isso.
Cor muito opaca. Escura.
Muito fechado na parte inicial da abordagem, mas que fazia desconfiar que estava perante algo mais forte e pujante que o primo das Terras do Sado. Fortes sugestões químicas e terrosas.
A fruta era madura, preta. Ameixas em passas, juntamente com alguns figos em passa. Apontamentos balsâmicos/menta/cedro. Especiaria: Eu penso ter focado tomilho e pimentas (lembrei-me muito daqueles frasquinhos que compramos nos hipers). Baunilha.
Tudo num perfil intenso, robusto, com muita extracção, que pode criar algum cansaço. Todo ele é algo exagerado.
Na boca era gordo, poderoso. Ameixa madura. Compota. A acidez conseguia oferecer alguma frescura, evitando que ele caísse num abismo (ele andou sempre perto). Os taninos estavam bem presentes. Eram pujantes e estavam coordenados com o corpo. Final médio/longo. Forte.
Com muito esforço conseguiu acompanhar a refeição. Pensei muito na melhor combinação gastronómica para este vinho. A que escolhi não foi a mais indicada.
Para o tempo frio. Talvez esteja muito jovem, necessitando por isso de mais tempo na garrafinha.
Nota Pessoal: 15,5
Post Scriptum:
Deixei grande parte do vinho na garrafa. Voltei a experimentá-lo no domingo à noite. Comportou-se de forma mais correcta, mais domesticado. Mas o estilo mantinha-se.

No Domingo, o Quinta do Valdoeiro Syrah 2003. Das Caves Messias.
Foi o vinho de compromisso. Isto é foi aquele conseguiu, na minha opinião, comportar-se de forma mais equilibrada e mais desafiante. Mais complexo.
Aromas mais frescos. Boa tosta. Fruta de cariz mais silvestre que vinha num cesto com chocolate de leite e charutos. Algum rebuçado. A baunilha e o caramelo eram de qualidade e sedutores. Especiaria.
Na boca tinha presença, corpo. Era mastigável. Taninos e acidez cobertos pelo corpo. Chocolate, tabaco, leite, fruto preto. Quente, mas muito apelativo, sem cair em excessos. Boa harmonia. Um final o quanto baste, largando um rasto de coisas boas. Um vinho que valeu pelo equilibrio, pelo harmonia e eu aprecio o estilo.
Nota Pessoal: 16,5
Conclusão. Uma casta, várias maneiras de a apresentar e trabalhar. Agora cabe a cada um de nós decidir o que prefere...

sexta-feira, Maio 19, 2006

Gota e Pinga, o blog do Roseira!

Pois é, um dos master do Dão e Douro, João Roseira reactivou o seu blog!
Mais um sinal da dinâmica da blogesfera. Esperamos encontrar boas notícias por lá!
O pingasnocopo deseja as maiores felicidades...E é claro, podem visitá-lo aqui.

quinta-feira, Maio 18, 2006

Era bruto? Era...aliás continua, mas!


QUINTA DE MACEDOS 2000. Paul Reynolds 14,5%. Douro.
Um regresso a um vinho que quase já estava esquecido no meio de outras garrafas que deambulam pela minha casa. Sim, porque eu não tenho uma garrafeira. Tenho um aglomerado de botelhas para meu belo prazer. Puro deleite.
Lembro-me dele, do vinho, quando era jovem, bem bruto, de difícil aproximação. Quase fugi na altura! Agora já dá para trocar algumas palavras com ele.
Continua opaco na cor, escuro.
Os aromas continuam a mostrar enorme qualidade e intensidade. Lagar; mas de granito. Muita fruta, aliada a sugestões de esteva (os prédios do meu avó, as lages) e mato. Que saudades da minha infância. Os Penedos. Sim os penedos! Agora lembra-me os penedos, as fragas que conseguíamos ultrapassar...Era uma vitória! Quando chegávamos lá a cima. Comíamos o farnel feito pela avó! Voltemos ao vinho...
Na boca, continua duro, mas com a rédea curta é possível domesticá-lo. Os taninos estão mais disfarçados. Uma estrutura de grande qualidade e corpo muito mastigável. Um vinho bastante cheio e com uma persistência na boca muito longa. Arrisquem...
Nota Pessoal: 17

terça-feira, Maio 16, 2006

Por terras do Alentejo

Desta vez dedico-me ao Alentejo. À grande planície do Sul. Para tal, escolhi três vinhos, todos eles provados em prova cega, que me aguçaram o apetite. Dois deles nasceram bem no interior do Baixo Alentejo. O outro preferiu nascer em lugares mais frescos. Vão ser notas rápidas (prometo).

Aragonês da Peceguina 2004
Um varietal do produtor Herdade da Malhadinha Nova, Albernoa, Beja. Da responsabilidade do enólogo de Luís Duarte. Estagiado em barricas novas de carvalho francês. Com 14%.
Um vinho quente, doce e sensual. Com sugestões de fruta vermelha, rebuçados. Torrefacção sem exageros. Enriquecia com uma brisa a mato.
Mastigável na boca. Com bom corpo e um bom final. Muito guloso. Um género muito consensual, que irá agradar a uma vasto leque de consumidores.
Nota Pessoal: 16

Fonte Mouro Reserva 2003
Um vinho de lote que parte do portefólio Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha, Beja. Com a assinatura do enólogo António Saramago. Feito com cabernet sauvignon, aragonês, alicante bouschet e trincadeira.
Um vinho que se mostrou muito redondo, muito apelativo. Os seus aromas eram frescos. Fruta preta. Com lembranças florais e balsâmicas que estavam acompanhadas por uns pozinhos de tabaco e chocolate preto.
A sua boca era elegante, nada pesada, fresca.
Mais um exemplo de um vinho pouco badalado e que merece ser conhecido. (O Fonte Mouro Colheita Seleccionada 2004, como podem ver aqui, é também uma interessante proposta).
Nota Pessoal: 15,5

Altas Quintas 2004
Um vinho nascido nas terras altas do norte alentejano. A 600 metros de altitude, na serra de S. Mamede. Mais um vinho alinhavado pelo enólogo Paulo Laureano. Feito com trincadeira, aragonês e alicante bouschet. Estágio em barricas de carvalho. Com 14%.
Muito fresco, longe dos vinhos quentes do Alentejo (serão os ares da serra?). Numa linha algo irreverente e anacrónica (enganou-me com o seu comportamento). Muitas flores. Muito mato, baldes cheios de cedro e eucalipto. Fruta que parecia que estava no pomar.
Na boca, comportava-se de forma suave, fresca, sem agressões. Uma bela estreia. Achei este vinho muito diferente dos outros que o enólogo Paulo Laureano costuma idealizar.
Nota Pessoal: 16,5
Agora desfrutem...

segunda-feira, Maio 15, 2006

Pingas do Dão e Douro (Parte II)

E assim foi. Terminou mais um Dão e Douro. Um momento de excelência, num local de uma beleza irrepreensível (Pestana Palace), fazendo esquecer que no dia seguinte iríamos voltar às nossas vidinhas. Enfim para a dura realidade.

Foi possível trocar verdadeiros dedos de conversa, sem as pressões das multidões, sem olhar para o relógio. Num ambiente calmo e descontraído. As caras que por lá andavam começam a ficar intimas. Partilham-se opiniões mais abertamente, com menos rodeios. Ganha-se confiança.

Aproveitei, também, para conhecer e rever algumas das caras que estão por de trás de rede. Uma verdadeira legião de enófilos que andam a falar do líquido de Baco, usando as novas tecnologias. Uma realidade que começa a ter algum peso e demonstra o crescente interesse que o mundo do vinho despertou nos consumidores, sejam eles mais experientes ou menos experientes.

Lanço, agora, para a refrega alguns nomes que ficaram registados na minha memória e que me farão andar por aí, desesperadamente, à procura deles. Alguns já eram meus conhecidos, outros nem por isso.
Para memória futura, deste blog, temos então os seguintes premiados:

Nos brancos:
Castelo D’Alba Vinhas Velhas 2004
Este vinho corre o risco de entrar para o meu lote de vinhos brancos preferidos. Começo a depositar muita confiança nele. Parece ser uma paixão à primeira vista. Algo passional. É uma opinião controversa, Mas que se lixe! Eu adoro o vinho. Pujante. Corpo. Acidez. Sabor. Para durar.
Tenho regularmente provado o Vinhas Velhas de 2003 e o seu comportamento tem sido mais que consistente. Está ainda vivo.

Lagar de Darei 2003
Ora aqui está um vinho que anda muito longe dos olhares dos consumidores. Um lote de encruzado, bical e arinto. Feito ao arrepio das modas. Numa linha, num perfil que há muito desapareceu. Não é frutado, não é exuberante. Não anda com lantejoulas. Mais sóbrio. Foi concebido como se de um vinho tinto se tratasse. Vem ao mundo já com alguma idade. Tem muito carácter, muita personalidade. Não é consensual. Lembra os antigos brancos que duravam muitos anos. Memórias perdidas que eu gosto de recuperar.

Quinta das Maias Reserva 2004
Uma novidade de um produtor conhecido pelos seus encruzados. Este Maias é feito de encruzado, malvasia fina, verdelho e barcelo. Um vinho que veste bem. De forma elegante e distinta. Sem sobreposições, sem exageros. É preciso ter o nariz bem focado. Fresco, mas não refresco. Mineral, floral. Para beber com calma e para meditar!

Nos tintos:
Quinta da Vegia Reserva 2003
Quando nos apaixonamos por alguém ou por alguma coisa, e quando essa paixão se tranforma em amor, devemos ter muito cuidado com o que dizemos ou com o que escrevemos. As nossas palavras poderão ser exageradas e pouco equilibradas, mostrando alguma cegueira ou estado febril. Mas sinceramente é assim que fico quando bebo, provo, degusto este vinho. Deixo de procurar aromas e sabores e apenas me dedico ao prazer.
Um conselho, não ligue apenas aos nomes famosos. Provei também o 2004. Na linha do Reserva 2003.

Quinta da Pellada Touriga Nacional 2004
Lembram-se do Touriga Nacional de 1996? Lembram-se do Pape? De outros vinhos? Percebe-se porque é que este touriga nacional ganhou recentemente um painel de vinhos do Dão que a Revista de Vinhos fez. Violetas, bergamota, chocolate. Denso, corpolento, estruturado. Altivo. Um vinhão. Vai durar bastante tempo. Por agora, está um pouco casmurro.
Quinta dos Roques Touriga Nacional 2003
Este vinho tem sido como uma criança, que tenta crescer de forma saudável. Quase o vi nascer. Observei-o quando estava no berço. Reparei nas primeiras passadas, Senti que, às vezes, não andava seguro. Deu alguns trambolhões. Agora, pareceu-me que estava mais crescido, mais responsável. Mais definido. Agora sim, acredito que na sua evolução. Vai ser alguém.

Dão Borges Reserva 2003
Um senhor que conheci no ano de 2001. Na altura, poucos lhe deram importância. Passava despercebido. Este ano voltou a andar por lá e mais uma vez sem ninguém lhe dar o real valor. Fechado, mas havia qualquer coisa que me despertava e alimentava a minha curiosidade. Para tomar contacto com ele no futuro.

Aneto 2003
Devagar, devagarinho este vinho vai aparecendo por aí. Começa a ser falado. Vale a pena que o seja. Pois tem muito para mostrar. Elegante, com presença. Envolvência. Um projecto interessante.

Quinta das Pias 2003
Para quem não provou o Grande Escolha, este Pias acabou por ser um belo representante deste produtor. Ou melhor deste conjunto de produtores. Profundo, denso. Mineral de comportamento. Austero. Era capaz de comprar umas botelhas…Fiquei com a pulga atrás da orelha!

Kolheita 2003
Lembrava o Douro da minha infância. A adega dos meus avós. O cheiro dos lagares, do granito. A esteva, o restolho. As frutas silvestres que se apanhavam. Passou-me pela cabeça os saquinhos de cheirinhos que se colocavam nas mesinhas de cabeceira. Tinha toques de rústico, mas envolvia.

E depois para finalizar em apoteose nada mais do que terminar com o Charme 2004 e Batuta 2004. Nada direi sobre eles. Não tenho capacidade para tal. Estão numa dimensão diferente. Cada um no seu lugar e eu coloco-me no meu...
Para o ano há mais...assim espero!

Quinta da Pellada Revisitada

Neste Portugal à beira de um ataque de nervos, muito se fala de tecnologia, de comboios de alta-velocidade, de redes de fibra óptica. Um conjunto de ideias pré-feitas sempre com o intuito que o país consiga obter um nível de desenvolvimento mais consentâneo com o mundo desenvolvido.
Fazendo a transposição para o mundo do vinho, olhar para Álvaro Castro é como ver um TGV a passar por outros comboios que circulam a velocidade de tartaruga (bem sei que este réptil acaba por ganhar no fim...mas esqueçamos a história, certo?). Quase não tem concorrente no Dão. No entanto acredito e desejo que o panorama regional mude, se altere e que aparecem outros produtores do calibre deste senense.
Ele inventa, altera, faz coisas novas. Alugou a Passarela e criou o Pape. Já lançou um Colheita Tardia, tem um vinho branco feito de uvas tintas...Que mais irá fazer, por Terras da Serra da Estrela? Um Syrah?
Este homem do Dão, aliás ele é o Senhor Dão, não nos pára de surpreender.
Tem a sua base na freguesia de Pinhanços, concelho de Seia. Um zona com carateristicas próprias, distintas e bem definidas de todas as outras sub-regiões do Dão. Os ventos frios que vêm da serra, mais os calores que acontecem por alturas do Verão, conferem aos vinhos um carácter muito próprio.
Deste modo, irei partilhar um conjunto de apontamentos pessoais de alguns vinhos, deste produtor, e que me marcaram num passado recente. Representam, para mim, diversos patamares de evolução e criatividade. Estão no lote das melhores pingas que já provei, fazendo já parte da minha história, da minha evolução como enófilo. Não irei atribuir qualquer nota pessoal. Ficam apenas os meus registos e que me perdoem por alguns exageros ou leviandades que possam aparecer.
Quinta da Pellada Baga 100% 2000
Quem teve acesso a este vinho? Muito poucos. Eu consegui adquirir duas botelhas por mera sorte. Coisa de principiante. Feito à base de uma casta que desapareceu completamente do Dão.
Cor escura e aromas bastante diversificados, complexos e densos. Eles iam desde a fruta madura, bosque, compotas, apontamentos minerais e cacau. Poderia enumerar mais, mas se calhar não iriam acreditar...
Uma boca cheia de coisas boas. Potente, mas sem ser bruto. Estruturado. Muito complexo. Um final longo, quase sem fim. Um vinho que soube tão bem. Continua a evoluir muito bem.
Acima de tudo um Baga muito bem feito.
Quinta da Saes Estágio Prolongado 2000
Estamos perante um vinho que "é ou foi" um excelente exemplo do que pode ser uma óptima relação preço/qualidade. Ao preço que "foi ou ainda é" vendido, são poucos os vinhos que apresentam/apresentaram uma evolução digna de destaque.
Boa palete de aromas que iam desde a Ginja, frutas silvestres, caruma, musgo, terra molhada, café. Sempre numa linha fresca.
A boca sempre sedosa, envolvente, elegante e com taninos no ponto certo.
Cheguei a comprar uma caixa deste vinho, o que é raro fazer, porque o dinheiro não estica aqui por casa! Nunca me deixou mal e por essa razão ainda tenho algumas. O Quinta de Saes Estágio Prolongado 2003 está uns furos abaixo deste 2000.
Quinta da Pellada Touriga Nacional 100% 1996
Este vinho foi o ponto de partida para o estrelato (digo eu...). Quem não ouvi falar deste mítico vinho? Quase que me atrevo dizer que foi com este Touriga que o mundo conheceu Álvaro Castro.
Potência, o toque animal que lhe é tão característico. As notas de caruma, as sugestões balsâmicas, as folhas secas.
Uma boca poderosa, cheia. Fresco e vivo. A mostrar que ainda está com vida e com um futuro Uma força da natureza. Um exemplo de personalidade. Quem possua algumas garrafas que as guarde com carinho. Pois está para durar. Eu não tenho nada...

Quinta da Pellada Jaen 100% 1997
Outro marco histórico. Para mim, o melhor Jaen feito no Dão, até ao momento. Capaz de melhorar, ainda durante mais algum tempo. É raro.
Aromas são provocantes, insunantes e perfumados. Flor de laranjeira, fruta, bagas, rebuçados e chá. Tudo isto era misturado com uma pitada de notas de aniz.
Boca sedosa, equilibrada e muito elegante.
Num perfil muito aristocrático e que ajudaria a conquistar o coração de uma dama, se tal fosse necessário.

Post Scriptum: Estou a ultimar um texto sobre os vinhos que provei na Prova de Excelência, da 3ª edição Dão e Douro, no Pestana Palace. A ver vamos...

Post Scriptum: Os vinhos referidos foram provados por mais que uma vez, nos últimos dois/três anos. Cada vez que provava e reprovava, conferia o que tinha escrito. Não encontrando alterações significativas, decidi no essencial manter o que já tinha dito. Foram provados às cegas ou com o rótulo à mostra. A ideia base é transmitir as sensações e o prazer que tive, nos mais variados momentos em que contactei com os vinhos. Por isso, não atribui nenhuma nota pessoal. Como sabem estes registos valem o que valem...

sexta-feira, Maio 12, 2006

Duas Pingas do Dão

Olhando para o acontecimento Dão e Douro que está a decorrer nestes dias em Lisboa e que tem o seu climax no próximo dia 14 de Maio, achei interessante disponibilizar, aqui no blog, uns rabiscos pessoais, desta vez, sobre dois vinhos do Dão que me deram prazer. Duas escolas, duas maneiras de ver o vinho. A primeira acredita que os verdadeiros vinhos são os de lote. A outra demonstra que existe espaço para todos, criando vinhos varietais (aliás, foram estes que lhe deram fama).
Quinta do Corujão Reserva (tn) 2003
Mais um vinho do pequeno produtor, António Batista. Rio Torto, Gouveia. Feito com Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Tinta Amarela. Com 13% de vol.
Apresentou-se com cor bem concentrada. Inicialmente com os aromas um pouco fechados, com alguma austeridade. Foi preciso esperar algum tempo para lhe sentir o pulso e perceber melhor o que tinha dentro do copo. Terminada a espera (não tão grande como aquela que temos nas urgências dos nossos hospitais), surgiram toques vegetais e balsâmicos, aliados a fruta silvestre, de pendor muito fresco. Terra húmida, mato e muita caruma. Como aquecimento da pinga "disseram olá": apontamentos de fumo, tabaco, pó de talco ou qualquer coisa parecida aos armários das nossas avós (coisa que gosto de sentir). Alguma amêndoa. Neste momento, lembrei-me muito das amendoeiras que o meu pai tinha, algures numa quintarola no Douro Superior. Há muito que arderam... Existem aromas que não esquecemos. Fazem parte da nossa memória.
Na boca entrava fresco, suave e balsâmico. A madeira estava presente, através de alguns sabores fumados que se senti. Taninos presentes, finos e integrados pelo corpo. Final médio, mas de qualidade. Um vinho que vale a pena experimentar de um produtor que conheço muito bem. Muito longe das modas que por aí andam. Ainda bem que existem vinhos destes, mais "clássicos", mas nada antiquados. Para beber, pensar e reflectir. O preço ronda os 9€. Nota Pessoal: 16
Post Scriptum: Tentem encontrar um Encruzado de 1999 deste produtor e digam alguma coisa...

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2002.
Um produtor que criou os fabulosos Touriga Nacionais de 1996 e 1997 e que possui interessantes Encruzados. Lançou recentemente outro vinho branco feito da casta Barcelo (colheitas de 2003 e 2004), proveniente da Quinta das Maias, S. Paio, Gouveia. Andou durante algum tempo no limbo. Com muitas indefinições. Com Rui Reguinga parece estar a renascer. Este touriga nacional apresenta 13% de vol.
Cor demonstrando alguma concentração. Muito bonita.
Aromáticamente mostrou-se muito interessante. De porte aristocrático. Vivo, bem delineado, sensual e cativante. De pendor fresco, onde se sentiam as flores (muitas mesmo), misturadas com frutos (talvez mais pretos...). A complexidade aumentava com o aparecimento de nuances balsâmicas e minerais, misturadas com baunilha, tabaco/folhas secas e café. Tudo muito bonito. Tudo bem alinhado.
Na boca, ele entrava fresco, correcto e, para mim, equilibrado. Sem agressões, mas com presença. Tanino finos, bem integrados no corpo, não estando deslocados ou fora do sítio. Final não muito longo, mas de boa memória, deixando um rasto silvestre misturado com café e tabaco. Filho de um ano menor e se calhar de uma região menor (que está a tentar renascer das cinzas como a Fénix). Bem feito, muito perfumado. Gostei! Nota Pessoal: 17

quinta-feira, Maio 11, 2006

Status Grande Escolha 2004

Ora aqui está. Status Grande Escolha 2004.
Com 14%. É impressionante que até o Dão, a tal região da elegância, começa a colocar no mercado vinhos com uma graduação alcoólica muito acima do que estavamos habituados a ver no passado. Mudança de rumo? Mudanças na condução das vinhas? Alterações climatéricas? Perguntas de outro rosário, que poderão dar um bom tema de conversa... Mas voltemos ao vinho.
Um vinho que apresentou uma cor bonita, com alguma concentração. Rebordo ruby.
Inicialmente, com aromas um pouco fechados, oferecendo sugestões a lagar e azeitona esmagada. Tive que fazer um compasso de espera, para esquecer este inicio algo difuso. Terminada a pequena quarentena, este vinho da Vinicola de Nelas, conseguiu oferecer sugestões de fruta (pensei muito em bagas, amoras, morangos), que pareciam vir acompanhadas com alguma compota ou passa (que me incomodava um pouco). Fundo balsâmico e uma leve nuance a especiaria.
Mostrou aromas limpos e correctos, mas algo pesados (para myself). Sem muito mais para dar.
Na boca, comportou-se de forma correcta, afinado. Sem grandes estrondos. Apesar da presença de um lado doce (a tal compota ou passa), conseguiu ser refrescante, durante o tempo que se manteve na boca. Final médio/curto, deixando na memória uma leve impressão balsâmica.
É, acima de tudo, um vinho para o dia-a-dia. Pouco complexo, mas composto. Fácil de agradar a quase todos os consumidores. Pode mostrar que o Dão também consegue fazer vinhos fáceis e de alguma empatia. Vinhos destes podem ser uma porta de entrada para o Dão profundo (é aqui que estão, se calhar, os melhores vinhos da região. Como sempre uma opinião pessoal). Custou 2,59€.
Nota Pessoal: 14

Pingas do Dão e Douro (Parte I)


Aproveitando uma brecha no meu trabalho, consegui fazer a primeira investida ao Evento Dão e Douro. Qual o local escolhido? Desta vez, foi a Garrafeira Culto do Vinho, junto à Expo. Aproveitando o final de tarde, bem quente e depois de uma longa travessia da Ponte Vasco da Gama, nada melhor do que começar com um branquinho, para relaxar, descontrair e começar a tomar algumas notas pessoais. Comecei por dois brancos:
Casa de Mouraz 2004. Dão. Feito com malvasia fina e bical, com 5 meses em borras, com batonage. Impacto aromático muito petrolado. Um lado mineral, junto com sugestões vegetais e tostadas. Na boca notava-se o tal combustível mais a vertente mineral. Boa acidez, que ajudava a manter a frescura. Final correcto. Um vinho interessante, que era capaz de comprar.
Quinta do Monte Travessos 2004. Douro. Feito com malvasia fina, gouveio e rabigato. Aromas mais frutados, dando a impressão da presença de alguma fruta em calda. Folha de figueira. Menos complexo que o primeiro. Na boca estava limpo, directo, sem trazer nada de novo. Não comprava.
Depois de ter refrescado, estar mais calmo e relaxado, passei à prova de alguns tintos:
Quinta do Cachão Grande Escolha 2004, das caves Messias. Impacto aromático muito internacional (digo eu). Fruta preta, caramelo, tabaco e chocolate. Cativante. Não lhe consegui encontrar nada de Douro. Podia ser de qualquer lado. Na boca, apresentava-se fresco, com presença de fruta e um final chocolatado. Um perfil muito guloso, mas de difícil combinação gastronómica. Na altura que estava de volta deste vinho, apareceu alguém que vinha da parte das Caves Messias e que andava a sentir o pulso aos consumidores relativamente a este Cachão. Troquei alguns dedos de conversa e fiquei a saber que tinha sido engarrafado há 15 dias. Vale a pena experimentar...
Etapa seguinte: Quinta de la Rosa Reserva 2004. Um aroma mais silvestre, mais floral. Fruta vermelha. Mais douro, mais português. Na boca estava frutado, mas mais taninoso e seco. Um pouco mais rústico. Pareceu-me ter um corpo mais delgado. Final algo curto. Para futura análise.
Passei a outro Douro. Um vinho que nunca provei. Esmero 2003. Aromas tipicamente durienses. Mais intenso. Algo jovem no seu comportamento. Aromas de fruta vermelha, alguma esteva, juntamente com algumas flores. Boa madeira. Na boca, comportou-se com elegância. A acidez proporcionava-lhe uma frescura agradável. Final saboroso. Comprava de certeza.
Finalmente, que a tarde já ia longa, terminei com CSE Garrafeira 2001. Douro. Um vinho bastante rústico. Muito fechado, muito vegetal. Algum tostado. Sem grandes complexidades. Para esquecer.
A prova destes vinhos decorreu com a companhia de umas fatias de Queijo de Serpa. Muito correcto. Ajudou na degustação e na conversa que se estabeleceu com os donos da garrafeira. Agora a próxima etapa será no Domingo...

terça-feira, Maio 09, 2006

Status (br) 2005

Mais um vinho que mostra o ressurgimento do Dão. Pessoalmente, agrada-me de sobremaneira. Da responsabilidade da Vinicola de Nelas. Depois do lançamento do Status Grande Escolha tinto (para breve publicarei algumas notas pessoais sobre este vinho, mas da colheita de 2004), agora temos um Status branco feito à base de encruzado, malvasia fina e cercial-branco. Com 13% de vol.
Cor clara, quase transparente.
Aromas muito minerais, que vinham acompanhados de apontamentos florais (pensei nas hortênsias). Alguma maçã (daquela verde), juntamente com lima. Num perfil limpo, directo.
Na boca entrava fresca, muito fresca mesmo. Alguns poderão achar em demasia. Com um corpo simples, mas bem feito. Sente-se a tal mineralidade, acompanhada pela tal maçã. Final, mais uma vez, refrescante, deixando na boca um lado vegetal interessante.
Um vinho do Dão sem grandes complexidades. Se calhar, também não foi feito para as ter. É uma boa opção para se beber numa refeição simples ou como aperitivo. Aproveitar enquanto ele é jovem. Pelo preço de 2,59€ não se pode pedir muito mais.
Nota Pessoal: 14

segunda-feira, Maio 08, 2006

Quinta da Alorna Reserva Chardonnay 2005


Um vinho do Ribatejo, de um produtor que se está a tornar num porto de abrigo, no que respeita a vinhos brancos. Aliás, começo a olhar para esta região como um sítio ideal para vinhos brancos.
Este chardonnay fermentou em barricas novas de carvalho francês, que se seguiu um estágio sobre as borras durante três meses com batonage. Com 14,5% de vol.
Apresentou uma cor clara, brilhante com tonalidades esverdeadas.
Impacto aromático de qualidade. Nobre e distinto na apresentação. Cavalheiresco. Disponibilizou fruta madura, sem excessos e sempre fresca. Pêra, maçã, maracuja, ananás, laranja. Por vezes, surgia um lado vegetal que me fazia lembrar a relva verde, acabada de cortar. Outras vezes, sentia qualquer coisa parecia com a hortelã ou menta. O mais surpreendente, para mim, foi descortinar um lado mineral, que aumentava a complexidade. A madeira revelava-se através de bonitas notas de baunilha e amêndoa. Estava bem integrada, sem sobreposições.
Na boca entrava gordo, mas nada pesado. Fresco, limonado. Saboreava-se a maçã, o ananás. Mais uma vez, os tais apontamentos minerais voltaram a surgir (imaginação minha?). Final muito refrescante, deixando na boca um rasto a baunilha, caramelo e lima.
Um vinho que se apresentou, sempre, num perfil elegante, com categoria e sem excessos (ao contrário do que seria de prever).
Um branco que me deixou verdadeiramente surpreendido. Geralmente os vinhos brancos feitos com esta casta comportam-se de forma diferente...Custou na loja do produtor 5€, o que se torna numa excelente relação preço/qualidade.
Nota Pessoal: 17

Inevitável (tn) 2004


Um vinho que vem aumentar o portefólio da Casa de Santa Vitória, Baixo Alentejo.
Tem como responsável pela enologia Nuno Cancela de Abreu (Casa de Alorna, Quinta da Fonte do Ouro, ...).
Foi provado em prova cega. Com 14% de vol.
A sua cor adivinhava o que iria revelar. Aromas muito químicos, a levarem-me para a tinta da China. Denso. Muita fruta preta, juntamente com chocolate preto. Alguns toques florais e de bergamota que tentavam disfarçar a sua robustez aromática, tentando transmitir frescura. Forte, muito intenso.
Na boca, foi inevitável a forma como ele entrou. Corpo forte, com taninos e acidez bem vivos. Pujante (para mim, em demasia). Algo duro. Pareceu-me que precisa de mais tempo (outros dirão o contrário). Final longo.
Um estilo de vinho que raramente consigo ter algum prazer. Ao meu lado, outros adoraram...
De qualquer modo, penso que a minha apreciação poderá ter sido prejudicada, pela forma como o tinha de o avaliar (havia mais uns quantos para dizer qualquer coisa). Para reavaliar no futuro. Preço não divulgado.
Nota Pessoal: 14,5

domingo, Maio 07, 2006

À mesa com Monte d'Oiro

Estive recentemente numa prova cega, juntamente com outros companheiros de route (Fernando Moreira, João Duarte, Jorge Sousa e Pedro Brandão), onde pude degustar um conjunto de vinhos provenientes da Quinta do Monte d’Oiro. Nada mais, nada menos que os Monte d’Oiro Reserva 1997, 1999, 2000 e 2001, e Aurius 2001 (este último é feito com Syrah, Touriga Nacional e Petit Verdot). Todos vinhos de elevada qualidade e consistência. Sente-se e pressente-se a mão de quem os idealiza.
Foi para mim, uma daquelas noites que não se podem esquecer. É pena existirem poucas, na nossa vida!
A prova decorreu no Restaurante Taverna d’el Rei, no Montijo.
Partilho com vocês algumas notas pessoais sobre cada vinho.
Quinta do Monte d'Oiro Reserva 1997
A cor não dizia a idade que já tinha. Visualmente enganou-me...Parecia mais jovem.
Aromaticamente era caracterizado pela presença de fruta madura, alguma compota. Com um lado vegetal presente.
Na boca, os aromas sentem-se. Final mediano, deixando na memória alguma compota, juntamente com sensações vegetais.
Foi o vinho que me deu mais dor de cabeça. Tive dificuldade em descrever o que sentia. Limitações pessoais? É possível.
De qualquer modo, fiquei algo desiludido com ele. Esperava mais, se calhar fruto da enorme curiosidade que tinha em provar a primeira colheita. Nota Pessoal: 16
Quinta do Monte d'Oiro Reserva 1999
Cor brilhante, com tonalidades vermelhas bem vivas. Libertava aromas que se insinuavam. Fresco e muito floral. Encontrei um lado mineral que me fazia lembrar apara de lápis. Com o decorrer da prova, senti nuances de pó de talco e rebuçado que particularmente aprecio.
Na boca apresentava-se muito elegante, bem desenhado. A acidez ajudava a manter o seu lado fresco e mineral. Pecava era no final. Achei algo curto, ou melhor esperava um pouco mais. Esperava que durasse mais. De qualquer maneira um belo vinho. É a segunda vez que provo este vinho. Nota pessoal: 17
Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2000
Cor limpa, lembrando morangos.
Aromas elegantes, muito delicados, onde a complexidade marcava presença. É preciso ter atenção para lhe dar o devido valor. Se estamos desatentos, poderá passar ao lado. Num confronto com vinhos mais exuberantes, mais “potentes” poderá ser penalizado…Flores, que vinham juntamente com fruta silvestre. Mineral. Sensação de algum cedro ou eucalipto.
Na boca parecia mel. Sedoso. Fino, envolvente. Taninos de veludo. O lado floral sentia-se na boca. Refrescante, com um final elegante. O regresso a um vinho que, no passado, me deu alguns amargos de boca… Nota pessoal: 17
Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2001
Cor mostrando concentração.
Inicialmente mais fechado, talvez por ser o mais jovem. Os aromas quando acordaram despontaram para belas sugestões de fruta fresca. Pensem num pomar. A presença, mais uma vez de um lado mineral que enriquecia o conjunto, conferindo-lhe mais complexidade. Com o aumento do tempo de abertura permitiu descortinar notas de folhas secas, tabaco e chocolate preto, tudo num fundo balsâmico.
Na boca mostrava um corpo amplo e mastigável. Taninos e acidez mais vivos, mas bem envolvidos. Nada estava desalinhado. Excelente frescura. Mais robusto que os seus irmãos mais novos. Final longo, mais evidente. Foi o meu preferido. Temos vinho para durar e eu já adquiri dois exemplares. Nota Pessoal: 18,5
Aurius 2001
Notei que estávamos perante algo completamente diferente dos outros vinhos. Mais fruta, mais café, mais tostados. Mais vinho da moda, mais fácil de abordar e de gostar. Mais consensual. Mas não menos interessante. Pelo contrário. Presença de flores e de um lado terroso de difícil descrição…alguns licores.
Na boca era perfumado, mais uma vez elegante e sem brutalidades. Final saboroso, que deixava na memória lembranças de fruta e café. Nota Pessoal: 17,5

Nota Final: Vinhos onde o equilíbrio, a elegância são notas dominantes. Por aqui não há evidências. Apresentam-se com classe e distinção. Não são fáceis de analisar. É preciso estar com atenção ao que se passa no copo, não vá escapar alguma coisa. Para noites calmas. Sem holofotes, nem ruídos. A vela, a lareira são boas companheiras…

Na mesa, a acompanhar os vinhos, tivemos um patê de foie gras, com marmelada e redução de Moscatel, que foi a entrada. Correcto.
Depois como pratos principais: trouxa de massa grega com cherne e alho francês. Uma proposta interessante, com os ingredientes bem integrados, equilibrado e sem excessos.
A seguir um magret de pato com molho agridoce. Brilhou menos.
Para a sobremesa uma miscelânea de sobremesas, que não é mais do que um “pijaminha”. Um sortido de várias sobremesas que o restaurante possui na sua carta.
Um espaço onde se nota que existe vontade para fazer coisas diferentes, apresentando algumas propostas interessantes. Foge um pouco ao tradicional restaurante da sardinha, da caldeirada e dos grelhados que impera na zona. Reparei que existem menus de degustação, que tentarei experimentar em futuras visitas.

sábado, Maio 06, 2006

Três Pingas do Douro

São três opções de vinhos do Douro
que se encontram disponíveis com facilidade
nas grandes superfícies.

Evel Grande Escolha 2001. Com 14% de vol.
Cor vermelha brilhante, mas não muito concentrada. Aromas vegetais a lembrarem esteva, musgo e caruma. Evolução para pólvora, misturada com chocolate, café e tabaco. Com o aquecimento do vinho vieram ao de cima a fruta vermelha, mas de cariz fresco. Boa complexidade aromática.
A boca esteve coerente com o nariz. Fruta, misturada com chocolate amargo e café. Perfil fresco, saborosa, com os taninos bem envolvidos pelo corpo. Final médio/longo que deixava um rasto a tabaco na boca.
Um vinho muito bem feito, vendido a um preço que não choca ninguém e que aconselharia ao meu melhor amigo! Preço a rondar os 15€.
Nota Pessoal: 17
Quinta da Pacheca 2003. Com 14% de vol.
Cor concentrada, quase opaca. Aromas com qualidade, libertando toques de fruta madura, aliada a sugestões vegetais que faziam lembrar alguma esteva e caruma. Com evolução no copo, surgiram impressões que me faziam recordar a casca de amêndoa. Num perfil robusto, mas algo monocórdico e chato, dado que sentia sistematicamente os mesmos aromas...
Na boca entrava com robustez, onde se fazia notar a fruta e onde se voltava a sentir um travo amargo que me fazia lembrar a tal amêndoa. Taninos macios, envolvidos pelo corpo. Acidez correcta e um final entre o médio e o curto, deixando um rasto algo vegetal.
Não o achei muito interessante, não me fez deixar de boca aberta, nem suspirar por ele. Igual a tantos outros que andam por aí... Mas reconheço que tem qualidade. Preço a rondar os 9€.
Nota Pessoal: 15
Quinta do Tourão Reserva 2000. Com 13,4% de vol.
Cor escura, com laivos roxos. Aromas iniciais de caruma de pinheiro, misturadas com fruta e compota. Mais tarde, surgiram notas de tabaco, café e chocolate em pó. Tudo num fundo vegetal e com alguma frescura. Um pouco rústico.
A boca era cheia, com sabores a fruta e compota, onde se sentiam os taninos ainda bem vivos, que conferiam alguma rugosidade e secura na boca. A acidez ajudava a manter uma agradável frescura. Bom final.
Não é um grande vinho, nem possuidor de uma grande complexidade. Mostrou que tem um perfil gastronómico, com apetência para acompanhar pratos com algum peso. Preço a rondar os 12€.
Nota Pessoal: 15,5

Catarina 2005


Um branco das Terras do Sado, da Bacalhôa Vinhos. Foi durante muito tempo uma referência nos vinhos brancos. Feito à base de fernão pires e de chardonnay. Estagiado parcialmente em madeira. Com 13,5% de vol.
Cor brilhante, com nuances esverdeadas. Aromas limonados que se juntavam a toques de frutos tropicais, levando-me a sentir maracujá, ananás e manga. Num perfil fresco. Para mim, este vinho melhorou desde 2004. Tornou-se mais fresco, abandonando o seu lado mais pesadote que tinha no passado, mas isto é a minha opnião.
Na boca estava fresco, fino. Sentia-se a fruta, e alguma manteiga proveniente da madeira. Final médio, deixando um rasto de ananás. Um bom companheiro para a meia estação e faz boa parelha com um besugo nas brasas...
Nota Pessoal: 15

sexta-feira, Maio 05, 2006

Escolha António Saramago Alentejo 2001

Feito de um lote com Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet. Tendo estagiado em pipas de carvalho francês. Com 14% de vol.
Cor concentrada, com rebordo algo tijolado.
Muito fechado no início, com o álcool aparentemente evidente. Os aromas, nesta fase inicial, reportavam-nos para um lado químico e vegetal. Foi preciso esperar mais um pouco para que surgissem sugestões de cedro, mentol e eucalipto. Neste momento, o interesse pelo vinho aumentou, dando mais vontade em cheirar e voltar a cheirar...com o natural aquecimento do vinho, a fruta surgiu juntamente com alguns couros e uma leve impressão de baunilha. O álcool é que nunca abandonou...o que foi pena!
Na boca entrava mediano, com taninos integrados no corpo. Acidez proporcionava um final refrescante, deixando na memória um rasto baunilhado e balsâmico. Não é um vinho que nos faça deixar ficar de boca aberta, mas nota-se que foi bem feito e que houve cuidado na sua concretização. Pareceu-me, também, que é capaz de evoluir bem na garrafa. Por 10€, estamos perante uma boa compra.
Nota Pessoal: 15,5

Barranco Longo Touriga Nacional 2004


Um vinho que veio da praia, mais precisamente do Algarve. Do produtor Rui Virginia, Algoz. Um produtor que lançou recentemente um conjunto de vinhos: rosé, branco e tintos.
Provado em prova cega. Com 14 % de vol.
Aromas sensuais, com a presença de muitos morangos e framboesas aliados a um ligeiro fumado, orientando-nos para as folhas de tabaco. Algum chocolate, sem excessos. Num perfil elegante.Na boca estava afinado, equilibrado, mantendo-se fresco. Um final médio. Não sendo um vinho do outro mundo (até acaba por ser, dada a região de origem) é um vinho guloso e saboroso. Vale a pena provar.
Nota pessoal: 15,5

quinta-feira, Maio 04, 2006

Plansel Touriga Nacional 2002


Um vinho alentejano, da zona de Montemor-o-Novo, do produtor Jorge Böhm. É daqueles tintos concentrados, da moda e do agrado de muitos consumidores. Provado em prova cega. Cor escura, muito escura. Com 14% de vol. Aromas fortes, exuberantes e pujantes. Muito químico na primeira abordagem aromática ao vinho. Com o tempo começaram a saltitar sugestões de fruta madura, juntamente com chocolate. Sempre num registo forte, denso e intenso. A vertente química é que nunca nos abandonou.Um pouco melhor na boca. Apesar de se apresentar robusto, pareceu-me que estava mais controlado. Chocolate amargo e a fruta voltavam-se a sentir outra vez. Taninos bem dominados pelo corpo (pudera). Acidez refrescante (ainda bem). O rasto que deixava na boca era algo bruto, um pouco amargo, provocando alguns arrepios.Tem qualidade. É inegável, mas para que é preciso tanta dureza, tanta extracção? Preço a rondar os 17€
Nota Pessoal: 14

quarta-feira, Maio 03, 2006

Varandas (tn) 2003


Um vinho da COOP. de Almeirim. Provado em prova em cega. Feito do um lote constituído por Castelão e Aragonês. Com 13% de vol. Cor com boa concentração e brilhante. No capítulo aromático, sentiam-se toques de couro, juntos com fruta vermelha e algum vegetal conferiam uma frescura interessante, dando alegria. Lembranças de algum floral. Na boca este vinho Ribatejano mostrava-se com alguma estrutura, mastigável e fresco. Algo guloso e consensual. Sem brutalidades. Taninos envolvidos num corpo médio. Final médio.Um vinho bem feito por uma Cooperativa que produz milhares de litros de vinho anualmente. Mais uma proposta para o mercado e que não fica nada atrás de outros vinhos...O preço não foi divulgado.
Nota pessoal: 14,5

terça-feira, Maio 02, 2006

Cova da Ursa Chardonnay 1989

Existem momentos na vida de um enófilo que são surpreendentes. Momentos que nos podem deixar verdadeiramente admirados e de boca aberta.
Estava na casa de um amigo meu quando fui confrontado com um convite para beber um “branquinho”. Tudo bem! Um convite normal numa tarde de calor. Anormal é verificar que o vinho que ele ia oferecer era de 1989 e português, feito nas Terras do Sado pela JP, actual Bacalhôa Vinhos. Um vinho com 17 anos. Coisa rara de se ver e de beber. Como podem ver a minha desconfiança era muita. "Será que o vinho estava bom? Será que a sua alma já foi encomendada e se encontra noutro mundo?" Eram questões que saltavam na minha cabeça...
Foi com todos estes sentimentos que fiz a minha abordagem. Era necessária cautela, muita cautela, não vá o diabo aparecer...
Mostrou uma cor amarelo torrado, carregado.
Do ponto de vista aromático revelou aromas típicos da casta chardonnay. Muito vegetal, do tipo couve, juntos com alguns limonados, amêndoas e mel. Mostrava uma frescura assinalável, nada cansado. Não havia excesso de doçura... Inacreditável, não é? O medo ia desaparecendo...
Na boca, outra bela surpresa. Entrava fresco e mantinha-se fresco. Tinha personalidade. Nada pesadão ou chato. Conseguiu apresentar uma vestimenta bastante interessante. Mais uma vez a casta mostrou-se. Vegetal. Senti ainda, ou poderei ter imaginado, alguns sabores de maçã verde, juntamente com os tradicionais torrados provenientes do estágio da madeira. A acidez estava ainda bem presente e o corpo ainda conseguia preencher as cavidades da boca. Final de boa memória.
E agora? Que classificação poderá reflectir melhor aquilo que senti, sem entrar em excessos de valorização?
Nota Pessoal: 16

Quinta de Foz de Arouce (br) 2003

Um regresso a este vinho, sendo a terceira vez que o provo. Da responsabilidade de um produtor (Conde Foz de Arouce, Lousã) que parece também estar a regressar ao nosso convívio. É feito à base da casta cerceal e estagiado em madeira de carvalho novo francês. Apresenta 13% de vol..Notei evolução positiva, mostrando agora mais equilíbrio.
A cor está mais carregada, mostrando um ambiente mais torrado.
Na minha abordagem inicial à parte aromática do vinho, senti sugestões de combustível aliadas a toques de mel e baunilha. A fruta sentia-se através do ananás e da casca de laranja caramelizada. Os aromas enriqueciam com um toque floral que vinha acompanhado com impressões marítimas (lembrei-me do cheiro a mar).
Na boca entrava fresco, através de uma acidez ainda viva. O leque de sabores disponibilizados tinham qualidade. O final eram refrescante, com qualidade, deixando na boca um sabor amendoado e limonado.
Um vinho com personalidade, que já desafia e que me merece ser provado.
Nota Pessoal: 16,5