segunda-feira, Agosto 28, 2006

A Ribatejana Casa de Atela

Um produtor que vive na lezíria, na terra do campino, em Alpiarça. Deixo-vos alguns apontamentos sobre dois varietais produzidos pela Sociedade Agrícola da Gouxa e Atela. Andei na rede a vasculhar informações que nos ajudassem a conhecer melhor esta casa ribatejana. O que encontrei tinha pouca substância. Ambos provados em prova cega.

Casa da Atela Syrah 2004. Uma cor muito bonita, que não fazia adivinhar o que trazia lá dentro. Parecia que era um pouco menos concentrado que o habitual. No entanto, a história que contou foi um pouco diferente.
O impacto aromático estava repleto de fruta madura, que vinha envolvida por chocolate e tabaco. As fugazes sugestões vegetais lutavam para conseguir refrescar o conjunto, dando-lhe mais alegria e clorido. Apesar de algum peso, apresentou-se um registo limpo e directo.
Na boca, pareceu-me um pouco estranho, algo incaracterístico. Tive problemas em definir o que estava a provar. No entanto, deu para sentir uns taninos algo espigados, com vivacidade e turbulência a mais, que provocavam um nível de secura na boca para além do desejado. O corpo parecia não aguentá-los. Final picante, com algum ardor.
Pareceu-me ainda jovem, a necessitar de castigo. Ficar mais algum tempo na garrafa para ver se acalma um pouco, não lhe vai fazer mal. Eu posso esperar. Acredito que é capaz de se tornar mais interessante, para mim. Nota Pessoal: 13,5
Casa da Atela Merlot 2004. A cor da moda. Opaca, escurissíma. Um buraco negro.
Inicialmente muito fechado e com pouco para oferecer. Com o indispensável tempo de espera, começaram aparecer impressões doces que se mantiveram sempre presentes. Amoras e ginjas doces, compotas e bombons, que lembravam o mon cheri (que eu nunca gostei). E o desfile açucarado continuava com as passas e os figos (neste momento, lembrei-me daqueles figos que vêem cobertos de açúcar em pó). Para quem é guloso ficaria satisfeito, é certo!
Na boca, comportamento um pouco constrangedor. Seco e directo. Entrava e rapidamente desaparecia, num final abrupto, deixando-nos pouco para contar. Foi o primeiro merlot que provei. Desta forma, não consigo estabelecer grandes comparações. De qualquer modo, não morri de amores por ele. Nota Pessoal:13

2 comentários:

Leonardo De Araujo disse...

Grande Pingus, fico satisfeito que tenhamos provado "pingas" de sua terra natal.
Você, que certamente é grande conhecedor da região, poderia indicar umas para nós.
Teu blog tá a toda.
Brindes
Leonardo
http://vivaovinho.blogspot.com

Leonardo De Araujo disse...

Muito obrigado pelas dicas. Realmente, o Cabriz já vi por aqui e sei onde achar, portanto será o primeiro a ser investigado.

Brinde
Leonardo
http://vivaovinho.blogspot.com